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Temer é rejeitado por 95% da população, e 88% defendem diretas já
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03.08.17
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Vitória de Pirro? Governo vence com menos votos que o esperado
A rejeição da denúncia contra Michel Temer já era esperada, mas foi avaliada, tanto por oposicionistas como por integrantes da base aliada, como uma espécie de “vitória de Pirro”, obtida a um custo alto e que representa apenas uma batalha em meio a uma guerra mais longa. As negociações feitas nos últimos dias conseguiram blindar o presidente da República e impediram que fosse aberto um processo penal contra ele, porém, Temer obteve 263 votos, quando deputados ligados a ele propagavam, horas antes, que conseguiriam ao menos 302.
Por outro lado, a oposição computava ter 210 votos pelo acolhimento da denúncia. Perdeu, mas conseguiu mais: 227. Esse resultado está sendo avaliado por vários líderes partidários como um sinal de que, embora vitorioso, o governo saiu mais fragilizado do embate.
O primeiro a surpreender e reconhecer que houve um gosto de derrota no resultado foi o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ). O deputado surpreendeu ao dar a declaração porque trabalhou amplamente para garantir a rejeição da denúncia no plenário nos últimos dois dias. Mesmo assim, disse que o resultado foi “ótimo se formos pensar o hoje, mas muito ruim se olharmos para o futuro”.
Ele afirmou que, com o resultado, a base aliada terá dificuldades para aprovar as matérias legislativas que se encontram em tramitação. “Não conseguiremos aprovar nenhuma das reformas com 260 votos”, destacou, acrescentando que a partir de agora é preciso buscar uma unidade com o PSDB – legenda que teve muitos parlamentares contrários a Temer no dia de ontem.
O líder da oposição, José Guimarães (PT-CE) disse estar satisfeito com o resultado e que as siglas oposicionistas devem se reunir até o início da próxima semana para discutir como vão trabalhar daqui por diante. Guimarães ressaltou que não esperavam a quantidade de votos obtida contra Temer.
“Sabíamos que o governo teria os votos suficientes para rejeitar a denúncia, mas achávamos que seriam bem mais do que o observado. Por outro lado, tivemos 17 votos a mais do que esperávamos pelo acolhimento, o que mostrou que muitos parlamentares resolveram votar contra Temer no último momento. Foram apenas 36 votos de diferença. Agora é continuar no combate contra esse presidente ilegítimo que já mostrou o quanto está fraco”, afirmou.
Novos embates
Os oposicionistas pretendem ampliar as estratégias para as próximas votações do Congresso. Eles contam com o oferecimento de uma nova denúncia contra o presidente pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, até sua saída do cargo, no início de setembro – que terá de passar por rito semelhante na Câmara.
Há um entendimento na Casa de que após sucessivos desgastes com tais denúncias, o presidente não sobreviverá no cargo. Outro quadro com o qual contam as siglas da oposição é a situação da economia depois do derrame de recursos liberados para parlamentares, que implicaram em cifras da ordem de R$ 4 bilhões, o que consideraram imprudente para um país em fase de austeridade.
Segundo o deputado Paulo Pimenta (PT-RS), a sessão foi constrangedora do início ao fim para o Parlamento brasileiro. “Vimos deputados que no ano passado esbravejaram contra as supostas pedaladas fiscais, abraçados em bandeiras do Brasil e dos seus estados, hoje acomodados com suas emendas, com seu dinheiro, nos dizendo que não existe motivo para Temer ser investigado. É quase inacreditável, como se povo não tivesse memória e o presidente não tivesse nenhuma responsabilidade com a crise que vivemos”, reclamou.
Alessandro Molon (Rede-RJ) saiu da sessão dizendo que a Casa inventou, a partir desta quarta-feira, uma nova forma de obstrução à Justiça ao blindar o presidente. “A Câmara inventou a obstrução parlamentar. E tudo, pago com o dinheiro público, que está faltando nas escolas, nos hospitais e na segurança pública. Quem está pagando a conta por essa vergonha que aconteceu hoje aqui é a população brasileira”, ressaltou. O deputado, entretanto, demonstrou confiança com a apresentação da segunda denúncia, quando considera que a situação poderá ser revertida.
Mandado de segurança
Por volta das 19h30, em plena votação, chegou ao plenário da Câmara a informação de que o pedido feito pelos líderes oposicionistas para que houvesse uma troca e passasse a ser apreciada a denúncia encaminhada à Casa pela PGR, em vez do texto substitutivo, foi rejeitado pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Em sua decisão, a relatora do mandado de segurança, ministra Rosa Weber, afirmou que o tema está “inteiramente vinculado ao regimento interno e, de modo especial, à interpretação deste regimento pelos próprios membros da Câmara dos Deputados, não cabendo interferência do Judiciário”.
“Decorre a inescapável imbricação entre a questão versada e a disciplina regimental, esta expressão própria da prerrogativa de autogoverno de um dos Poderes da República que, em tal qualidade, jamais deixou de ser prestigiada por este Supremo Tribunal Federal”, disse a ministra.
No total, foram computados 263 votos pela rejeição da denúncia da PGR contra o presidente e 227 pelo acolhimento da denúncia. Dois deputados se abstiveram de votar e 19 faltaram.
Assim que saiu o resultado, Temer se manifestou e disse que agora devem ser retomados os trabalhos do Executivo para “colocar o Brasil nos trilhos”. Mas apenas uma espada saiu da cabeça do presidente. A expectativa é de que a próxima denúncia a ser apresentada pelo procurador-geral Rodrigo Janot contra ele não demore muito tempo.
Fonte: RBA
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03.08.17
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Temer e deputados derrotam democracia mais uma vez, diz cientista política
A vitória do presidente da República, Michel Temer, na votação da Câmara dos Deputadosfavorável ao relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), e contra a denúncia da Procuradoria-Geral da República, significa mais um duro revés sofrido pelo regime democrático brasileiro, diz a cientista política Maria do Socorro Sousa Braga, da Universidade Federal de São Carlos. “Para a democracia do país é uma grande derrota”.
Para ela, com a votação desta quarta-feira (2), Temer se fortalece no Congresso e pavimenta o caminho de sua manutenção pelo menos até as eleições de 2018. “Fortalece também as investidas do grupo que está no poder, para tentar continuar as reformas, principalmente a da Previdência, ou pelo menos algum tipo de reforma da Previdência.”
A vitória de Temer já era esperada, já que sua base era muito superior aos 172 votos que lhe eram necessários. Até por saber que a votação estava assegurada a seu favor, parlamentares da base governista passaram o dia defendendo que ela fosse iniciada o mais rápido possível. Diante da derrota inevitável, a tentativa mais ambiciosa da oposição durante o dia foi o de conseguir postergar a decisão dos deputados até o horário nobre, para que uma parcela maior da população soubesse como votaram os parlamentares. “O resultado fortalece a base do governo, seus partidos e o próprio governo”, avalia Maria do Socorro.
A ofensiva de Temer sobre os parlamentares em troca do voto favorável eliminou eventuais riscos que o presidente ainda pudesse correr na votação. “Alguns jornais falam em milhões, mas foram bilhões gastos para comprar apoio. Esse é outro aspecto terrível da qualidade da nossa democracia. Com a máquina nas mãos, eles se acham no direito de fazer o que fazem”, diz a analista. “Temer comprou, como Fernando Henrique Cardoso comprou o voto pela reeleição em 1977. Temer compra agora sua permanência no cargo”, diz.
“O que a gente espera de uma democracia é que, independentemente do cargo que a liderança ocupa, ela tem de ser realmente julgada por aquilo que está sendo denunciada. Em algum momento o Brasil precisará pensar em como inibir esse tipo de conduta dos nossos governantes”. Do contrário, avalia, o país jamais atingirá algum nível de democracia realmente séria.
O deputado Paulo Teixeira (PT-SP) postou nas redes sociais, ainda durante a tarde, que “Temer fez medida provisória dando R$ 5,4 bi de anistia pro agronegócio pelos votos da bancada ruralista”. Segundo ele, os deputados negociavam hoje mesmo emendas “no meio do plenário em troca de votos”.
O jornal O Estado de S. Paulo informou, em sua página na internet, que o ministro Antonio Imbassahy (PSDB-BA) “foi flagrado pelo Broadcast Político negociando a liberação de uma emenda com um deputado do DEM em troca do voto”. Imbassahy foi exonerado da Secretaria de Governo para participar da votação, já que tem mandato de deputado.
Apesar da vitória de Temer, o posicionamento do PSDB na votação pode indicar problemas para ele em votações relativas a eventuais novas denúncias da Procuradoria-Geral da República que são esperadas contra. O PSDB não fechou questão a favor do presidente na votação de quarta-feira. Antes, o líder tucano na Câmara discursou dizendo que “há requisitos” para que a Câmara autorize o prosseguimento de investigação. Como líder, orientou sua bancada pela admissibilidade da denúncia.
Maria do Socorro diz ainda ser “importante destacar” a falta de manifestações populares em um dia politicamente importante como esta quarta-feira. “Quando você vê população nenhuma indo às ruas num dia como hoje, é que a indignação está no nível máximo e a população se sente impotente diante de uma classe política que se acha no direito de fazer tudo. Isso é muito triste.”
Fonte: RBA
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03.08.17
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Trabalhador obrigado a ficar nu na presença de um pitbull será indenizado pela empresa
De acordo com o Tribunal Superior do Trabalho (TST), um conferente de malotes da Transbank – Segurança e Transporte de Valores submetia os trabalhadores à revista íntima na presença de supervisores e um pitbull, para intimidá-los.
“Prática a ser condenada em todos os aspectos, pois fere a dignidade humana”, diz Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB).
Ao analisar a defesa da empresa, o Tribunal Regional do Trabalho (TRT) da 2ª Região de São Paulo decidiu aumentar a indenização determinada pela primeira instância em R$ 20 mil para R$ 35 mil.
A Oitava Turma do TST confirmou a condenação e o valor fixado pela segunda instância. Para os juízes, a empresa teve conduta “abusiva, vexatória, humilhante e desrespeitosa”. O trabalhador contou que havia câmeras em todas as salas filmando todo o serviço realizado, que trabalhava de macacão e chinelos e passava por detectores de metais. Mesmo assim, a empresa obrigava os empregados à revista íntima com a presença do cachorro.
A empresa negou que as revistas fossem realizadas com a presença de um animal e disse que o procedimento era feito com moderação, sem que os trabalhadores tivessem de se despir ou fossem expostos ao ridículo.
O ministro Márcio Eurico Vitral Amaro, considerou a sentença da segunda instância procedente e alinhada à Súmula 337 (veja aqui) do TST, que considera a revista por meio de nudez totalmente ofensiva à moral do trabalhador.
Para o jurista José Affonso Dallegrave Neto “a empresa não pode pautar suas condutas na desconfiança ou na presunção de que seus pertences e empregados são improbos. A presunção ética, moral e legal é e deve ser a de que todos são inocentes e agem de boa-fé, até que se prove o contrário”.
Fonte: Portal CTB
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Cresce confiança dos brasileiros nos sindicatos, revela pesquisa Ibope
Os brasileiros confiam mais nos sindicatos do que em partidos, governos ou presidentes da República. É o que revela uma pesquisa recente do Ibope Inteligência que avaliou o Índice de Confiança Social (ICS) de 20 instituições públicas e entidades sociais do país.
Os sindicatos são vistos como mais confiáveis por jovens de 25 a 29 anos das classes D e E. E a confiança aumentou à medida que se agravava a crise política e econômica no país: subiu de 41%, em 2015, para 44%, em 2017. Neste período também se intensificaram os atos públicos e manifestações em defesa dos direitos sociais e trabalhistas e da democracia em todo o Brasil, movimento que contou com forte protagonismo dos sindicatos e centrais sindicais.
Para o vice-presidente da CTB, Nivaldo Santana, as jornadas de luta e greves recentes têm papel importante no cenário apresentado na pesquisa. “As mobilizações em defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores, as grandes jornadas de luta, com destaque para a maior greve geral do país, em 28 de abril, são fatores essenciais para compreender o aumento da confiança e do respeito na principal organização de massa dos trabalhadores, que são os sindicatos”, avalia Santana.
O levantamento foi realizado entre os dias 13 e 19 de julho, com 2002 pessoas a partir de 16 anos, em 142 municípios do país. Os bombeiros, a Igreja, a Polícia Federal, as Forças Armadas e as escolas públicas ficaram entre as cinco instituições mais confiáveis na avaliação dos brasileiros. Já o presidente da República, os partidos políticos, o Congresso Nacional e o governo federal aparecem nas últimas posições na pesquisa.
A confiança na Presidência da República foi a que apresentou a variação mais expressiva: de 44 pontos em 2014 para 14 neste ano. Em 2009, a presidência aparecia na 5° colocação entre instituições com maior credibilidade e hoje está no 17° lugar – a antepenúltima posição. Confira a pesquisa na íntegra aqui.
FGV
Um outro estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas no final de 2016 também incluiu os sindicatos em uma pesquisa para avaliar a confiança dos brasileiros na Justiça brasileira. No levantamento, as organizações sindicais ficaram com 25% de confiança, antes das redes sociais (twitter/facebook), com 23%, Presidência da República, com 11%, Congresso Nacional, com 10%, e partidos políticos, com 7%.
O Poder Judiciário teve 29% da confiança da população, bem atrás das Forças Armadas, que liderou este ranking com 59% da confiança, da Igreja Católica (57%), imprensa escrita (37%), Ministério Público (36%), grandes empresas (34%) e emissoras de TV(33%).
Foram entrevistadas 1.650 pessoas residentes nas capitais e regiões metropolitanas do Distrito Federal, Amazonas, Bahia, Minas Gerais, Pernambuco, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo durante o primeiro semestre de 2016.
Portal CTB – Foto: Adonis Guerra – Smabc – Arte: Ibope Inteligência
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02.08.17
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CPI confirma que Previdência é superavitária
O balanço parcial dos trabalhos da CPI da Previdência, que realizou 22 audiências no primeiro semestre, reafirmou a inexistência do déficit na Seguridade Social.
“O relatório sobre os trabalhos da CPI aponta, com muita certeza, que a Previdência brasileira não é deficitária, mas sim superavitária. Ele demonstra, por exemplo, que setores do patronato arrecadam por ano cerca de R$ 25 bi em torno do trabalhador e não repassam à Previdência. Isso é um crime”, afirma o presidente da comissão, senador Paulo Paim (PT-RS).Ele voltou a reforçar que é necessário que o governo, grandes bancos e empresas devedoras repassem à Previdência os milhões de reais arrecadados à custa do trabalhador brasileiro.
“O relatório também mostra que há uma dívida acumulada de grandes bancos e empresas, como Itaú, Bradesco, Caixa Econômica, Banco do Brasil, montadoras de automóveis, e a JBS, que ultrapassa mais de R$ 500 bilhões de reais”, destaca.
CPI – A comissão foi instalada no final de abril, por sugestão da Confederação Brasileira de Aposentados, Pensionistas e Idosos (Cobap). O prazo de funcionamento previsto é até 9 de setembro. Porém, o relator da CPI, senador Hélio José (PMDB-DF), já sinalizou que pedirá a prorrogação dos trabalhos, devido ao extenso volume de dados a analisar. A próxima reunião da CPI ocorrerá na primeira semana de agosto.
Mais informações: www.cobap.org.br
Fonte: Agência Sindical
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01.08.17
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CTB Bahia e Frente Brasil Popular convocam vigília em Salvador
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01.08.17
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No Julho das Pretas, cetebistas negras contam suas histórias de enfrentamento ao racismo
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01.08.17
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Novo pedido de prisão de Aécio, enfraquece base de Temer
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01.08.17
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Lava Jato é ainda mais perversa para o emprego do que políticas de Temer
O impacto da Operação Lava Jato e das políticas do governo Michel Temer na economia do país e no crescimento do desemprego é brutal. Quando a Lava Jato foi deflagrada, em março de 2014, o IBGE apontava taxa de desemprego no Brasi de 7,1% no trimestre encerrado naquele mês. Eram 7 milhões de desempregados. Hoje, a taxa no período encerrado em junho chega a 13%, com 13,5 milhões de pessoas sem emprego.
Os dados mostram que, somente na indústria naval, que havia sido recuperada pelos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, o número de trabalhadores empregados caiu de 83 mil, no governo Dilma, para estimados 30 mil.
Apesar dos efeitos claros das políticas do governo Temer, que aprofundam a recessão, os da Lava Jato são ainda mais perversos. “A recessão elimina empregos, mas a empresa permanece. Havendo recuperação, o emprego volta. No caso da Lava Jato, é quase uma perda permanente”, aponta o economista e professor da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Marcio Pochmann.
A forma pela qual se deu a operação comandada em Curitiba não foi de investigar e apurar ilegalidades cometidas por diretorias de empresas e puni-las “na forma da lei”, como aconteceu em vários países desenvolvidos. Entre outros exemplos, Pochmann cita o caso da Volkswagen alemã, na qual foi desbaratado um esquema de fraude em medição de emissões de poluentes. Autoridades e executivos são punidos, mas a empresa fica de pé. No Brasil, com os benefícios das delações premiadas, ocorre o contrário. A Lava Jato destruiu enorme capacidade de investimento das empresas e empreiteiras brasileiras.
O diretor de Relações Internacionais e de Movimentos Sociais da Federação Única dos Petroleiros (FUP), João Antônio de Moraes, calcula que desde o início da Lava Jato a cadeia de gás e petróleo comandada pela Petrobras perdeu cerca de 3 milhões de empregos. A cadeia representava aproximadamente 13% do Produto Interno Bruto do país. Esse percentual hoje se esvaiu, e não se sabe exatamente qual o tamanho da queda.
Segundo Moraes, a Lava Jato causa maiores e mais perversos danos à economia a ao emprego do que o próprio governo Temer. “Porque a Lava Jato fecha os estaleiros, proíbe as empresas brasileiras de disputar licitações e paralisa as obras.”
Crise política
Em 2015, quando os efeitos da Lava Jato já eram concretos, o PIB despencou para 3,8% negativos. Segundo cálculo não apenas do governo na época, mas de economistas e de consultorias, como a 4E Consultoria, do total da queda do PIB naquele período, entre 2 a 2,5 pontos percentuais foram relativos à crise da Petrobras e da cadeia de petróleo e gás.
“Naquele momento, foi feita uma conta em relação à retração de investimento da Petrobras e impacto sobre a cadeia como um todo. Hoje, a situação é mais tensa em termos de empresas e setores afetados direta e indiretamente por conta da crise política. Não só em relação à Petrobras, mas às empreiteiras, com efeitos indiretos sobre o restante da economia”, diz Juan Jensen, sócio da 4E Consultoria.
Tanto a construção naval como o sistema Petrobras e os terceirizados foram atingidos pela crise e as consequências da operação Lava Jato. Entre 2014 (quando se iniciou a Lava Jato de Sérgio Moro) e 2015, os empregos na Petrobras caíram 3%, de 80.908 para 78.470. Na área de terceirizados, a redução foi muito mais significativa, de 46%, reduzindo-se de 291.074 para 158.076. A queda no setor de construção naval no período foi de 82.472 para 57.048, de 30,8%.
Para Pochmann, é fato que, quando Temer assumiu o poder, o país ainda estava em recessão, embora os dados e diversos economistas apontassem que em 2016 a recessão começaria a ser superada. Segundo o IBGE, a taxa de desemprego foi de 11,2% no trimestre encerrado em maio de 2016 (mês em que Dilma foi afastada), com 11,4 milhões de pessoas desocupadas .
“Dilma provocou a recessão, mas a entrada de Temer levou a economia novamente à recessão, comprometeu o segundo semestre e avançou por 2017. O questionamento que se tem é que, quando Temer assumiu, o discurso era de recuperação da economia e retirada do país da recessão, porque, segundo ele, Dilma não tinha condições de resgatar a atividade empresarial e o país recuperaria os investimentos.” Mas não foi o que aconteceu. “Pelo contrário. Temer aproveita a recessão para reconfigurar o capitalismo. Não se trata apenas de uma recessão, é uma mudança na trajetória do capitalismo brasileiro”, diz Pochmann.
Com Temer, está em andamento algo muito mais complexo do que um simples erro de percurso ou opção de política econômica, na opinião do economista. “É uma reconfiguração do capitalismo porque parte do pressuposto de que uma parte da sociedade não deve fazer parte das políticas públicas. Porque há um processo de liquidação de empresas estatais e reformulação do Estado para garantir que a financeirização possa se viabilizar pelos próximos 20 anos”, avalia.
Fonte: RBA
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31.07.17
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Fiscalização do trabalho escravo desaba no Brasil na era Temer
De acordo com informações da Comissão Pastoral da Terra (CPT), a fiscalização de estabelecimentos suspeitos de utilização de mão de obra análoga à escravidão caiu quase 7 vezes nos primeiros seis meses de 2017.
A média da última década é de 300 inspeções anuais. Neste ano foram fiscalizados apenas 44 estabelecimentos. O Sindicato Nacional dos Auditores-Fiscais do Trabalho (Sinait) mostra que essa queda se deve ao brutal corte do orçamento.
Segundo informações do Sinait, estavam previstos R$ 3,2 milhões, mas com os cortes foi destinado apenas R$ 1,4 milhão, menos da metade.
“O corte no orçamento nos colocou num panorama em que, com todas as possibilidades de remanejamento que a secretaria de inspeção do trabalho tem, só se consegue trabalhar até o final do mês que vem”, diz Carlos Silva, presidente do Sinait, ao G1.
Carlos Rogério Nunes, secretário de Políticas Sociais da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), responsabiliza o presidente ilegítimo Michel Temer pela degola na fiscalização ao trabalho escravo.
“É um grave retrocesso nas políticas desenvolvidas nos últimos anos de combate ao trabalho escravo no país, além de ferir a Convenção 81 – sobre a inspeção do trabalho -, da OIT (Organização Internacional do Trabalho). Precisamos refutar veementemente esse corte orçamentário a uma tarefa tão essencial”, diz. Além do que, o Brasil é signatário da Convenção 81.
Frei Xavier Plassat, coordenador da Campanha de Prevenção e Combate ao Trabalho Escravo da CPT, afirma ao Brasil de Fato que “para conseguir fazer essas fiscalizações nos anos passados, o grupo móvel central de Brasília foi auxiliado pela contribuição e participação das superintendências regionais do trabalho, aquelas representações do Ministério do Trabalho dos vários estados, e realizava até 60% das fiscalizações, esse ano elas não realizaram nem 30% porque são ainda mais impactadas pelo corte orçamentário”.
Nunes cita o caso de uma juíza de Santa Catarina que absolveu um fazendeiro que utilizava mão de obra escrava, afirmando que ele estava fazendo um “benefício à sociedade” (leia aqui). Para ele, os impactos desse corte na fiscalização, “possibilitará de uma forma ainda mais abrangente o desrespeito às leis e aos direitos humanos”.
Portal CTB – Marcos Aurélio Ruy. Foto: Brasil 247
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28.07.17
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Prorrogado saque do FGTS para quem comprovar dificuldade em ir às agências
O presidente Michel Temer prorrogou a data limite para saque das contas inativas do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) nos casos em que o beneficiário comprovar a impossibilidade de comparecimento nas agências da Caixa Econômica. O prazo para saque termina na próxima segunda-feira (31). Mas, para quem não puder fazer o saque, terá até 31 de dezembro de 2018 para fazê-lo.
“Nos casos de comprovada impossibilidade de comparecimento pessoal do titular da conta vinculada do FGTS para solicitação de movimentação de valores, o cronograma de atendimento […] não poderá exceder a data de 31 de dezembro de 2018, conforme estabelecido pelo Agente Operador do FGTS”, diz o decreto assinado na noite de hoje (26) pelo presidente. O documento, entretanto, não detalha quais casos serão considerados impedimentos e quais serão os critérios de comprovação.
Segundo a Caixa Econômica Federal, o montante pago até o dia 19 de julho equivalia a 98,33% do total inicialmente disponível para saque (R$ 43,6 bilhões). O número de trabalhadores que sacaram os recursos das contas do FGTS representa 83,73% das 30,2 milhões de pessoas inicialmente beneficiadas pela medida.
Nesta etapa do calendário de pagamentos, o saque está liberado para todos os trabalhadores que têm direito ao benefício, não importa a data de nascimento. Pode fazer o saque quem teve contrato de trabalho encerrado sem justa causa até 31 de dezembro de 2015. Os trabalhadores podem consultar o saldo a receber na página da Caixa. Outra opção é o Serviço de Atendimento ao Cliente pelo 0800 726 2017.
Fonte: Agência Brasil
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27.07.17
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Campanha da CTB reforça luta em defesa do emprego e da indústria
No mês de julho, a Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB) lançou campanha e manifesto em defesa da indústria nacional, do emprego e da retomada do crescimento econômico. O objetivo é mobilizar toda a sua base contra o processo de desindustrialização, que tem ampliado o desemprego e brecado o avanço do país.
“A proposta é unificar sua base, sobretudo os setores mais afetados, em torno de uma nova agenda política e econômica, que denuncie o desmonte do Estado Nacional, a ofensiva contra a classe trabalhadora e o projeto entreguista liderado pela gestão de Michel Temer”, afirmou o presidente nacional da CTB, Adilson Araújo, ao explicar os objetivos da ação.
Como vai funcionar?
A campanha visual atuará nas ruas e nas redes com a produção de cartazes, adesivos, folders, vídeos, spots de rádio, outdoor e identidade para redes sociais com objetivo de reforçar a agenda e ampliar a frente de defesa em torno do manifesto.
As entidades interessadas podem firmar parceria e inserir sua marca na campanha. Para mais informações, escreva para presidencia@portalctb.org.br.
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27.07.17
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Unida diante do golpe, esquerda agora precisa dominar as ruas para ter força em 2018
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27.07.17
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14ª Jornada Nacional de Debates discutirá a reforma trabalhista
O Dieese, em parceria com as centrais sindicais, promove a 14ª Jornada Nacional de Debates. A atividade ocorrerá em vários estados do Brasil e irar debater a reforma trabalhista.
O encontro tem como objetivo ajudar o movimento sindical a enfrentar o cenário adverso das negociações, buscando alternativas após mudanças na legislação trabalhista.
Em Salvador será realizado no dia 4 de agosto, no Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente da Bahia (Sindae), no bairro dos Barris.
A atividade será aberta ao público, para participar deverá confirmar presença até o de 3 de agosto pelo e-mail: marialuiza@dieese.com.br.
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Domingo tem ato político cultural no subúrbio de Salvador
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26.07.17
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Para sindicalista, PDV de servidores do Executivo é medida para desviar atenção
A medida provisória que o governo Michel Temer deve publicar nos próximos dias, com um plano de demissão voluntária (PDV) de servidores públicos do Poder Executivo Federal, previsto para ser implementado pelo Ministério do Planejamento, é encarada pela Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) como contraditória e de muito pouco impacto real para o próprio governo. Além disso, tem um caráter “propagandístico” e político.
“O governo quer fazer a reforma da Previdência dizendo que não tem dinheiro e vai demitir alguns dos melhores contribuintes. A proposta é economicamente sem justificativa e politicamente parece medida de fachada, para criar efeito positivo em alguns setores, dizendo que está reduzindo despesas públicas”, diz o diretor do Condsef Valter Cezar Dias Figueiredo. A confederação representa mais de 500 mil funcionários.
O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou que a expectativa do governo é de que, com o PDV, o governo possa demitir cerca de 5 mil servidores.
A economia prevista com o plano é de R$ 1 bilhão. Considerando que o governo vai gastar com a folha de pagamentos, este ano, R$ 284 bilhões, uma economia de R$ 1 bilhão (ou 0,35%) é irrelevante. A iniciativa está mais para o jogo político, com a intenção de desviar a atenção para os problemas do próprio governo e do impacto altamente negativo, na opinião pública, do aumento dos impostos que elevou o preço de gasolina, de acordo com o diretor da Condsef.
Para Figueiredo, o governo tem a intenção de satisfazer setores “da direita” que defendem os “efeitos positivos da demissão de funcionários públicos”. “A intenção política é essa, mas também desviar a atenção da crise do governo com esses pedidos de impeachment contra Temer e as denúncias. E dilui essa questão do aumento do imposto e da gasolina”, acredita o sindicalista. “Disseram que não iam aumentar imposto. Agora está aí a Fiesp e os empresários que o apoiaram ameaçando de novo com o pato amarelo.”
Ele afirma que a entidade é contra PDV num momento de crise e desemprego. “O governo diz que faz reformas para gerar emprego, mas incentiva o desemprego com o discurso de reduzir o gasto público.”
Ele lembra que o governo Fernando Henrique fez um programa semelhante em 1996 sem resultados importantes. “FHC já fez e não surtiu efeitos. Passou longe. Ele queria a demissão de 40 mil e conseguiu só 5 mil pessoas.” Afirma também que uma análise mais aprofundada da medida só poderá ser feita com a publicação da medida provisória e seu conteúdo. “Tem que esperar. Não dá para confiar nesse governo, porque pela manhã ele fala uma coisa, e à noite fala outra.”
A iniciativa do governo prevê que cada funcionário que aderir ao plano vai receber 1,25 salário para cada ano trabalhado. O governo estaria elaborando também proposta de uma jornada de trabalho reduzida, pela qual o funcionário possa optar por jornadas de seis horas diárias e 30 horas semanais ou de quatro horas diárias e 20 semanais.
O vice-líder do governo na Câmara, deputado federal Darcísio Perondi (PMDB-RS), defendeu a medida, que é “para começar a reduzir o peso da folha, que é assustador”, segundo a Agência Brasil. A justificativa do parlamentar é de que a reforma da Previdência está parada e, por isso, o governo precisa de outra alternativa.
Fonte: RBA
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Nova regra para demissão reduz proteção ao trabalhador e limita ação de sindicatos
Alterações nas rescisões de contratos de trabalho previstas na reforma trabalhista limitam a atuação dos sindicatos e devem reduzir a proteção aos trabalhadores. Segundo o supervisor técnico do escritório regional do Dieese em São Paulo, Victor Pagani, o fim da obrigatoriedade da homologação de rescisões pelo sindicato da categoria ou pela unidade do Ministério do Trabalho, deixará o empregado desprotegido, sem poder contar com a assistência de um especialista na conferência dos cálculos das verbas devidas no momento do rompimento do contrato.
Ainda mais grave, avalia Pagani, é que a nova lei cria um termo de quitação anual das obrigações trabalhistas. Ou seja, a cada ano o trabalhador poderá ser forçado pelo empregador a dar um “de acordo” em suas condições de emprego e trabalho, dificultando ainda mais a possibilidade de acionar a Justiça do Trabalho em decorrência de violações de direitos nos exercício do contrato de trabalho. Nesse caso, a única exigência é que o documento seja firmado perante o sindicato da categoria.
Para Pagani, esse termo de quitação “pode acabar virando uma forma de legalização da fraude”. Em entrevista à Rádio Brasil Atual nesta terça-feira (25), o supervisor do Dieese observa que não são poucas as empresas que descumprem os direitos dos trabalhadores, e o fazem, muitas vezes, de maneira intencional e deliberada. Segundo ele, empresários podem tirar proveito do receio do trabalhador de perder o emprego para coagi-los a assinar documento abrindo mão de direitos.
A regra que estabelece a quitação total de débitos trabalhistas nos chamados programas de demissão voluntária (PDVs) ou incentivadas (PDIs) também é preocupante. Com ela, firmada a adesão ao programa, o trabalhador não poderá requerer, na Justiça, débitos pendentes.
O pretexto de estimular a negociação entre trabalhadores e empresários, segundo o especialista, é desmontado com por esses e outros aspectos da nova legislação. Por exemplo, as empresas se desobrigarem de realizar negociações prévias com sindicatos em casos de demissões coletivas.
Fonte: RBA
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CTB publica nota técnica sobre os impactos da crise na indústria e o desemprego no Brasil
A CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) lança nota técnica e avalia os impactos da crise na indústria e o avanço do desemprego. No documento, que foi produzido pelo pesquisador e cientista social, Ronaldo Carmona, também indica caminhos para a retomada do crescimento, com o fortalecimento do parque produtivo nacional, com geração de emprego e distribuição da renda.
“Aos trabalhadores e trabalhadoras interessa enormemente retomar a indústria nacional como vértice de nosso desenvolvimento. Para tanto, estabelecer alianças com esse compromisso será fundamental para percorrer um caminho virtuoso que dê conta dos desafios impostos ao país nesta etapa”, defende o estudo.
De acordo com a nota, as “transformações na base produtiva apresentam questões de fundo para os trabalhadores, tais como, (a) alterações no próprio perfil da classe operária, que passa a necessitar de maior nível de escolarização e renda relativamente mais elevada, com efeitos sobre sua própria identidade e sentimento de pertencimento à classe; (b) efeitos extraordinários sobre a produtividade do trabalho, derivando numa expressa diminuição quantitativa do proletariado industrial e sua sofisticação”.
Ao comentar a iniciativa de elaborar uma nota técnica sobre o tema, o presidente d CTB, Adilson Araújo, destacou que “diante das amargas estatísticas, da avalanche de perdas de direitos, do desemprego alarmante e do sucateamento do parque produtivo nacional, a Central não só empenha esforços em entender essa realidade como também investirá pesado numa campanha nacional em defesa da indústria nacional, do emprego e da retomada do crescimento econômico, com geração de emprego e distribuição de renda”.
Ele destaca que a proposta é unificar amplos setores – sociais, políticos e do mundo do trabalho – em torno de uma nova agenda política e econômica, que denuncie o desmonte do Estado Nacional, a ofensiva contra a classe trabalhadora e o projeto entreguista liderado pela gestão de Michel Temer.
Leia íntegra do estudo:
Nota Técnica CTB
A crise na Indústria e os trabalhadores.
Superar a crise tendo a reindustrialização como vértice de um novo projeto nacional de desenvolvimento com valorização da produção e do trabalho.
Ronaldo Carmona[1]
Julho de 2017
Numa verdadeira epopeia da nação e da nacionalidade, o ciclo longo nacional-desenvolvimentista, teve como resultado a transformação do Brasil numa nação industrial. Nessa grande transformação da base material do poder nacional, entre 1947 e 1980, o PIB brasileiro cresceu em média 7% ao ano, numa arrancada praticamente sem paralelo na história contemporânea, apenas igualável ao feito chinês, que ocorre desde 1978, em outras condições.
O ciclo desenvolvimentista[2] foi produto de um consenso nacional, representado pela busca da industrialização como ideia-força mobilizadora das energias dos brasileiros e do Estado nacional, resultando num imenso e exitoso esforço.
Há quase quatro décadas, contudo, o Brasil vive um período de semi estagnação na geração de riquezas: medido em termos per capital, o PIB brasileiro, entre 1981 e 2014, cresceu menos que 1% (a média de 0,94%), contra cerca de 4% ao ano, em média, entre 1930 e 1980.
Esta longa semi estagnação conheceu exceção relativamente virtuosa num breve ciclo entre 2005-2010, sob a presidência de Lula, em grande medida, segundo certo consenso entre os analistas – heterodoxos ou ortodoxos –, devido a fatores preponderantemente externos – o boom no preço das commodities, que, ao lado de opções de política econômica de então, permitiram a existência de um modelo de crescimento baseado na demanda (consumo).
Desde o 2º trimestre de 2014, entretanto, segundo os dados do IBGE, o Brasil encontra-se em recessão.
A longa semi estagnação que ocorre desde o fim do ciclo nacional-desenvolvimentista, apresenta uma brutal queda da participação da Indústria de transformação no PIB: desde 1985, quando atinge 21,6% do PIB, seu auge, ocorre uma regressão profunda na estrutura produtiva brasileira, que em 2014 chega a 11,4%, mesmo patamar de 1947. Há analistas que veem indicações que hoje, o número já poderia mostrar uma participação inferior a um digito, numa regressão aos índices do início do esforço industrializante (Revolução de 1930) e talvez similar ao início do século XX, quando o país ainda era uma nação predominantemente agrária, dependente das exportações de café.
A primarização da pauta de exportações brasileiras, aliás, mostra seus números na queda da participação das manufaturas em seu total, que recuou de 59% em 2000 para 39% em 2013. A participação brasileira nas exportações mundiais de manufatura recuaram de 0,82% para 0,59%, entre 2003 e 2014.
A presente Nota Técnica, produzida a pedido da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), além desta breve introdução, buscará apresentar as características estruturais e conjunturais do processo de desindustrialização brasileira e discutirá medidas não apenas para reverte-la, mas para impulsionar um novo ciclo de reindustrialização nacional, isto é, de aumento da participação relativa da Indústria como proporção do PIB. Para tanto, seguiremos o seguinte roteiro:
(1) breve apresentação da história da luta pela industrialização no Brasil (do Brasil independente ao longo ciclo nacional-desenvolvimentista);
(2) discussão sobre porque a Indústria permanece sendo determinante para o desenvolvimento das Nações, com base, (1) na literatura econômica e (2) num breve exame das tendências contemporâneas da Indústria e das políticas industriais no mundo;
(3) apresentação de dados mais recentes, sobre a grave crise brasileira sob a perspectiva da Indústria, para situar aonde estamos hoje;
(4) discussão sobre o período mais recente, relacionado a última etapa da desindustrialização brasileira e as tentativas de contê-la, via experiências de política industrial e de ciência, tecnologia e inovação nos governos Lula e Dilma, o fracasso/sabotagem do experimento desenvolvimentista e o aparecimento do governo Temer, abertamente hostil a produção e ao trabalho;
(5) Por fim, defenderemos uma estratégia de re-industrialização nacional.
***
1) A luta pela industrialização no Brasil (dos debates do século XIX ao longo ciclo nacional-desenvolvimentista)
Como dissemos na introdução deste trabalho, a experiência brasileira de industrialização, seu histórico, é singular no mundo, empreendendo esforço que é paradigma na literatura sobre o desenvolvimento econômico.
Afinal, como não observar a transformação de um país agrário-exportador para uma das grandes economias industriais do mundo a partir dos “50 anos” de nacional-desenvolvimentismo deflagrados com a revolução de 1930? Sim, o Brasil durante boa parte do século XX, cresceu a “taxas chinesas”, revolucionando sua base material, e permitindo se situar entre as grandes economias do mundo.
A consciência desta rica trajetória, dos esforços empreendidos para realizá-la, é fundamental sobretudo para que as gerações atuais tenham consciência da necessidade de preservar e mesmo ampliar a condição da Indústria como vetor chave do desenvolvimento nacional[3].
No caso brasileiro, a luta pela industrialização é histórica e vem das origens de nossa construção nacional. Rigorosamente, podemos situá-la antes da própria independência, nas ações visionárias do Marques de Pombal, grande estadista modernizador português, em favor do dinamismo econômico dos domínios ultramarinos.
Efetivamente, a primeira tentativa para se promover a industrialização no Brasil datam do início do século XIX, a partir do inédito fato na historiografia mundial, a transferência da sede do vasto império mundial português ao Rio de Janeiro em 1808.
Sendo sede da coroa portuguesa, outro homem de visão alargada, D. Rodrigo de Sousa Coutinho, o Conde de Linhares, conselheiro do príncipe regente, argumentou em defesa da Indústria, tendo em vista que em sua opinião Portugal, não apenas formalmente mas de fato, não mais constituía o centro da monarquia português, ao passo que no Brasil se constituía “a possibilidade de criar um poderoso império”.
Com o alvará de 28 de abril de 1809, o príncipe regente D. João VI propõe inaugurar a era industrial no Brasil, concedendo a isenção de direitos aduaneiros às matérias-primas necessárias às fabricas nacionais, isenção de imposto de exportação para os produtos manufaturados do país e utilização de produtos nacionais para o fardamento das tropas reais. Esta pode ser considerada a primeira legislação pró-Indústria, num Brasil todavia não emancipado, mas reino unido a Portugal.
Além disso, este alvará de Dom João VI concedia privilégios exclusivos, por 14 anos, aos inventores ou introdutores de novas máquinas, no que, em linguagem contemporânea, foi a primeira política industrial inspirada em princípios inovativos concebida no Brasil. Adicionalmente, o mesmo alvará determinava a distribuição anual de 60 mil cruzados, produto de uma loteria do Estado, “às manufaturas que necessitassem de auxílio, particularmente as de lã, algodão, seda, ferro e aço” (Vilela Luz, 1975).
A decisão de Dom João VI anulava alvará de autoria de sua mãe, Dona Maria “a louca”, de 1785, que proibia a produção de manufaturas no Brasil e também, na prática, contraditava medida dele próprio, quem em janeiro de 1808, lançava o decreto de abertura dos portos às nações amigas, em algo que é lido pela historiografia como uma retribuição à proteção inglesa à transferência da Corte ao Brasil, após a ocupação de Portugal pelas tropas napoleônicas. Essa dependência, aliás, já manifestara no acordo de 1703 – o Tratado de Methuen – no qual Portugal aceitava comprar exclusivamente da Inglaterra produtos manufaturados, obrigando-se também a não produzir nenhum produto industrial, quer na metrópole, quer nas colônias. Daí a importância histórica, fundadora, para a decisão brasileira de iniciar sua industrialização, no alvará de abril de 1809.
Na transição para a Independência, destaca-se o papel de José Bonifácio de Andrada e Silva – o libertador do Brasil –, quem, através de sucessivos escritos, defendeu a Indústria no Brasil como forma de consolidação da unidade nacional. Cabe observar, por exemplo, suas instruções aos deputados paulistas que viajaram às cortes de Lisboa, no momento imediatamente anterior à Independência. Autor de projeto avançado e progressista, em grande medida até hoje atual, José Bonifácio seria apeado do poder por meio de uma conspiração agrário-escravocrata.
Marco importante na organização dos defensores da industrialização brasileira, é a fundação, em 1828, da SAIN, Sociedade Auxiliadora da Industria Nacional.
A chamada Tarifa Alves Branco, de 1844, que estabeleceu algumas medidas visando proteger a Indústria brasileira nascente, foi o próximo passo na longa luta pela manufatura, pois “entusiasmou empresários pioneiros, que entraram na segunda metade do século 19 considerando-se prontos para atender ao mercado consumidor e fornecedor de matérias-primas” (CNI/Firjan, 2008).
O ministro Manuel Alves Branco, que ocupou o ministério da Fazenda em quatro oportunidades entre 1839 e 1848, dizia que “uma Nação não pode fundar todas as suas esperanças na lavoura, na produção de matérias brutas, nos mercados estrangeiros”. É tido como um seguidor das ideias de Alexander Hamilton, que no seu clássico Relatório sobre as manufaturas(1791), forneceu a base de ideias que permitiu a industrialização norte-americana – base para este país, no século XX, ascender a condição de principal potência mundial.
No mesmo período, não se pode deixar de ressaltar a importância de iniciativas pioneiras de homens com olhos no futuro, caso marcadamente de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá.
O ano de 1881 marca o surgimento da Associação Industrial, “um divisor de águas na institucionalização da luta pela industrialização nacional” (Carrasco/Lino, 2009).
A virada do século já encontraria o Brasil com uma incipiente industrialização, ainda que a atividade amplamente dominante fosse a agrícola, especialmente a da exportação de café. O censo de 1907, por exemplo, indica a existência de 2.988 industrias e 136 mil trabalhadores.
Este período foi precedido, na transição entre a Monarquia e a República, pelo chamado Encilhamento (1890-1891), política econômica que beneficiara indiretamente a Indústria.
O ministro Rui Barbosa, figura mais destacada deste período, defendia que “a República só se consolidará entre nós sobre alicerces seguros, quando as suas funções se firmarem na democracia do trabalho industrial”. Rui Barbosa, no entendo, foi sucedido por Joaquim Murtinho, um radical liberal opositor da industrialização nacional no governo Campos Salles (1898-1902), auge do atraso da República Velha.
Mas foi com a Revolução de 1930, com a subida ao poder do presidente Getúlio Vargas que marcou o início do período de Industrialização nacional, que passa a ser, efetivamente, um prioridade nacional. Em especial, a participação do Exército brasileiro na segunda grande guerra faz surgir condições para que o país constituísse uma grande e moderna siderurgia que produzisse o aço necessário a um parque industrial que crescia e diversificava.
Os anos 1940 marcaram debate ideológico chave para o êxito da ideia de industrialização nacional, no episódio que ficou marcado como a controvérsia Simonsen – Gudin. Seus protagonistas, de um lado Roberto Simonsen, convicto industrialista e de outro, Eugenio Gudin, liberal e defensor da manutenção da agricultura como atividade econômica principal, travaram embate, por meio de relatórios, que foi determinante para o êxito do ciclo desenvolvimentista.
O segundo governo Vargas marcou a criação de dois novos instrumentos icônicos para o ciclo de industrialização brasileira: o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico (BNDE, atual BNDES), em 1952, e a Petrobras, em 1953. Vargas, neste segundo mandato, contava ainda com uma assessoria econômica de alto nível, formada por figuras próceres na defesa do desenvolvimento brasileiro – a começar de Inácio Rangel –, que deixaria marcas no debate sobre o projeto nacional.
A seguir, no Plano de Metas levado a cabo pelo presidente Juscelino Kubitschek, em 1956, se destaca, como um de seus vetores, a busca de desenvolver a Indústria de Base no Brasil. Inúmeras novas e grandes fabricas são inauguradas no período e empresas multinacionais, como as automobilísticas, começam a instalar-se no Brasil – caso da fábrica da Volkswagen, em São Bernardo do Campo, em 1957. Visionário quanto ao desafio da integração nacional, JK também cria a Zona Franca de Manaus, outro marco da história da Industrialização brasileira, que efetivamente começaria a funcionar em 1967.
O período dos governos militares, especificamente quanto a economia, foi, após curta experiência liberal em seu início, francamente ativo na promoção do desenvolvimento econômico via industrialização – foi a época que é conhecida como milagre econômico, onde as taxas de crescimento industrial superaram, no auge, a casa de um digito.
A crise mundial de 1973 força a uma desaceleração da economia; mas o novo presidente, General Ernesto Geisel, não aceita este vaticínio e opta por uma outra saída da crise, lançando, em 1975, o II PND (Plano Nacional de Desenvolvimento) – outro momento simbólico na história da industrialização da nação. Com o II PND – evento que marcaria, pode-se dizer, o encerramento do ciclo longo desenvolvimentista –, ocorre um novo surto de industrialização no país, sobretudo das industrias básicas, além de fortes investimentos em energia, inclusive como forma de diminuir a dependência do petróleo, deflagrador da crise mundial de 1973.
O iniciar dos anos 1980 entretanto, inaugurariam duas décadas perdidas, pondo fim a grande saga industrialista do Brasil; desde 1985, como dissemos, a participação da Indústria no PIB declina.
Em síntese, ao analisar nossa longa história de luta pela industrialização, é preciso tirar lições, na qual veremos uma disjuntiva que se apresenta todavia atual. Como afirmam Carrasco Bauza e Luis Lino (2009:281),
“Desde que o Brasil se tornou independente de Portugal, em 1822, os ensinamentos do Sistema Americano de economia política, elaborado por Alexander Hamilton, Mathew e Henry Carey, Friedrich List e outros autores[4], estiveram no centro de uma contenda travada entre as duas facções que disputavam a primazia de direcionar o futuro do país.
De um lado, estava o grupo de ‘industrialistas nacionalistas’, que, embora precariamente organizado em grande parte do tempo, tinha o propósito de utilizar a expansão das manufaturas como móvel de um processo de modernização nacional.
Do outro, alinhava-se uma casta de terratenentes, rentistas, especuladores e intermediários comerciais, cujo ‘projeto de vida’ se limitava à apropriação dos excedentes de capital disponíveis para aplicação em bens de raiz, terras e outras atividades que lhe permitissem ‘viver de rendas’”.
Qualquer semelhança com a realidade de nossos dias, como veremos, não é mera coincidência.
2) Porque a Industria permanece sendo determinante para o desenvolvimento das Nações? Notas teóricas e contemporâneas.
Nesta sessão, vamos buscar responder a questão acima a partir de autores clássicos do debate sobre o desenvolvimento, bem como pelo exame das tendências contemporâneas quanto ao debate sobre relação entre Indústria e desenvolvimento no mundo.
A Indústria, especialmente a manufatura voltada a transformação, segue na atual quadra do debate sobre o desenvolvimento econômico, fator principal de riqueza das Nações. Afinal, grande parte do argumento teórico que fundamentou a necessidade de industrialização como caminho para a prosperidade e riqueza nacional continua essencialmente válido. A literatura econômica apresenta a relevância da manufatura como base para aumentar renda per capita, pois, de seu desenvolvimento, decorre a elevação da produtividade média da economia derivado do direcionamento da produção para os setores que geram maior valor adicionado (produtos mais complexos).
Autores como Rosentein-Rodan (1943), Prebisch (1949), Lewis (1954) e Furtado (1961) estão entre os pioneiros a apontar a relevância da manufatura no processo de desenvolvimento. Afinal, é nesse setor que ocorrem as inovações tecnológicas que possibilitarão a produção de bens mais sofisticados, a mudança estrutural e o avanço da produtividade entre setores da economia que elevarão a renda per capita da economia.
Podemos observar três argumentos fundamentais sobre os efeitos potenciais à economia relacionados ao peso relativo do setor de manufatura:
– efeitos na produtividade devido ao efeito composição. Trata-se de “mudança no nível de produtividade de uma economia provocada pelo deslocamento de trabalhadores entre os setores que apresentam diferentes índices de produtividade de mão de obra”. Ou seja, com a industrialização, migram trabalhadores de setores básicos da economia – como a agricultura e os serviços tradicionais – para as fabricas, gerando enormes ganhos de produtividade e, a partir disto, da renda nacional e do trabalho. Empregos mais qualificados é resultado bastante visível do aumento da presença da Industria na economia;
– efeitos de dinamismo econômico relacionado ao encadeamento entre os setores. Argumento “com vida longa entre os estruturalistas, como Albert Hirschman”, “enxerga nas manufaturas a virtude de demandar muitos insumos de outros setores, dinamizando desta forma a economia como um todo”. Exemplo “é o setor automobilístico, cuja atividade puxa consigo os segmentos de autopeça, aço, borracha, plásticos, etc.”. Ou seja, a capacidade que a produção de um determinado bem industrial tem em mobilizar e estruturar uma cadeia produtiva de fornecedores de outros bens e insumos tem efeito dinamizador sobre toda a economia.
– Por fim, destacam as externalidades de uma economia de aglomeração (formação de cluster) associadas à atividade de P&D (pesquisa e desenvolvimento). A “economia do conhecimento”, cujo exemplo mais emblemático é o vale do Silício, “é caracterizada pelo extraordinário dinamismo em termos de inovação e tecnologia, com transbordamentos que escapam à apropriação individual pelas empresas. Como tal, configura-se num caso típico em que o estimulo da política pública se justifica em termos de eficiência econômica”. Assim, “as externalidades de P&D em economias de aglomeração são um dos poucos consensos no debate entre ortodoxos e heterodoxos sobre política industrial. É argumento valido, com copiosas evidencias empíricas”. Trata-se aqui dos amplos efeitos que a industrialização tem, se realizada numa escala ampla, sobre a elaboração de novos produtos e processos (inovação), que é o fator de maior dinamização de uma economia[5].
Estes são, resumidamente, alguns dos argumentos, clássicos e atuais, sobre a alta relevância da importância de uma nação ter na indústria a base de sua atividade econômica.
Ao mesmo tempo, as políticas contemporâneas das grandes nações industriais – China, EUA e Alemanha -, mostram que estes países seguem tendo na manufatura vértice do seu desenvolvimento.
Duas recentes Cartas do IEDI (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial)[6], mostram que “há uma grande atividade nas políticas industriais ao redor do mundo no presente momento”. Segundo os relatórios, “nos principais países inovadores da OCDE, como Alemanha, Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão, ocorreram várias iniciativas de integração das estratégias nacionais de inovação nos programas de competitividade e de política industrial. Nas principais economias emergentes, o potencial de contribuição da pesquisa e inovação para o crescimento econômico e produtividade também tem sido enfatizado nos programas nacionais”.
A intensificação das transformações produtivas e tecnológicas, pela busca de uma nova revolução tecno-científica, é – ao lado de sua manifestação antípoda, a financeirização –marca do capitalismo contemporâneo.
Foi, por exemplo, como tema principal da edição 2016 do Fórum de Davos, o grande conclave anual da burguesia em escala global, sob o tema quarta revolução industrial – um tema que crescentemente vai se tornando dominante no debate sobre o futuro do desenvolvimento afeito a esfera da produção;
Como diagnosticado ainda no século XIX por Karl Marx, o capitalismo parece acelerar cada vez mais a expansão das forças produtivas, e vai encurtando os intervalos entre suas grandes inflexões que são as revoluções industriais.
A primeira revolução industrial, ainda no século XIX com o aparecimento da máquina a vapor, viu transcorrer várias décadas para a eclosão da segunda, com o advento da eletricidade e de linhas de produção mais estruturadas.
Já entre a terceira revolução industrial – fase da eletrônica e da robótica –, observou curto intervalo de poucas décadas até a eclosão da atual quarta revolução industrial, que se impõe poucas décadas depois da que a precedeu, combinando fatores como a digitalização da produção, a internet “das coisas” (dos objetos), a “big data”, a biotecnologia, a nanotecnologia e os novos materiais.
As aceleradas transformações na base produtiva apresentam questões de fundo para os trabalhadores, tais como,
(a) alterações no próprio perfil da classe operária, que passa a necessitar de maior nível de escolarização e renda relativamente mais elevada, com efeitos sobre sua própria identidade e sentimento de pertencimento à classe;
(b) efeitos extraordinários sobre a produtividade do trabalho, derivando numa expressa diminuição quantitativa do proletariado industrial e sua sofisticação.
Mais que nunca se imporá, na fase atual de desenvolvimento do capitalismo, o princípio marxista a respeito da dinâmica deste sistema segundo o qual as relações de produção são condicionadas pelo desenvolvimento das forças produtivas; noutras palavras, as possibilidade de aprimorar a qualidade do trabalho social, gerando excedentes, com mais tempo livre para outras atividades humanas nobres, como o estudo ou o convívio social – que passam a ser permitidas pelo desenvolvimento acelerado das forças produtivas – serão travadas pela lógica intrínseca ao capitalismo.
Hoje, como ontem, não cabe atitudes voluntaristas como fizeram os ludistas na Inglaterra por ocasião da eclosão da primeira revolução industrial.
O inimigo dos trabalhadores jamais será a máquina ou a tecnologia; ao contrário, a evolução da forças produtivas, tendencialmente permitirá aumento do tempo livre e maior qualidade de vida, se realizada sobre novas relações de produção.
Para os trabalhadores, a evolução do capitalismo, fortalece, como necessidade civilizatória, sua superação a sistema social superior, o socialismo.
O fato é que a chamada quarta revolução industrial vai se impondo como estratégia de desenvolvimento fundamental em grandes países. A indústria segue sendo fator por excelência para o desenvolvimento.
Os Estados Unidos levaram adiante no período Obama a política de manufatura avançada, como forma de recomposição industrial do país e agora, com Trump, fala-se em “renascimento da manufatura”. A Alemanha, coração industrial da Europa, desenvolve iniciativa denominada Indústria 4.0. A China, no contexto de ajustes em seu modelo de desenvolvimento, lançou a iniciativa Made in China 2025, buscando acelerar o desenvolvimento de cadeias produtivas de maior dinamismo em inovação.
Ou seja, a Industria, continua sendo vetor constitutivo da estratégia de desenvolvimento das principais economias mundiais, a começar das três maiores: Estados Unidos, China e Alemanha. Os principais programas em curso, assim, referem-se ao que se convencionou chamar, como dissemos, de quarta revolução industrial.
Apresentando distintos nomes – digitalização e indústria 4.0 na Alemanha, manufatura avançada nos Estados Unidos ou na China -, representam a integração de sistemas ciber-fisícos, com alto nível de robotização e automação, resultando em nova revolução na produtividade[7] – como aliás, foram características das “revoluções industriais” que precederam o movimento atual.
3) A recente desindustrialização brasileira e a experiências recentes de Política Industrial.
Nos últimos doze anos, o país observou a apresentação de três versões de política industrial: a PITCE (Política Industrial e de Comércio Exterior), de 2004, a Política de Desenvolvimento Produtivo (PDP), de 2008, e o Plano Brasil Maior, de 2011.
Estas iniciativas de política industrial tiveram grande mérito, impedindo um retrocesso mais precoce e agudo, sobretudo tendo em vista o apagão neoliberal dos anos 1990 e início do 2000, na qual inclusive se teorizava sobre a inconveniência da Indústria como vetor central da riqueza nacional – a exemplo do que faziam os fazendeiros na República Velha, antes de movimento industrialista iniciado com a revolução de 1930.
Mas as tentativas de política industrial dos últimos três períodos de governo colidiram frontalmente com a macroeconomia.
O fato é que a regressão industrial nos últimos 20 anos está diretamente ligada ao pacto nacional vigente desde 1994: a partir do Plano Real – vai-se duas décadas –, define-se que o centro da política econômica é a manutenção da estabilidade de preços, mesmo que a custa do crescimento e da Indústria.
A combinação de câmbio sobrevalorizado e as taxas de juros “mais altas do mundo” conferiram nas últimas duas décadas, uma política econômica anti-Indústria, neutralizando – essencialmente –, as positivas iniciativas de política industrial. Incrivelmente, somos um país que tem meta de inflação e meta de superávit, mas não meta de crescimento ou de capacidade industrial.
A presidente Dilma buscou enfrentar estas questões: no primeiro mandato, derrubou as taxas de juros a patamares civilizados (atingindo 7,25% a.a., com juros reais de cerca de 2% em outubro de 2012). Nesse caso, entretanto, a reação de setores vinculados ao rentismo e ao capital financeiro internacional foi tão forte que forçou sua reversão.
Podemos dizer que o trauma inflacionário dos anos 1980 e do início dos anos 1990, parecem ter feito a sociedade aceitar uma lógica perversa: em nome da estabilidade de preços, aceita-se um arcabouço macroeconômico que leva à desindustrialização.
Não é aceitável um sociedade conviver com taxas de juros mais altas do mundo durante décadas. É sinal de patologia econômica grave e de captura por interesses rentistas espúrios.
Como diz Oreiro (2015), “a taxa Selic representa a taxa de retorno da aplicação financeira livre de risco no Brasil”. Se tivermos uma taxa real de na casa de 4 a 5%, resulta que “em poucos lugares do mundo uma aplicação livre de risco gera uma taxa de retorno tão alta”. Com isso, “os empresários só estarão dispostos a realizar aqueles projetos de investimentos cuja taxa de retorno supere a taxa de juros livre de risco por uma elevada margem (essa margem é o que se conhece como prêmio de risco)”. Lacerda e Loures (2015), observam que, no caso brasileiro, os títulos da dívida pública oferecem “liquidez imediata, razoável nível de segurança e elevada rentabilidade”.
Em síntese, não há investimento legal, de maior rentabilidade que a dívida pública brasileira.
As elevadas taxas de juros brasileira na crise atual, aliás, tem aprofundado tal fenômeno. Como se viu em recente estudo encomendando por um jornal (Folha de S.Paulo, 02/07, p.A18), “os números mostram que o setor privado está poupando como nunca, mas a maior parte dos recursos tem servido para financiar o governo em vez de investimentos produtivos”.
Afinal, “os juros pagos para financiar a dívida pública garantem retorno superior às possibilidades oferecidas às empresas por outras opções de investimentos (…) dos recursos totais captados pelo sistema bancário, nada menos que 72% são destinados exclusivamente ao financiamento do setor público”. A anomalia é tal, que vozes dissonantes começam a aparecer inclusive no seio da corrente monetarista[8].
Mas a questão está longe de ser simples. Amplos e poderosos estratos altos e médio da sociedade brasileira se revelam viciados nessa lógica de auferir o fundamental de seus ganhos pela renda financeira. Não por acaso, trabalhos importantes de balanço dos motivos que levaram ao impeachment de Dilma, diagnosticam que o impulso inicial veio ao cutucar onça com varas curtas[9].
Cabe identificar aqui um outra questão curiosa, como argumentou recentemente um analista estrangeiro: “a direita do Brasil gosta de se queixar dos impostos, mas não parece ter problemas com o maior e mais economicamente destrutivo deles: os juros exorbitantes que os brasileiros pagam sobre sua dívida pública”. Lembra o analista que em 2016, cerca de 7,6% do PIB foi gasto com o pagamento de juros sobre a dívida. Assim, “trata-se, de um total de 183 país, da quarta mais alta carga de juros sobre a dívida pública”, similar a um país em guerra civil (Iêmen)[10].
Em outras palavras: com uma mão paga-se “x” em impostos e com outra se recebe “x-plus” em dividendos das aplicações em juros.
O custo fiscal disto é dramático. Para se ter uma ideia, apenas os modestos cortes de 4 p.p. nas taxas de juros no último ano, reduzindo-a de 14,25% para 10,25%, representam uma redução de R$ 100 bilhões em relação aos gastos com a dívida pública em 2015[11], já que as “despesa da União com o pagamento de juros da dívida deve chegar a R$ 402,2 bilhões, quase R$ 100 bilhões a menos do que em 2015”.
Algo parecido ocorre em relação a taxa de câmbio, cujo patamar é determinante para abrir ou fechar portas às exportações manufatureiras. Muitos analistas tem denominado a prática de manter a moeda estruturalmente sobrevalorizada, em especial desde o Plano Real, de populismo cambial, uma vez que resultaria, especialmente na classe média, numa falsa sensação de poder de compra, que permite-a comprar qualquer tipo de bugigangas de Miami.
Excetuando-se um breve período com Dilma, no qual se buscou por meio de custosos mecanismo de swap cambial manter a moeda competitiva, há quase 25 anos convivemos com moeda sobrevalorizada, que junto com juros altos, formam duo mortal à Indústria nacional. No período Lula, por exemplo, “a preços de hoje, a taxa de câmbio entre dezembro de 2002 e dezembro de 2010 apreciou-se de R$ 5,10 por dólar para R$ 1,90 por dólar” (Bresser Pereira, 2015). Em grande medida, tal apreciação cambial foi fator determinante para um modelo de crescimento ancorado na demanda (consumo).
Com uma política macroeconômica hostil à Indústria, não restou às meritórias política industrial e de inovação dos governos Lula e Dilma se não, o papel de enxugar gelo.
Com Temer, contudo, a situação se torna muito mais dramática, pois além de se manter os dois preços macroeconômicos (juros e câmbio) na mesma anomalia descrita, se interrompe as medidas mitigadoras que existiram nos últimos 13 anos. Dentre elas:
- a) a persistente retirada, sem qualquer critério logico que não o de planilha, de subsídios, desonerações, incentivos e regimes especiais, inclusive de exportações, à Indústria;
- b) o empoçamentode recursos de crédito no BNDES, com encarecimento dos custos (TJLP substituída por taxa de mercado, chamada TLP), aperto nas exigências para concedê-los e devolução antecipada de R$ 100 bilhões ao Tesouro, numa espécie de “pedalada fiscal” ao contrário.
- c) Desmantelamento da política de conteúdo local (PCL), seja como critério para a concessão de empréstimos a taxas mais favoráveis no BNDES, seja na sua revisão no setor de petróleo e gás (P&G). Em P&G, a revisão da PCL foi tão radical, que setores da indústria advertem que poderá se preencher as novas regras sem comprar “um parafuso” da Indústria nacional – novamente, uma “quebra de contrato”, já que os leilões exigiam o cumprimento da PCL.
4) Conjuntura industrial: onde estamos hoje?
Os números mais recentes da conjuntura industrial, no momento em que preparamos esta Nota, apontam:
– Que em 2016, foram fechadas 321.503 vagas na indústria de transformação (O Globo, 19/6);
– Elevadíssimos nível de ociosidade na Indústria. Segundo os Indicadores Industriais da CNI, o último dado disponível apontam redução no uso da capacidade instalada, que decaiu de 77,1% para 76,5%, de abril para maio (OESP, 02/06). Portanto, quase ¼ da capacidade industrial está ociosa;
– Ao mesmo tempo, os números do IBGE referente ao 1º trimestre de 2017, indicam queda na taxa de investimentos para 15,6% do PIB, contra 16,8% há um ano atrás, pior patamar registrado em um primeiro trimestre na série histórica do IBGE, iniciada em 1996, portanto, o menor patamar em 21 anos. O investimento está em queda há 12 trimestres consecutivos. A queda foi de 3,7%, comparado ao primeiro trimestre de 2016, e de 1,6% em relação ao quarto trimestre do ano passado;
– Indutor do investimento privado, o Investimento público federal é o menor desde 2009 (OESP, 07/05). A partir de 2018, tal margem se estreitará enormemente, dada a “camisa de força” autoimposta pelo Estado brasileiro a partir da promulgação da emenda constitucional prevendo um teto de gastos não-financeiros. No momento atual, o volume de pagamentos feito pelo governo entre janeiro e abril deste ano de 2017 ficou 57% abaixo do verificado em igual período do ano passado, ou seja, às vésperas do afastamento de Dilma. Entre janeiro e abril, o volume de pagamentos feitos pela União caiu para menos da metade em relação a igual período de 2016, de R$ 19,1 bilhões para R$ 8,1 bilhões. Outro estudo (FSP, 02/07), mostra que a taxa de investimento do setor público caiu a 1,8% do PIB em 2016, o menor nível desde 2004 – ano em que o Brasil estava em severo ajuste fiscal no início do governo Lula;
– Já o “Investimento privado recua ao menor nível desde 2000” (FSP, 02/07, p.A18). Após registrar os maiores índices de investimentos, neste século, de 19% do PIB nos anos de 2008 e 2013, o investimento privado (empresas e famílias) alcançou, em 2016, 13,7% do PIB, segundo estimativas do Cemac. Ao mesmo tempo, “Os números mostram que o setor privado está poupando como nunca, mas a maior parte dos recursos tem servido para financiar o governo em vez de investimentos produtivos”. Afinal, “os juros pagos para financiar a dívida pública garantem retorno superior às possibilidades oferecidas às empresas por outras opções de investimentos (…) dos recursos totais captados pelo sistema bancário, nada menos que 72% são destinados exclusivamente ao financiamento do setor público”. O autor do estudo estima que um crescimento na casa de 3% a 4% do PIB exigiria uma taxa de investimentos na casa de 20% do PIB;
Conclusão parcial: com elevada capacidade ociosa, devido a insuficiência de demanda devido ao alto desemprego, endividamento e falta de crédito, e com retorno de investimento em títulos públicos superior ao investimento produtivo, as empresas não investem. Assim, não há, no curto prazo, reversão da situação econômica.
Voltemos aos números:
– A indústria de transformação, especificamente, caiu 1% no último trimestre em relação ao período de janeiro a abril do ano passado, oscilando 0,9% em relação ao trimestre anterior (IBGE);
– Nos cinco primeiros meses de 2017, comparado ao mesmo período de 2016, a queda nas vendas da Indústria foi de 5,7%, segundo a CNI (OESP, 04/07);
– A deterioração no emprego manteve a queda no Consumo das Famílias (-0,1%), pelo nono trimestre consecutivo, que recuou 1,9% no primeiro trimestre ante o mesmo período de 2016, também o nono resultado negativo consecutivo;
– O resultado de 1% de crescimento no primeiro trimestre em relação ao trimestre anterior, foi puxado basicamente pela agropecuária, que teve um salto de 13,4% no período, e pela indústria extrativa, que subiu 9,7%; o pujante setor agrícola, “salvando a lavoura” obteve uma safra recorde, resultado do fim das adversidades climáticas que marcaram 2016. Para diversos economistas, só os próximos trimestres dirão se recessão chegou ao fim, no que parece ser pouco provável olhando os números acima. Na comparação com o mesmo trimestre de 2016, o PIB encolheu pelo 12.º trimestre seguido: -0,4%;
– a pequena oscilação em relação ao último trimestre de 2016, mais que revelar qualquer recuperação, mostra a economia mais que nunca dependente do setor primário e da indústria extrativista (basicamente minérios e petróleo) e é produto direto da perda de importância relativa da Indústria de transformação. Na contramão dos demais segmentos, o setor agrícola avançou 15,4% em relação a igual período de 2016 e 13,4%, comparado aos últimos três meses do ano passado. “Infelizmente, voltamos a nos comportar como um País exportador de commodities. E não existe desenvolvimento nesses moldes”, afirmou o economista da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo (FGV-SP) Nelson Marconi;
– Segundo o último número do IBGE divulgado no final de abril, a taxa de desemprego está em 13,7%, atingindo 14, 2 milhões de pessoas, contra 10,9% de um ano antes. Segundo Indicador Serasa, o número de consumidores inadimplentes no Brasil atingiu 61 milhões em maiodeste ano, o maior número da série histórica desde 2012;
– Por fim, o IBGE acaba de divulgar na última terça-feira, dia 04/07, os números do monitoramento mensal da produção industrial brasileira. Ante número ligeiramente positivo pelo 2º mês consecutivo (0,8% em maio, depois de 1,1% em abril, sempre em comparação com o mês anterior), novamente, a equipe econômica de Temer comemorou. Infelizmente para o país, todavia não há o que comemorar.
Em grande medida, o número levemente positivo é puxado pelo aumento de dos segmentos: bens de capitais e venda de veículos; abrindo os números, no entanto, se vê que a venda de maquinas se deu principalmente no setor agrícola; já a venda de veículo deveu principalmente pelas exportações, no que pode inclusive ser considerado como decisões intra-compania.
A alta, contudo, se dá sobre base extremamente deprimida. Afinal, segundo o próprio IBGE, o nível de produção industrial hoje, ainda se encontra no nível de fevereiro de 2009.
No acumulado em 12 meses (maio de 2017/maio de 2016 – período em que Temer está no governo), todavia registra-se queda produção industrial de 2,4%
Dados parciais que vêm sendo divulgados, como alta capacidade ocioso, apontam, segundo economista ouvido pela Folha de S. Paulo (05/07), em queda de 0,7% em julho na produção industrial, o que fará que o 2º trimestre do PIB industrial permaneça estagnado ou mesmo levemente negativo – neste caso será pelo 13º trimestre consecutivo.
O cenário é dramático. Podemos sintetizar as dramáticas condições macroeconômica atuais – amplamente hostil à produção e ao trabalho – a partir dos seguintes fatos da conjuntura:
– o Real segue elevado (apreciado);
– o crédito continua restrito – a despeito da positiva troca recente de comando no BNDES, está em curso enorme pressão por parte do “mercado” para que seus recursos empoçados sejam canalizados para pagamento ao Tesouro Nacional e não liberado às empresas na forma de crédito;
– as empresas seguem altamente endividadas e as primeiras, com elevado número de máquinas paradas – a ociosidade industrial continua elevada, como se viu acima;
– a demanda interna continua fraca – como se viu acima, por fatores relacionados ao desemprego e a crescente inadimplência (endividamento das famílias);
– chegou-se ao fim do efeito pontual da liberação das contas inativas do FGTS;
Agregaríamos ao anterior o fato de que os efeitos nefastos da Operação Lava Jato sobre a economia seguirão no horizonte, como no fato desta ter deixado mais de R$ 90 bilhões em obras paradas (OESP, p. B3, 18/06).
Superar esta atual estado de coisas é a grande questão que se impõem ao Brasil e aos brasileiros.
5) Por uma estratégia de re-industrialização nacional.
Falemos agora do futuro. Busquemos delinear opções – uma plataforma – voltada a reverter a dramática situação acima exposta, e retomar o caminho do desenvolvimento ancorado na Indústria.
No curso da definição de um novo projeto nacional de desenvolvimento, cabe robusta política industrial e de inovação – uma estratégia nacional de reindustrialização –, que abra um novo período de expansão, recompondo as bases do projeto nacional.
Como se faz nas experiências mais avançadas em curso no mundo, deve-se integrar política industrial e política de inovação, estimulando, a criação de novas competências em áreas de maior dinamismo potencial da economia mundial.
Para isso, se deverá enfrentar um leque de desafios:
(i) desenvolver fatores de competitividade sistêmica em linha com as condições internacionais, de modo que a Indústria nacional possua condições isonômicas de competição, tanto no mercado interno – onde concorre com importações – quanto no mercado externo – para a promoção de exportações;
(ii) quanto a dimensão horizontal e sistêmica da política industrial e de inovação, efetivar uma política macroeconômica pró Indústria, baseada em condições macroeconômicas favoráveis à reindustrialização, o que pressupõe não apenas um ambiente estável, mas políticas favoráveis aos investimentos, tais como:
– taxas de juros compatível com os padrões internacionais, tendo em vista o porte de nossa economia, inexistência de histórico de insolvência, etc.;
– política cambial que situe a moeda em patamar adequado às exportações industriais. Não cabe utilizar o câmbio como instrumento de combate a inflação, como se fez, erroneamente, na maior parte das últimas duas décadas e se sinaliza, com a nova meta de inflação, no próximo período;
– recomposição do sistema de crédito e financiamento público – a partir do BNDES, Finep e bancos públicos –, e privado – através do fomento ao mercado de capitais. Num contexto de aproximação da taxa de juros (Selic) ao padrão internacional, de fato, a taxa subsidiada (atual TJLP) poderá dar ênfase à inovação, onde – mostra a experiência internacional – sem o apoio e liderança do Estado, não ocorre desenvolvimento de novas capacidades[12];
(iii) ainda quanto a dimensão horizontal da política industrial e de inovação, buscar enfrentar questões de aumento da produtividade sistêmica, através, dentre outras, de medidas como:
– um vigoroso programa de infraestrutura de integração nacional. O tema da integração nacional é essencial para enfrentarmos um passivo que todavia, em pleno século XXI, se arrasta desde os primeiros planos de integração do território no século XIX. Ainda hoje, não temos o conjunto do território nacional integrado e articulado;
– fomento a educação, destacando-se, para isso, a importância da continuidade da expansão da rede pública de ensino superior, tecnológica e profissionalizante, tendo em vista os impactos das modernizações tecnológicas no trabalho do século XXI;
(iv) quanto à dimensão vertical da política industrial:
– adoção do conceito de políticas de aglomeração (clusters) combinado com programas mobilizadores e de mission-oriented que busque, em esforço coordenado entre empresas públicas e privadas, universidade e Estado, incluindo seu poder de compra, que realizem ações articuladoras e otimizadoras de ecossistemas de inovação; estes devem ser necessariamente temáticos e focados no desenvolvimento de tecnologias críticas especificas e na resolução de problemas técnicos específicos que permitam criação de novas competências industriais e tecnológicas.
– nesse mesmo sentido anterior, definir o uso, no contexto das definições de política industrial e de inovação, do instrumento de poder de compra do Estado (procurement) visando induzir inovação em áreas de fronteira e de reconhecida expertisse nacional, como saúde, agricultura, energia, Defesa nacional, dentre outras.
– retomar políticas de conteúdo local competitivas, que estimulem a criação de segmentos em áreas dinâmicas da economia nacional, com aferição de resultados, contrapartidas e prazos de validade;
– nesse sentido, cabe ao país estimular a política de criação de campeões nacionais – atualmente demonizada pela ideologia neoliberal, que aproveitando equívocos cometidos no passado, busca eliminar essa necessidade que todos os grandes Estados nacionais estimulam,
(v) quanto a base produtivas constituída no primeiro esforço de industrialização nacional, é preciso medidas para a recuperação de capacidades e elos perdidos no recente esvaziamento de cadeias produtiva; concomitantemente a isso, um aspecto destacado de uma nova política industrial e de inovação, deverá observar a importância de modernização do parque produtivo instalado, fruto das segunda e terceira revolução industrial – parte delas, todavia não internalizadas. Assim, será preciso forte apoio a inovação incremental, que poderá gerar um salto de produtividade na indústria tradicional por meio do progresso tecnológico advindo da incorporação de novas máquinas e equipamento[13].
(vi) Instituir fortes mecanismos de governança e avaliação da política industrial e de inovação, visando aferir resultados, monitorar desempenhos, propor ajustes ou descontinuidades ou mudanças de rotas e analisar a efetividade de subsídios, incentivos e outros mecanismos de apoio público. Hoje, o Estado brasileiro carece dramaticamente destas competências, cometendo erros derivados dessa insuficiência, que acabam por reforçar argumentos ideológicos liberais. Mesmo ilhas de excelência do Estado brasileiro, como BNDES e Finep, carecem de mecanismos internos de aferição da efetividade de suas políticas.
(vii) no que diz respeito ao ambiente internacional:
– retomar uma diplomacia comercial, que atue nos grandes fóruns internacionais para questionar as práticas cambiais e comerciais que distorcem as condições de isonomia competitiva no mercado internacional.
– criação de mecanismo de incentivos governamental, que permitam o desenvolvimento local de estágios de produção de alto valor agregado, preferencialmente em setores criadores de externalidades tecnológicas positivas, tais como o aeroespacial, eletroeletrônicos e telecomunicações, visando uma integração virtuosa e não subordinada, às cadeias globais de valor. Estimular, no contexto de um modelo de integração produtiva sul-americana, a criação de cadeias de valor – que hoje, segundo a literatura, adquirem sobretudo características regionais.
(viii) por fim, o mais importante: persistir no caminho da valorização do trabalho. As recentes políticas de valorização do salário mínimo, por exemplo, foram determinante para a recente expansão recente da economia nacional ou para a mitigação de suas dificuldades. Tiveram efeitos amplamente positivos para o dinamismo da economia nacional, a partir de modesta, mas importante, redistribuição de renda. Tal caminho, que alarga o mercado interno e permite expandir a atividade econômica e industrial é basilar de um novo projeto nacional de desenvolvimento.
Conclusões
A adoção de uma estratégia de reindustrialização terá enorme efeitos sobre o trabalho. Como se viu acima, é na indústria onde se encontram os empregos melhor remunerados e de maior qualidade.
Aos trabalhadores interessa enormemente retomar a Indústria como vértice de nosso desenvolvimento.
Estabelecer alianças para perseguir esse caminho virtuoso será desafio tático e estratégico de primeira grandeza no próximo período.
[1] Cientista social, é pesquisador da temática do desenvolvimento. Email: ronaldocarmona@gmail.com
[2] “Entende-se por desenvolvimentismo a política econômica formulada ou executada, de forma deliberada, por governos (nacionais ou subnacionais) para, através do crescimento da produção e da produtividade, sob a liderança do setor industrial, transformar a sociedade com vistas a alcançar fins desejáveis, destacadamente a superação de seus problemas econômicos e sociais, dentro dos marcos institucionais do sistema capitalista.” (Pedro Cesar Dutra Fonseca, apresentação ao Centro Celso Furtado, julho de 2016).
[3] Nesta sessão, consultamos três importantes obras de referência:
– A luta pela industrialização no Brasil, de Nícia Vilela Luz, Editora Alfa Ômega, 1975;
– 200 anos de Indústria no Brasil – de 1808 ao século XXI, CNI/Firjan, 2008;
– Texto “A influência do sistema americano de Economia Política no Brasil”, de Lorenzo Carrasco Bazúa e Geraldo Luís Lino na obra Cartas da Economia Nacional contra o Livre Comércio, Editora Capax Dei, 2009.
[4] Trata-se dos próceres, na literatura econômica, da defesa do protecionismo como forma de expansão da Industria nascente, que deram base à decisões de política econômica que permitiram a países como o Estados Unidos e outros, se tornarem países ricos e desenvolvidos. Os países que hoje pregam o liberalismo econômico, foram, apenas se tornaram grandes potencias fazendo o oposto do que hoje defendem como receita aos países em desenvolvimento.
[5] Ver Indústria e Desenvolvimento Produtivo no Brasil / Nelson Barbosa, Nelson Marconi, Mauricio Canêdo Pinheiro, Laura Carvalho; organização. – 1.ed. – Rio de Janeiro: Elsevier: FGV, 2015.
[6] Ver Carta 783 (20/04/2017) “Experiências de política industrial no século XXI” e Carta 793(23/06/2017) “As tendências recentes nas políticas de Ciência, Tecnologia e Inovação”, disponíveis em www.iedi.org.br
[7] Cabe registrar que o Brasil recém ingressou neste debate.
[8] O economista André Lara Rezende, um dos membros da equipe que formulou o Plano Real, tem questionado a eficiência da altas taxas de juros no combate à inflação, que pode se revelar contraproducente, uma vez que deteriora fortemente a situação fiscal, que redunda, portanto, em mais inflação. Recentemente lançou o livro Juros, Moeda e Ortodoxia, em que busca desenvolver este argumento.
[9] Título de trabalho de André Singer (2005). Também caminham por este argumento os citados Carneiro (2017) e Dweck e Teixeira (2017).
[10] Juros brasileiros castigam a economia. Mark Weisbrot, Folha de S. Paulo, p. A3, 06/06/2017.
[11] “Juro menor dá alívio bilionário nas contas públicas”. OESP, p.B6, 04/07/2017.
[12] O presidente do IEDI, Pedro Wongtschowski, em recente entrevista ao Valor (01/07/2017), defendeu algo nessa linha: “O único setor em que eu acho que cabe financiamento subsidiado é o campo da inovação, ode o grau de risco é elevado e no mundo todo, ou é totalmente financiada pelo Estado, ou é subsidiado, complementarmente ao esforço das empresas”. A economista italiana Mariana Mazzucatto, em livro recente, O Estado Empreendedor – desmascarando o mito do setor público vs. Setor privado (Ed. Portfolio Penguin, 2014) detalha como os países ricos mantem a liderança tecnológica através de ação altamente subsidiada a partir do Estado.
[13] Na indústria de máquinas e equipamentos, a idade média do parque fabril está entre 17 e 20 anos, o que torna as empresas menos eficientes e competitivas. Na Alemanha, umas das principais economias industriais do mundo, varia de 5 a 7 anos. “Como não há investimento no País, o maquinário brasileiro foi envelhecendo”, afirma José Velloso, presidente executivo da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). “Há 20 anos, praticamente não existia internet”, observa (OESP, 12/06/2016).
Fonte: Portal CTB
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