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18.05.17
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Dono da JBS gravou Temer dando aval para comprar silêncio de Cunha, diz jornal
A página do jornal O Globo na internet afirma, no blog do colunista Lauro Jardim, publicada na noite desta quarta-feira (17) que os donos do frigorífico JBS gravaram o presidente Michel Temer dando aval para comprar o silêncio do deputado cassado e ex-presidente da Câmara dos Deputados Eduardo Cunha (PMDB-RJ), preso na operação Lava Jato. A informação dos empresários foi dada em delação à Procuradoria-Geral da República.
Segundo o jornal, Joesley Batista entregou uma gravação feita em março deste ano em que diz a Temer que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada para que permanecessem calados na prisão. Diante dessa informação, Temer diz, na gravação: “tem que manter isso, viu?”
No depoimento aos procuradores da força-tarefa da Lava Jato, Joesley afirma que não foi Temer quem determinou a mesada a Eduardo Cunha, mas que o presidente “tinha pleno conhecimento” da operação pelo silêncio do ex-deputado.
Em outra gravação, também de março, Temer indica o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para “resolver assuntos” da J&F, uma holding que controla a JBS. Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil, enviados por Joesley.
O colunista conta que os irmãos Joesley e Wesley Batista estiveram na quarta-feira passada (10) no Supremo Tribunal Federal (STF) no gabinete do ministro relator da Lava Jato, Edson Fachin – responsável por homologar a delação dos empresários. Diante dele, os empresários teriam confirmado que tudo o que contaram à PGR em abril foi de livre e espontânea vontade.
Também na delação de Joesley aparece o senador Aécio Neves, presidente do PSDB, que é gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões, sob a justificativa de que precisava da quantia para pagar despesas com sua defesa na Lava-Jato.
O pedido de ajuda foi aceito e o empresário quis saber quem seria o responsável por pegar as malas com o dinheiro. Segundo o DCM, teria se dado então o seguinte diálogo:
Joesley: Se for você a pegar em mãos, vou eu mesmo entregar. Mas, se você mandar alguém de sua confiança, mando alguém da minha confiança.
Aécio: Tem que ser um que a gente mata ele antes de fazer delação. Vai ser o Fred com um cara seu. Vamos combinar o Fred com um cara seu porque ele sai de lá e vai no cara. E você vai me dar uma ajuda do c….
Ainda segundo o DCM, Aécio indicou seu primo Frederico Pacheco de Medeiros, para receber o dinheiro. Fred, como é conhecido, foi diretor da Cemig, nomeado por Aécio, e coordenador de logística de sua campanha a presidente em 2014.
Quem levou o dinheiro a Fred foi o diretor de Relações Institucionais da JBS, Ricardo Saud, um dos sete delatores. Foram quatro entregas de R$ 500 mil cada uma. A PF filmou uma delas.
A entrega do dinheiro ao primo de Aécio, também foi filmada.
Nem Temer nem Aécio se manifestaram ainda sobre a declaração.
Temer nega que comprou silêncio de Cunha
O presidente Michel Temer divulgou nota negando a ação para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Confira a íntegra:
O presidente Michel Temer jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou e nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar.
O encontro com o empresário Joesley Batista ocorreu no começo de março, no Palácio do Jaburu, mas não houve no diálogo nada que comprometesse a conduta do presidente da República.
O presidente defende ampla e profunda investigação para apurar todas as denúncias veiculadas pela imprensa, com a responsabilização dos eventuais envolvidos em quaisquer ilícitos que venham a ser comprovados.
Assista a chamada do Plantão Globo sobre a notícia das gravações que implicam Michel Temer e Aécio Neves:
http://www.youtube.com/watch?v=hMSBhJOtZuE
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16.05.17
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Dê sua opinião: projeto isenta 13º salário e adicional de férias da cobrança de imposto de renda
O décimo terceiro salário e o adicional de férias poderão deixar de ser tributados caso o Projeto de Lei do Senado (PLS 145/2017) seja aprovado. De autoria do senador Telmário Mota (PTB-RR), o projeto aguarda designação de relator na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ).
Qual a sua opinião sobre o projeto? Vote: http://bit.ly/PLS145-2017
Todas as propostas que tramitam no Senado estão abertas a consulta pública por meio do portal e-Cidadania. Confira: http://www12.senado.leg.br/ecidadania.
Comente na página do Senado no Facebook.
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15.05.17
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Reforma trabalhista será debatida por duas comissões e pelo Plenário
A Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) e a Comissão de Assuntos Sociais (CAS) promovem na quarta-feira (17) uma segunda audiência pública conjunta para debater a proposta de reforma trabalhista (PLC 38/2017), enviada pelo Executivo ao Congresso. O debate tem início às 14h na sala 19 da ala Alexandre Costa.
Já aprovado pela Câmara, o projeto passará pela análise das duas comissões e também da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ). O relator do PLC 38/2017 na CAE é o senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES). Na CCJ o relator é o senador Romero Jucá (PMDB-RR). Na CAS ainda não há um relator designado.
Na última quarta (10), a CAS e a CAE ouviram o presidente do Tribunal Superior do Trabalho (TST), Ives Gandra Martins Filho, que se mostrou favorável à reforma, ainda que com ajustes, e o procurador-geral do Trabalho, Ronaldo Fleury, que se disse contrário ao texto por fragilizar a posição dos trabalhadores.
Foram convidados para a próxima quarta-feira o professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC/RJ), José Márcio Camargo; o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil (CTB), Adilson Araújo; e o professor da Fundação Dom Cabral, Paulo Paiva.
Plenário
Na terça (16), em sessão temática interativa a ser realizada no Plenário, com início às 11h. Para a audiência pública foram convidados o ministro do Trabalho Ronaldo Nogueira de Oliveira; o presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Vagner Freitas de Moraes; o presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Ângelo Fabiano Farias da Costa; o presidente da Central dos Sindicatos Brasileiros, Antônio Neto; o presidente do Instituto do Desenvolvimento do Varejo, Antônio Carlos Pipponzi e a advogada e Especialista em Direito Econômico, Celita Oliveira Sousa.
Fonte: Agência Senado
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15.05.17
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Depois do comércio e indústria, setor de serviços também apresenta queda em março
O setor de serviços teve queda de 2,3% de fevereiro para março, na maior queda da série, iniciada em 2012, segundo informou hoje (12) o IBGE, que nesta semana já havia divulgado retração nas vendas do comércio e, anteriormente, na indústria. Em relação a março do ano passado, houve retração de 5%, resultando em taxas acumuladas de 4,6% em 2017 e também de 5% em 12 meses.
Na comparação mensal, todos os segmentos tiveram queda, de acordo com o instituto. Os serviços prestados às famílias caíram 2,1%, os chamados outros serviços recuaram 1,2% e transportes, serviços auxiliares e correio (o de maior peso, 31% do total), 1,1%. Também com peso de 31%, o segmento de informação e comunicação variou negativamente 0,4%.
A receita nominal recuou 1% no mês. Em relação a março do ano passado, cresceu 1%. A taxa está acumulada em 1,1% no ano e em 0,1% em 12 meses.
No primeiro trimestre, o setor ficou estável em relação ao último período de 2016, que tinha registrado queda (-2,7%) ante o terceiro trimestre. Dessa forma, os resultados “não apresentaram recuperação”, aponta o IBGE.
Entre as regiões, as principais variações positivas de fevereiro para março foram registradas em Tocantins (24,9%), Maranhão (9,9%) e Alagoas (4,1%). As maiores quedas foram observadas em Roraima (-4,2%), Rio Grande do Sul (-4,0%) e Paraná e Distrito Federal (ambas com -3,4%). Na comparação com março de 2016, Rio Grande do Norte (6,5%), Mato Grosso (5,3%) e Paraná (4,9%) tiveram crescimento, enquanto Roraima (-18,7%), Amapá (-16,5%) e Distrito Federal (-13,2%) caíram.
O resultado no mês “reverte uma tendência de crescimento que havia se verificado desde outubro”, diz Roberto Saldanha, pesquisador da Coordenação de Serviços e Comércio do IBGE. Segundo ele, o resultado pode ser consequência da retração no setor industrial. No trimestre, “a gente pode afirmar que o setor de serviços não apresentou recuperação”.
Fonte: RBA
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Interdição de Instituto Lula é parte da patologia do Judiciário, diz Damous
O deputado federal Wadih Damous (PT-RJ) classificou de “juizeco” o juiz federal da 1ª Região Ricardo Augusto Soares Leite. O parlamentar afirma em sua conta no Twitter que Soares – “substituto da 10ª Vara e candidato a Moro” – determinou a suspensão das atividades do Instituto Lula, em São Paylo, sem que isso tivesse sido pedido pelo Ministério Público. Soares tem processos contra ele na Corregedoria do Conselho Nacional de Justiça. “Ele não tem condições de exercer a magistratura”, diz Damous, ao comentar a decisão de Ricardo Soares, que tomou a decisão na sexta-feira (5), e a divulgou somente na véspera do depoimento dos ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O deputado afirma que Ricardo Soares é parte de uma “patologia” que tomou conta do sistema de Justiça brasileiro.
“Esse indivíduo não tem condições de ser juiz, não tem condições de exercer um alto cargo como esse que lhe dá o poder de praticar uma barbaridade dessas. Embora estejamos vivendo em um Estado de exceção, tenho certeza que essa idiotice, essa barbaridade, vai ser revogada imediatamente”, acredita Damous.
O juiz substituto já foi assunto de reportagens da RBA e de outros veículos. Ele é alvo de investigações pela corregedoria do Conselho Nacional de Justiça, suspeito de atrapalhar o andamento da Operação Zelotes, que investiga crimes de evasão e sonegação fiscal envolvendo grandes empresas ligadas a diversos setores (mídia comercial, bancos, montadoras, construtoras). Leia alguns trechos abaixo.
Procurador vê desinteresse do Judiciário e da Mídia na Operação Zelotes
Diferentemente do que acontece com a Operação Lava Jato, também da Polícia Federal, a Zelotes não empolgou o Judiciário nem a imprensa, como observou o procurador Paiva durante a audiência. De acordo com Paiva, escândalos de corrupção só despertam interesse no Brasil quando há políticos no meio. “Quando atingem o poder econômico, não há a mesma sensibilidade”, avaliou. Entre as principais investigadas pela Zelotes, haveria indícios fortes do MP contra corporações graúdas do setor industrial, financeiro e até das comunicações, como Grupo Gerdau, Rede RBS (principal retransmissora regional da Globo, na região Sul), Santander, Bradesco, Opportunity, Camargo Corrêa, Safra, Gerdau, Ford e Mitsubishi, entre outras.Quanto a obstáculos no Judiciário, o MP chegou e entrar com representação na Corregedoria do Tribunal Regional Federal (TRF) da 1ª Região, sediado em Brasília, contra o juiz responsável pela Operação Zelotes, Ricardo Leite, da 10ª Vara Federal de Brasília, por acreditar que o magistrado tem histórico de “segurar” processos por muito tempo e sem justificativas razoáveis.
Segundo reportagem de André Barrocal, na revista CartaCapital, procuradores e policiais federais que atuam na Operação Zelotes reclamam que Leite teria tomado muitas decisões que atrapalharam as investigações. Entre outras coisas, negou a prisão temporária de 26 suspeitos de integrar o esquema, rejeitou o pedido de bloqueio de bens de certos investigados e recusa-se a quebrar o sigilo do processo.
Corregedoria da investiga juiz que transformou Lula em réu
Tramitam na Corregedoria Nacional de Justiça, órgão vinculado ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ), dois processos contra o juiz federal da 1ª Região Ricardo Augusto Soares Leite, que na última sexta-feira (29/7/2016) transformou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva réu em ação criminal por tentativa de obstrução da Operação Lava Jato.
As denúncias contra Leite no CNJ não foram feitas por políticos, mas pela procuradora Regional da República na 1ª Região (PRR1) Valquíria Oliveira Quixadá Nunes, depois de denúncias de que o magistrado vinha sendo “pouco célere” nos pedidos feitos pela Polícia Federal e pela PRR1. Principalmente, no caso de fraudes cometidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf) para fraudar multas aplicadas às empresas.
Fonte: RBA
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10.05.17
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Fagnani: “Se a Reforma da Previdência passar, vamos ter velhos morrendo embaixo da ponte”
O professor Eduardo Fagnani, do Departamento de Economia da Universidade de Campinas, é uma figura conhecida no debate da Previdência Social. Além de dar palestras frequentes sobre o tema, Fagnani é uma das cabeças por trás da Plataforma Política Social, um portal de análises econômicas aprofundadas.
Falamos com Fagnani pouco antes do espetáculo de horrores que foi a reunião da Comissão Especial da Reforma da Previdência nesta terça-feira (9), quando o Congresso foi cercado por grades e chamou policiamento ostensivo (com armas de fogo) para impedir o acesso dos manifestantes à sessão que aprovou o substitutivo da PEC 287/16.
Enquanto a Reforma avança como um rolo compressor, algumas mudanças de última hora apareceram para torná-la mais fácil de engolir. Bastante irritado, Fagnani nos deu sua avaliação sobre essa “nova” Reforma da Previdência. Confira.
Portal CTB: Depois da grande rejeição da Reforma da Previdência pela população, os deputados propuseram uma série de medidas para torná-la mais “agradável”. Como o senhor avalia essas mudanças?
Eduardo Fagnani: Olha, são mudanças cosméticas. Porque eles reduziram a idade mínima da mulher, dos rurais, mas mantiveram um tempo de 25 anos de contribuição. Aí não muda nada!
O maior problema pra mim é esse, porque 80% das pessoas não conseguem chegar a isso. Há pouca gente que chega a 25 anos de contribuição, e eu estou te falando isso antes da terceirização e da reforma trabalhista. O Dieese mostra que, em média, o trabalhador só consegue contribuir 9 meses a cada 12, por conta da informalidade, que já chegou a 50%, e por conta da rotatividade. E a terceirização amplia a rotatividade – DOBRA ele, na verdade.
Aí você coloca a Reforma Trabalhista, que vai piorar isso também, porque vai criar empregos temporários, de curta duração e com prazo determinado, e tudo vai ampliar essa dificuldade de a pessoa ficar 25 anos contribuindo. Se o cara contribui durante 9 meses em 12, então ele vai precisar de 33 anos para completar os 25 de contribuição.
Isso é para conseguir 75% do benefício. O que mudou quanto à concessão da aposentadoria integral?
Essa é outra questão – toda essa conversa é só para 75% da aposentadoria, não é integral. Ele propuseram substituir aqueles 49 anos por 40, mas isso é excrescência, é uma piada de mal gosto. É impossível – é IMPOSSÍVEL, pelas condições do mercado de trabalho atual, e será ainda mais impossível com as reformas, alguém conseguir chegar a 40 anos de contribuição. Eles estão se divertindo com isso!
Mesmo com a redução de 49 para 40, isso ainda é mais elevado do que diversos países desenvolvidos. Não dá nem para comentar direito.
As regras de transição também sofreram mudanças, que o governo diz serem positivas. O senhor concorda?
Não, não mesmo. A realidade é que sequer a aposentadoria parcial o pessoal vai conseguir, porque a nova regra é inatingível. É um escárnio total. A nova regra de transição para o Regime Geral da Previdência Social (RGPS). Ela começa para mulheres de 53 anos e homens de 55, só que isso vai mudando um ano a cada dois anos a partir de 2020. Ou seja, a mulher de 53 anos, ao chegar em 2020, quando ela estiver quase para se aposentar, vai precisar de 55, e o homem, 57. Aí quando chegar em 2022, vai precisar de 57. E depois de dois anos, ela está quase lá, aí vira 59.
É uma corrida de obstáculos que você já sabe que vai perder, e não termina aí: além dessa mudança de idade, o tempo de contribuição, que hoje é de 15 anos, na regra de transição sobe 6 meses a cada ano, até chegar em 25 anos. Então se você tiver 55 anos de idade e 14 de contribuição, não vai conseguir se aposentar aos 57, porque já não serão mais 15 anos de contribuição, e sim 16. Aí no fim do ano já não serão exigidos 16, e sim 17.
“É impossível – é IMPOSSÍVEL, pelas condições do mercado de trabalho atual, e será ainda mais impossível com as reformas, alguém conseguir chegar a 40 anos de contribuição. Eles estão se divertindo com isso!”
As exigências sobem mais rápido do que a capacidade de cumprí-las?
Sim! Você entende essa situação? São duas corridas de obstáculo que você sabe que vai perder. Em suma, a regra de transição não é uma regra de transição, é uma regra de imposição da aposentadoria aos 65 de idade e 25 de contribuição para o homem, ou de 62 para a mulher. Eles fizeram a regra de tal forma que necessariamente as pessoas só irão se aposentar aos 65, a não ser em casos muito específicos. É uma regra de imposição.
E tem mais um dado ainda: os 65 anos mínimos também sobem. Sempre que a expectativa de sobrevida aos 65 anos aumentar um ano, a lei muda automaticamente a idade mínima na mesma forma. Hoje a sobrevida fica em torno dos 18 anos. Então até a pessoa que está ganhando aquela corrida de obstáculos, na hora que falar “agora eu vou!”, não vai conseguir, porque aumentou a idade mínima.
A expectativa de vida no Brasil aumenta um ano a cada 5 ou 8 anos, então daqui a 20, nós já podemos ter uma idade mínima de 67. É uma prova de obstáculos em que você sempre perde. Não é uma regra de transição, é uma regra de imposição dos 65 anos com 25 de contribuição, e que pode subir a qualquer momento.
E quanto à aposentadoria rural? O que muda?
Houve uma redução para o trabalhador da agricultura familiar – não o assalariado rural, só o familiar. Então agora a agricultura familiar mantém a idade mínima de 60 anos para o homem e sobe 2 anos para a mulher, passando a 57. A única coisa positiva de verdade é para o homem, que permanece na mesma.
Mas há um problema aí. Apesar da idade reduzida, eles estabeleceram, para esse trabalhador, 15 anos de contribuição MENSAL, ou seja, não mais sobre a produção. Mas o trabalhador da agricultura familiar não tem dinheiro para pagar o INSS todo mês. Ele funciona de acordo com a safra, ele planta, capina, rega, colhe, armazena e vende. Aí ele tem dinheiro uma ou duas vezes por ano, e paga as contas dele. Ele não guarda dinheiro na poupança, então ele não vai contribuir 15 anos. Ela não consegue, então não vai.
E como era antes? Se você fosse rural, você contribuia sobre a comercialização do seu produto. Agora você vai ter que ir todo mês no banco fazer a contribuição. Então ele não vai! Trabalhador rural, no Brasil, não tem poupança. Ele recebe o regime de safra e paga os custos que teve, compra comida para a casa, compra sementes para a próxima safra. Ele não dinheiro guardado na poupança para pagar contribuição. E aí ele não vai ter proteção, você vai ter um monte de velhos vagando por aí, morrendo embaixo da ponte. 15 anos de contribuição mensal, para o rural, é um absurdo.
Quanto à pensão por morte, a nova proposta faz diferença?
Na questão da pensão por morte, eles recuaram. Eles mantiveram a concessão só de 50% do salário do morto, acrescido de 10% por dependente, só que agora você pode acumular outra pensão. Isso vale até 2 salário mínimos. Então se a pessoa tem uma aposentadoria e o marido morre, ela não tem mais que optar entre as duas. Até dois salários mínimos você pode acumular. Não é uma concessão suficiente.
“15 anos de contribuição mensal, para o rural, é um absurdo. E aí ele não vai ter proteção, você vai ter um monte de velhos vagando por aí, morrendo embaixo da ponte.”
O senhor mencionou em outras ocasiões a sua preocupação com o Benefício de Prestação Continuada de Assistência Social (BPC). Houve também um recuo nisso.
O que eles estão fazendo com o BPC é uma crueldade. Agora eles abaixaram a idade mínima de 70 para 68 anos. Mas o que é o BPC? É a pensão das pessoas que não conseguiram contribuir para a Previdência e que têm até 1/4 de salário mínimo como renda familiar per capta. O cara tem que ganhar menos de R$ 234, aí pode ter um benefício assistencial, contando aí os portadores de deficiência. Os atendidos pelo BPC são as pessoas mais vulneráveis da sociedade, que normalmente não vivem até os 68, 70 anos. Antes era 65 anos.
Na verdade, tem uma jogada aí: com essa redução, eles já estão admitindo que a reforma é excludente. Eles sabem que um monte de gente não vai conseguir se aposentar pela Previdência, que é contributiva, e isso vai pressionar o BPC. Aí eles colocam um muro lá na frente, aumentam a idade disso também, para que não tenha uma pressão, uma corrida pelo benefício assistencial.
Então você deixa o sujeito desprotegido. Isso já é uma confissão do caráter excludente da reforma.
Os servidores públicos são alvo de críticas recorrentes dentro dessa reforma, são considerados privilegiados. Como o texto trata isso?
São regras muito mais severas que estão sendo colocadas aí, mas não mudaram muito desde a última versão. Alguns casos, como o dos professores, tiveram uma redução na idade mínima – as regras ficaram mais duras, mas não são as mesmas dos demais. Os policiais também.
Olha, vamos colocar o seguinte: o problema do servidor público para 2050, 2060 JÁ ESTÁ RESOLVIDO. Isso ninguém fala. A Reforma do servidor público começou a ser feita com a Emenda Constitucional nº 20/1998, do Fernando Henrique Cardoso, que criou o Sistema de Aposentadoria Complementar Privado, e o Público também.
O privado passou a funcionar rapidamente, enquanto o público levou quase 20 anos para transitar. Começou com a Emenda 41, do Lula, em 2003. Depois com a Emenda 47, de 2005. E finalmente a Reforma foi feita em 2012, pela lei nº 12.618/2012, que criou o Funpresp, que é o Fundo de Previdência Complementar do Servidor Público. Esse Funpresp determina que quem entrar no serviço público a partir de 2012 vai ter um teto de aposentadoria, que é o mesmo o RGPS – R$ 5.000.
Portanto, em 2040, em 2050, não vai ter mais déficit do servidor público, porque se ele quiser um salário semelhante a quando ele estava na atividade, ele vai ter que contribuir para esse Funpresp. Tem no Executivo Federal, outro no Legislativo, outro no Judiciário, e é obrigação dos estados e municípios criarem os seus próprios, apesar de muitos ainda não terem feito.
Sabe o que ficou de fora aqui? O parlamentar. Então a questão toda é o seguinte: o tal servidor público marajá não existirá mais em 2040, 2050, exceto o marajá do parlamento. O que a gente tem que ver é o estoque de benefícios, ou seja, as pessoas que já recebem essas pensões imensas. Mas nem isso é tão grave, porque elas vão morrer, servidores públicos também morrem. Esse pessoal não existirá mais em 2050, então se eu estou fazendo uma reforma para 2050, isso já está resolvido.
Parlamentares, militares e servidores mais antigos são o problema. E esses estarão de fora. Mas aí eles usam a imagem do marajá do serviço público, esse que ganha R$ 30 mil por mês, para justificar a reforma da aposentadoria rural. É um escândalo, é uma estupidez. E eles ficaram fora!
Como essa reforma poderia ser alterada para melhor resolver a sustentabilidade da Previdência?
Essa Reforma não tem nenhuma medida para acabar com a DRU, para acabar com as isenções fiscais que atingem as fontes de custeio da Previdência e da Seguridade Social. O agronegócio exportador continua sem pagar a Previdência e não há nenhuma medida que combata a sonegação, que amplie a fiscalização – pelo contrário, agora eles estão premiando de novo os sonegadores, concedendo um refinanciamento de 20 anos para pagar as dívidas. Então estão dando um prêmio para essas pessoas.
Não há nenhuma medida que resolva alguma coisa ali. É apenas um choque de despesas, sem nenhuma medida que enfrente a questão da Previdência pelo lado da receita. Acaba sendo um ajuste fiscal que só penaliza os mais fracos e premia os mais fortes. Eles poderiam ter a decência de fazer uma emenda assim: “em 5 anos, o governo vai acabar com as desonerações fiscais sobre a folha, a partir de agora não tem mais refinanciamento de dívidas com a Previdência”. Mas não.
É evidente que eu estou falando das questões técnicas aqui. Esse governo não faria uma coisa dessas, porque nós estamos assistindo a um negócio chamado “luta de classes”: tem uma classe, ela tomou o poder e está fazendo todo o possível para preservar o seu status quo. Em função disso, não mexem no próprio bolso. O agronegócio, por exemplo, continua sem contribuir com a Previdência Rural, mesmo sendo 50% das exportações brasileiras. Tem toda essa questão das entidades beneficentes, que continuam com milhões em isenção, e ninguém mexeu aí.
Por ano, se retira R$ 160 bilhões por conta de isenções, e ninguém mexeu nisso. Por ano, é desviado do orçamento da Seguridade R$ 120 bilhões, e ninguém mexeu nisso. E não há nenhum aceno para uma reforma tributária que reveja essas coisas. Mas isso não vai mudar, eles não deram um golpe desse tamanho para correr riscos!
“Parlamentares, militares e servidores mais antigos são o problema. Mas aí eles usam a imagem do marajá do serviço público, esse que ganha R$ 30 mil por mês, para justificar a reforma da aposentadoria rural. É um escândalo, é uma estupidez. E eles ficaram fora!”
Enfim, como o senhor vê esse substitutivo, que agora já se encaminha para o Plenário da Câmara?
As regras que serão votadas ainda são superiores às praticadas em muitos países desenvolvidos, incomparáveis quanto às condições de trabalho e os indicadores socioeconômicos e demográficos do Brasil. São regras mais severas, absolutamente incompatíveis com a realidade do mercado de trabalho brasileiro, que irão se agravar com a terceirização e a reforma trabalhista. E as regras de transição são, na verdade, regras de interdição. Isso penaliza a mulher, penaliza o rural, e o aposentado pelo BPC sofre uma crueldade ainda maior.
Aí aparece muito economista babaca, que fica falando que Reforma da Previdência “não vai atingir os pobres”! A gente precisa saber quem são os pobres, então, porque se quem recebe o BPC não é pobre, eu realmente não entendo mais nada. Se o trabalhador rural que vive na zona rural do Nordeste, onde está 70% da pobreza extrema, não é pobre, eu não consigo entender mais nada. Esse é o saldo.
Por Renato Bazan – Portal CTB
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Raimundo Bonfim: Usam todos os artifícios para intimidar o campo democrático
O Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos e o Núcleo Itinerante das Questões Fundiárias e Urbanísticas, da Defensoria Pública do Paraná, entraram com pedido de habeas corpus coletivo preventivo, com pedido de liminar, no Tribunal de Justiça do Paraná, contra a decisão da juíza Diele Denardin Zydek, da 5ª Vara da Fazenda Pública de Curitiba. A magistrada proibiu a montagem de estruturas e acampamentos nas ruas e praças da capital entre a noite desta segunda-feira (8) e a noite de quarta-feira (10), dia em que deve ser realizado o depoimento do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao juiz Sérgio Moro, da 13º Vara Federal de Curitiba.
“É uma decisão típica de Estado de exceção”, diz o coordenador da Frente Brasil Popular, Raimundo Bonfim, que estará em Curitiba no dia 10. “Mas mantemos o mesmo compromisso de mobilizar os militantes em defesa da democracia e da liberdade, e em apoio e solidariedade ao ex-presidente Lula.” A decisão da juíza curitibana foi provocada por pedido do município de Curitiba, governado pelo prefeito Rafael Greca (PMN).
No ano passado, a juíza usou as redes sociais para “aplaudir” a condução coercitiva de Lula em São Paulo. Ela também proibiu a passagem de veículos nas imediações da sede da Justiça Federal, na Avenida Anita Garibaldi. A defensora pública Camille Vieira da Costa, coordenadora do Núcleo da Cidadania e Direitos Humanos, argumenta que a decisão de primeira instância, em caráter liminar, fere o direito à livre circulação e de manifestação. “A nossa perspectiva é a de garantir o direito de ir e vir de todas as pessoas, independentemente do posicionamento político”, observa Camille.
A juíza argumenta que, na situação em questão, “há que se ponderar a primazia do interesse público envolvido”. Sobre o direito de ir e vir, apontou: “nenhum direito ou garantia deve ser considerado absoluto”.
“Com a baixa mobilização deles, a direita e os meios de comunicação comercial que fazem parte do golpe estão tentando passar a ideia de que somos manifestantes violentos e fazemos baderna. É a narrativa desses grandes meios de comunicação golpistas para os próximos dois dias”, diz Bonfim. “Da nossa parte não há nem haverá nenhuma intenção nesse sentido. Estamos orientando as pessoas para evitar provocação.”
De acordo com ele, a decisão liminar também “é uma tentativa de desmobilizar” as manifestações de quarta-feira em Curitiba. “Usam de todos os artifícios para intimidar e desmobilizar o campo popular e democrático”, avalia.
O ato principal, na capital do Paraná, está mantido e será das 10h às 18h, na praça da rua 15 de novembro, na Boca Maldita.
Assim como a argumentação da Defensoria, a decisão de Diele Denardin Zydek é inconstitucional e fere o direito constitucional de manifestação, afirma Bonfim . Segundo o ativista, a liminar “é uma chicana jurídica”. Ele lembra que a “a juíza já postou nas redes sociais xingamentos e palavras anti-lula”.
No pedido de habeas corpus da Defensoria Pública do Paraná, os defensores públicos Camille Vieira, Olenka Martins Rocha, Bruno Passadore e Daniel Alves Pereira alegam, em um trecho das argumentações, que “o Estado Brasileiro passa por grave crise política, a qual se revela como o momento histórico mais importante desde a redemocratização e o fim da ditatura militar”.
Acrescentam que “a Operação Lava-Jato e a sua repercussão no cenário político têm ensejado o acirramento da polarização política e manifestações contrárias e a favor do Juiz Sérgio Moro e do ex-presidente Lula e do Partido dos Trabalhadores”. Segundo eles, esse processo é “natural, desejável e deve ser de toda forma fomentado num Estado Democrático de Direito, uma vez que o debate é fundamental para o fortalecimento tanto da democracia, das instituições do Estado, quanto das organizações da sociedade civil”.
Fonte: RBA
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Os outdoors contra Lula em Curitiba e as responsabilidades de Sérgio Moro
Bajonas Teixeira, n’O Cafezinho – É muito conhecido o dito de Nietzsche de que se deus morreu tudo é permitido. Sem perder um pingo de verdade, pode-se dizer que se a justiça está morta nada é proibido. Esse é o caso dos outdoors que brotaram como cogumelos em Curitiba. São trinta outdoors em áreas movimentadas da cidades incitando a ira da população contra Lula. Coisa bem organizada, feita com o intuito óbvio de insuflar ondas de ódio, e certamente de alto custo. Quem permite uma coisa dessas? Por que Sérgio Moro não manda retirar esses outdoors e investigar os responsáveis?
De fato, se Sérgio Moro, o responsável pelo julgamento de Lula, não der ordens para a retirada dos outdoors nem punir os responsáveis, muitas perguntas ficarão no ar. Por exemplo: Por que adiou o depoimento de Lula, alegando necessidades da polícia de preparar a segurança, mas permite que outdoors altamente ultrajantes sejam espalhados por toda Curitiba? Quem deixa que provocações destinadas a provocar confrontos, capazes mesmo de começar uma pequena guerra civil (ou, quem sabe, até uma grande guerra civil), sejam usadas sem nenhum respeito pelos direitos do acusado? E mais: se outdoors não caem do céu, mas custam caro, quem seria o responsável por esse milagre da multiplicação dos outdoors? Quem pagou por eles e com recursos saídos de onde?
Se é permitido num país livre, em que ninguém deve ser culpado antes de ser condenado em última instância, que um inocente, e Lula é até agora tão inocente quanto eu ou você, seja objeto do mais vil tratamento, uma afronta à Constituição do país, o que se pode esperar?
O que está acontecendo se um país, em que os poderes estão obrigados pela Constituição a pautarem-se pelo estado democrático de direito, uma campanha pode espalhar outdoors inteiramente difamatórios como se estivéssemos no Velho Oeste, em que um xerife afixava onde bem entendia seus cartazes de “Procura-se, Vivou ou Morto”, e mandava enforcar sem maiores embaraços?
É um país ou uma terra sem leis? Voltamos ao antigo “homo homini lupus”, isto é, o homem é o lobo do homem? Estamos agora na pura e simples guerra de todos contra todos?
Qualquer um perguntará: o depoimento foi adiado por uma semana para preparar a segurança ou para que as provocações pudessem ser espalhadas para acirrar os riscos para o acusado e para os que o apoiam? Que louco não vê que provocações num momento desses, em que uma fagulha pode atear o incêndio, só podem ser a atitude de delinquentes e psicopatas?
As perguntas ficam no ar. E devem servir como um aviso e um alerta. Se o pior acontecer, ninguém terá dúvidas sobre quem são os responsáveis pela tragédia.
Fonte: RBA
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Dieese: reforma trabalhista é retrocesso da proteção social
O projeto de “reforma” da legislação trabalhista, aprovado na Câmara e agora no Senado, representa um “retrocesso da proteção social ao trabalho aos primórdios do processo de industrialização no país”, afirma o Dieese em análise sobre o texto. Para o instituto, na prática o projeto de lei, se implementado, resultará em “drástica redução de direitos e no desmantelamento do sistema de relações de trabalho” em vigor desde o surgimento da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), em 1943.
Segundo a análise do instituto, divulgada nesta semana, a proposta governista trará “substancial redução do papel do Estado em relação à proteção ao trabalhador, o que deve piorar as condições de vida e trabalho”, além de reduzir a capacidade de negociação dos sindicatos, em um cenário econômico extremamente adverso. “O projeto, portanto, reverte de forma cabal, os fundamentos legais, políticos e ideológicos que orientaram, até agora, as relações entre Estado, capital e trabalho no país.”
Em resumo, para o Dieese, o projeto institui um marco regulatório “altamente favorável aos interesses das empresas”. Com isso, reverte a lógica que inspirou a criação da legislação trabalhista, de caráter mais protetivo ao trabalhador, “ainda que permeada por uma visão conservadora a respeito dos direitos coletivos de organização e representação”.
O instituto destaca cinco fundamentos do projeto: revogação do princípio de proteção ao trabalhador perante o empregador; redução do poder de negociação e de contratação coletiva dos sindicatos; autorização para o rebaixamento de direitos previstos em lei; ampliação de possibilidade de contratos atípicos e de trabalho autônomo; e restrição à atuação do Poder Judiciário e também do acesso dos trabalhadores à Justiça.
Além disso, o texto estabelece uma forma de “blindagem patrimonial”, como define o Dieese, ao limitar o conceito de grupo econômico – de forma a restringir a cobrança de passivos trabalhistas. “Com isso, favorece a criação de empresas com ‘sócios laranja’ e dificulta a recuperação de débitos trabalhistas e previdenciários.”
A Câmara aprovou o substitutivo ao Projeto de Lei 6.787, elaborado pelo deputado Rogério Marinho (PSDB-RN). O texto, agora como PLC 38, começou a tramitar no Senado.
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05.05.17
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Sindicalistas manifestam ‘gratidão’ à CNBB por apoio a manifestações
As centrais sindicais aprovaram documento endereçado à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) em que expressam “nosso reconhecimento e nossa gratidão ao apoio claro e explícito que a Igreja Católica no Brasil manifestou à luta pela justiça dos trabalhadores e do povo brasileiro no período recente”, com referência à greve geral realizada na última sexta-feira (28). Segundo a carta, dirigida ao presidente da Conferência, o cardeal Sergio da Rocha, e lida durante reunião das entidades nesta quinta (4), “a coragem e a generosidade” de muitos bispos e as declarações “enérgicas” da própria assembleia geral da CNBB “provocaram um ânimo muito grande em nossa gente”.
Os sindicalistas resolveram aprovar um documento por avaliar que a entidade passou a sofrer pressões do governo para mudar seu posicionamento crítico a respeito das reformas. “Queremos que o senhor saiba deste nosso reconhecimento porque sabemos também o quanto lhes custa tomar estas posições, e as pressões que os poderosos exercem em defesa de seus privilégios e de seus projetos que legalizam a exploração e a exclusão.”
Fazem também citação ao papa. “Nós que já nos entusiasmávamos com as posições proféticas do Papa Francisco, constatamos agora, com muita alegria, que a Igreja no Brasil está seguindo seu Pastor e pondo em prática uma atuação que honra o Evangelho e a prática de Jesus Cristo”, afirmam as centrais.
Os dirigentes dizem ainda não estar defendendo privilégios de grupos ou corporações. “Estamos lutando para que os mais pobres e excluídos deste Brasil não sejam ainda mais massacrados por reformas legais que falam em modernização mas que se constituem na prática formas cruéis de aumentar a exploração; lutamos para que nosso País não tenha alienados seus bens mais estratégicos, para que o sistema financeiro e o mercado não sejam a única orientação política deste País.”
Às vésperas do encerramento do encontro anual, em Aparecida (SP), a CNBB divulgou nota oficial intitulada “O grave momento nacional”. Os bispos afirmam que o Estado democrático de direito, “reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população”. A entidade diz que ainda que “é preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa”.
Leia a íntegra das duas notas.
Para
S. Eminência Reverendíssima
Dom Sérgio, Cardeal Rocha
DD. Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil.
Prezado Dom Sérgio,
Reunidos em São Paulo nesta data, dirigentes sindicais das Centrais Sindicais – CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros ; CTB – Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras no Brasil ; CGTB – Central Geral dos Trabalhadores do Brasil ; CUT – Central Única dos Trabalhadores ; CSP – Conlutas – Coordenação Nacional de Lutas; Força Sindical ; Intersindical Central da Classe Trabalhadora ; NCST – Nova Central Sindical de Trabalhadores ; UGT – União Geral dos Trabalhadores, decidimos manifestar de forma oficial nosso reconhecimento e nossa gratidão ao apoio claro e explícito que a CNBB no Brasil manifestou à luta pela justiça dos trabalhadores e do povo brasileiro no período recente, e particularmente por ocasião da Greve Geral realizada no último dia 28 de abril.
A coragem e a generosidade reconhecidas de muitos Bispos ao publicarem explicitamente seu apoio ao Movimento, e sobretudo as declarações claras e enérgicas por parte da própria Assembléia, provocaram, dom Sérgio, um encorajamento, um ânimo muito grande em nossa gente.
Queremos que o Senhor saiba deste nosso reconhecimento porque sabemos também o quanto lhes custa tomar estas posições, e as pressões que os poderosos exercem em defesa de seus privilégios e de seus projetos que legalizam a exploração e a exclusão.
Dom Sérgio, esteja certo: não estamos lutando por privilégios de grupos ou corporações. Estamos lutando para que os mais pobres e excluídos deste Brasil não sejam ainda mais massacrados por reformas legais que falam em modernização mas que se constituem na prática formas cruéis de aumentar a exploração; lutamos para que nosso País não tenha alienados seus bens mais estratégicos, para que o sistema financeiro e o mercado não sejam a única orientação política deste País.
Confessamos ao Senhor e aos membros desta Assembléia que nem nós imaginávamos que este Governo fosse chegar tão longe em suas ações de retirada de direitos daqueles que historicamente já foram vítimas da exclusão. E a cada dia uma nova surpresa: veja, dom Sérgio o escândalo desta nova proposta de legislação trabalhista para o campo, que quer impor ao trabalhador condições análogas à escravidão: 18 dias de trabalho seguidos, jornada de 12 horas, pagamento em casa ou alimentação, venda total das férias… Veja o relatório da CPI da Funai e do Incra, criminalizando aqueles que ousam defender a população indígena, vítima extrema da espoliação.
Dom Sérgio, o combate que eles fazem ao financiamento sindical é outra tentativa de fragilizar a resistência a seus projetos; enquanto isso, as entidades Patronais auferem, através do sistema S, recursos infinitamente maiores.
É contra esta sanha exploradora que nos levantamos e vemos com satisfação que nosso grito se faz ouvir cada dia mais pela população e por entidades da importância da CNBB.
Muito obrigado, dom Sérgio, por podermos compartilhar esta luta pela justiça. Transmita, por favor a Dom Leonardo e a todos os Bispos, este nosso reconhecimento. Ao mesmo tempo, devemos lhe dizer que nossa luta deverá ser dura e muito longa. Continuamos, por isso, contando, com sua generosidade, sua coragem profética e seu apoio de Pastores.
São Paulo, 4 de maio de 2017.
O GRAVE MOMENTO NACIONAL
“Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça” (Mt 6,33)
A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil–CNBB, por ocasião de sua 55ª Assembleia Geral, reunida em Aparecida-SP, de 26 de abril a 5 de maio de 2017, sente-se no dever de, mais uma vez, apresentar à sociedade brasileira suas reflexões e apreensões diante da delicada conjuntura política, econômica e social pela qual vem passando o Brasil. Não compete à Igreja apresentar soluções técnicas para os graves problemas vividos pelo País, mas oferecer ao povo brasileiro a luz do Evangelho para a edificação de “uma sociedade à medida do homem, da sua dignidade, da sua vocação” (Bento XVI – Caritas in Veritate, 9).
O que está acontecendo com o Brasil? Um País perplexo diante de agentes públicos e privados que ignoram a ética e abrem mão dos princípios morais, base indispensável de uma nação que se queira justa e fraterna. O desprezo da ética leva a uma relação promíscua entre interesses públicos e privados, razão primeira dos escândalos da corrupção. Urge, portanto, retomar o caminho da ética como condição indispensável para que o Brasil reconstrua seu tecido social. Só assim a sociedade terá condições de lutar contra seus males mais evidentes: violência contra a pessoa e a vida, contra a família, tráfico de drogas e outros negócios ilícitos, excessos no uso da força policial, corrupção, sonegação fiscal, malversação dos bens públicos, abuso do poder econômico e político, poder discricionário dos meios de comunicação social, crimes ambientais (cf. Documentos da CNBB 50– Ética, Pessoa e Sociedade – n. 130)
O Estado democrático de direito, reconquistado com intensa participação popular após o regime de exceção, corre riscos na medida em que crescem o descrédito e o desencanto com a política e com os Poderes da República cuja prática tem demonstrado enorme distanciamento das aspirações de grande parte da população. É preciso construir uma democracia verdadeiramente participativa. Dessa forma se poderá superar o fisiologismo político que leva a barganhas sem escrúpulos, com graves consequências para o bem do povo brasileiro.
É sempre mais necessária uma profunda reforma do sistema político brasileiro. Com o exercício desfigurado e desacreditado da política, vem a tentação de ignorar os políticos e os governantes, permitindo-lhes decidir os destinos do Brasil a seu bel prazer. Desconsiderar os partidos e desinteressar-se da política favorece a ascensão de “salvadores da pátria” e o surgimento de regimes autocráticos. Aos políticos não é lícito exercer a política de outra forma que não seja para a construção do bem comum. Daí, a necessidade de se abandonar a velha prática do “toma lá, dá cá” como moeda de troca para atender a interesses privados em prejuízo dos interesses públicos.
Intimamente unida à política, a economia globalizada tem sido um verdadeiro suplício para a maioria da população brasileira, uma vez que dá primazia ao mercado, em detrimento da pessoa humana e ao capital em detrimento do trabalho, quando deveria ser o contrário. Essa economia mata e revela que a raiz da crise é antropológica, por negar a primazia do ser humano sobre o capital (cf. Evangelii Gaudium, 53-57). Em nome da retomada do desenvolvimento, não é justo submeter o Estado ao mercado. Quando é o mercado que governa, o Estado torna-se fraco e acaba submetido a uma perversa lógica financista. Recorde-se, com o Papa Francisco, que “o dinheiro é para servir e não para governar” (Evangelii Gaudium 58).
O desenvolvimento social, critério de legitimação de políticas econômicas, requer políticas públicas que atendam à população, especialmente a que se encontra em situação vulnerável. A insuficiência dessas políticas está entre as causas da exclusão e da violência, que atingem milhões de brasileiros. São catalisadores de violência: a impunidade; os crescentes conflitos na cidade e no campo; o desemprego; a desigualdade social; a desconstrução dos direitos de comunidades tradicionais; a falta de reconhecimento e demarcação dos territórios indígenas e quilombolas; a degradação ambiental; a criminalização de movimentos sociais e populares; a situação deplorável do sistema carcerário. É preocupante, também, a falta de perspectivas de futuro para os jovens. Igualmente desafiador é o crime organizado, presente em diversos âmbitos da sociedade.
Nas cidades, atos de violência espalham terror, vitimam as pessoas e causam danos ao patrimônio público e privado. Ocorridos recentemente, o massacre de trabalhadores rurais no município de Colniza, no Mato Grosso, e o ataque ao povo indígena Gamela, em Viana, no Maranhão, são barbáries que vitimaram os mais pobres. Essas ocorrências exigem imediatas providências das autoridades competentes na apuração e punição dos responsáveis.
No esforço de superação do grave momento atual, são necessárias reformas, que se legitimam quando obedecem à lógica do diálogo com toda a sociedade, com vistas ao bem comum. Do Judiciário, a quem compete garantir o direito e a justiça para todos, espera-se atuação independente e autônoma, no estrito cumprimento da lei. Da Mídia espera-se que seja livre, plural e independente, para que se coloque a serviço da verdade.
Não há futuro para uma sociedade na qual se dissolve a verdadeira fraternidade. Por isso, urge a construção de um projeto viável de nação justa, solidária e fraterna. “É necessário procurar uma saída para a sufocante disputa entre a tese neoliberal e a neoestatista (…). A mera atualização de velhas categorias de pensamentos, ou o recurso a sofisticadas técnicas de decisões coletivas, não é suficiente. É necessário buscar caminhos novos inspirados na mensagem de Cristo” (Papa Francisco – Sessão Plenária da Pontifícia Academia das Ciências Sociais – 24 de abril de 2017).
O povo brasileiro tem coragem, fé e esperança. Está em suas mãos defender a dignidade e a liberdade, promover uma cultura de paz para todos, lutar pela justiça e pela causa dos oprimidos e fazer do Brasil uma nação respeitada.
A CNBB está sempre à disposição para colaborar na busca de soluções para o grave momento que vivemos e conclama os católicos e as pessoas de boa vontade a participarem, consciente e ativamente, na construção do Brasil que queremos.
No Ano Nacional Mariano, confiamos o povo brasileiro, com suas angústias, anseios e esperanças, ao coração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil. Deus nos abençoe!
Aparecida – SP, 3 de maio de 2017.
Cardeal Sergio da Rocha
Arcebispo de Brasília
Presidente da CNBBDom Murilo Sebastião Ramos Krieger, SCJ
Arcebispo de São Salvador da Bahia
Vice-Presidente da CNBBDom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário-Geral da CNBBSaiba mais >
05.05.17







