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Greve geral no Brasil: dos anarquistas ao ‘derruba o general’
No próximo 28 de abril, centrais sindicais vão se unir em um movimento contra reformas propostas pelo governo Temer nas áreas previdenciária e trabalhista, além da recém-aprovada lei que amplia a terceirização. Para alguns, trata-se de um dia nacional de paralisação. Para outros, de uma greve geral, expressão mais popular e que no Brasil está completando 100 anos neste 2017.
O primeiro movimento de que se tem registro ocorreu em São Paulo, em meados de 1917, em um período de forte influência anarquista, mas também com participação dos socialistas. Era o início da organização operária no país. Época também marcante do início da mobilização social que daria suporte ao fim da chamada República Velha, no começo dos anos 1930, que ainda veria surgir, em 1937, o Estado Novo de Getúlio Vargas. Em 1943, viria a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), hoje objeto de “reformas” por parte do governo Temer, outro dos motivos para a paralisação do dia 28.
Depois da histórica greve de 1917, que durou três dias e paralisou a capital paulista, alguns movimentos foram registrados, por exemplo, nos anos 1950 – quando se consolidava um período de industrialização e de organização sindical no Brasil. Também durante e após a ditadura, na década de 1980, quando se cunhou o bordão “a greve geral derruba o general”, referência ao período autoritário.
1917: São Paulo parada
A cavalaria avançou contra os operários durante protesto diante da Tecelagem Mariângela, empresa do grupo Matarazzo inaugurada em 1904 na Rua Monsenhor Andrade, no bairro operário do Brás, centro paulistano, e tombada em 1992. No ataque, morreu com um tiro no peito o jovem José Martinez, 21 anos, espanhol, sapateiro e anarquista.
Era 9 de julho de 1917, ele havia chegado ao Brasil com sua família em janeiro. O cortejo fúnebre, dois dias depois, tomou a região central rumo ao Cemitério do Araçá, e depois para a Praça da Sé, em uma “das mais impressionantes demonstrações populares até então verificadas em São Paulo”, segundo relato de Edgard Leuenroth, tipógrafo, jornalista, condenado naquele ano como um dos articuladores da greve geral, a primeira de que se tem registro no Brasil. O movimento teria atingido 50 mil pessoas, quando a cidade tinha 500 mil habitantes.
Leuenroth (1881-1968) ajudou a formar um grande arquivo sobre a memória operária, hoje sob responsabilidade da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Naquele ano de 1917, criou o jornal A Plebe, sob orientação anarquista, que exercia forte influência entre os trabalhadores.
O cortejo de Martinez saiu da Rua Caetano Pinto, no Brás – onde hoje fica a sede nacional da CUT. A família do operário morava no número 91 daquela rua, um reduto da colônia italiana, cujo nome, dado um ano antes, faz homenagem a um tenente-coronel. A multidão se concentrou desde as 7h, “sob intenso frio e chuva fina”, conta o jornal Fanfulla: “Homens, mulheres e crianças acotovelavam-se e agitavam bandeiras vermelhas à espera do funeral”. Martinez era funcionário de fábrica de calçados Bebê, cujos empregados se organizaram para ajudar a família.
O corpo saiu às 8h30, e a cidade parou: Avenida Rangel Pestana, Ladeira do Carmo, Rua XV de Novembro, Rua São Bento, Viaduto do Chá, Rua Barão de Itapetininga, Praça da República, Avenida Ipiranga, Rua da Consolação. O povo foi estimado em 10 mil pessoas.
Já no cemitério, com discursos em português, italiano e espanhol, falaram, entre outros, Leuenroth, de A Plebe, e Thedoro Monicelli, do jornal socialista Avanti, relata a pesquisadora Christina Lopreato, em sua tese de doutorado em História, apresentada em 1996. Entre outras reivindicações, eles pediam soltura de grevistas, liberdade de organização e aumento salarial. Monicelli afirmou, segundo texto do Fanfulla citado pela pesquisadora, que era preciso “induzir o governo e o poder municipal a pôr fim no aumento dos gêneros alimentícios, pois de nada adiantava conseguir um aumento de 20% se os preços continuavam a subir”.
A Mariângela tinha 1.800 ou até 2.500 funcionários, conforme a fonte de informação, na maioria mulheres, que predominavam no setor têxtil. Também havia muitos menores de idade trabalhando em fábricas, onde não havia quaisquer “condições de trabalho”. Reajuste salarial era algo fora de cogitação.
Mas o operariado começava a se organizar. Até hoje, há um debate sobre as origens da greve de 1917: espontânea ou organizada? Alguns pesquisadores apontam a primeira opção, mas autores como Christina Lopreato e Luigi Biondi destacam que já havia uma organização em curso no Brasil. O mundo sofria novas influências.
“De forma geral, o ano de 1917 foi caracterizado mundialmente por toda uma série de protestos, motins e greves sem precedentes, cujo evento maior foi – como todos sabemos – a revolução russa, momento ligado exatamente a processos de organização sindical e política, no qual misturavam-se fenômenos de autoconstituição e de intervenção política e organizativa externa nas organizações operárias, mas que surgiam de um estado de revolta aberta que ia além da luta contratual entre empresários e trabalhadores usualmente praticada”, escreveu o professor Biondi em 2009.
Em reunião no mesmo dia 11, após o enterro de Martinez, o Comitê de Defesa Proletária e dezenas de organizações se reúnem e aprovam uma pauta com 15 itens. Eles querem libertação de presos durante a greve, garantia de não punição a quem participar do movimento, reajuste salarial, jornada de oito horas diárias, fim de exploração de mão de obra de menores e de mulheres no período noturno. Também foram incluídas reivindicações como redução no preço dos aluguéis e garantia de que inquilinos não fossem despejados.
No dia seguinte, 12 de julho, param padeiros, leiteiros, trabalhadores dos serviços de gás e luz. “A cidade amanheceu sem pão, sem leite, sem gás, sem luz e sem transporte. A atividade industrial foi paralisada. O comércio fechou as portas. Teatros, cinemas e casas de diversão adiaram as programações. O tráfego de bondes foi interrompido. (…) Os paulistanos jamais tinham presenciado um movimento de tal envergadura”, narra Christina Lopreato. Foram registrados vários confrontos pela cidade. A greve estava deflagrada. Outras pessoas morreriam em conflitos naqueles dias.
Alguns empresários cedem e concordam em dar 20% de aumento, entre eles um dos mais resistentes, o comendador Rodolfo Crespi, batizado de “Barão da Greve”. No dia 8, uma comissão de trabalhadores do Cotonifício Crespi havia reivindicado 20% de aumento, negado pela empresa, que tinha mais de 900 italianos entre seus 1.300 funcionários. O local abriga hoje um hipermercado, perto do estádio do Juventus, conhecido como Rua Javari, mas o nome oficial homenageia o comendador.
Uma comissão de jornalistas foi formada para intermediar um acordo. As negociações começaram no dia 14, um sábado, e prosseguiram pelo fim de semana, incluindo o presidente (equivalente a governador) de São Paulo, Altino Arantes. Surgiu uma proposta que incluiu libertação de presos, direito à associação, esforços para evitar altas de preços e falsificação de produtos alimentícios e medidas para evitar trabalho noturno de mulheres e menores de 18 anos. Três comícios foram realizados na segunda-feira, 16 de julho, no Largo da Concórdia, na Lapa e no Ipiranga, aprovando o acordo.
Foi “a primeira grande batalha do trabalho”, disse o Comitê de Defesa Proletária em manifesto. Se não conseguiram todas as reivindicações (desideratuns, no termo em latim), “ficará como exemplo para todos aqueles que contra o direito à vida das classes trabalhadores até hoje têm oposto a sua brutal resistência e violência”.
Fonte: RBA
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17.04.17
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Lei da terceirização aumentará ‘celeuma’ e processos, aponta parecer
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17.04.17
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Enquanto isso…. Reforma trabalhista: relator poderá apresentar parecer 4ª (12)
Foi convocada para esta quarta-feira (12), às 9h30, no plenário 2 da Câmara dos Deputados, reunião deliberativa da comissão especial da reforma trabalhista (PL 6.787/16) destinada à apresentação do parecer do relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN).
O projeto, do Poder Executivo, altera a legislação trabalhista, permitindo o contrato temporário de trabalho e a prevalência do negociado sobre o legislado para alguns direitos, tais como: parcelamento de férias, jornada de trabalho, banco de horas, entre outros pontos.
Conforme apurado, Marinho deverá apresentar substitutivo abordando entre outros temas, os seguintes:
1) Estabelecimento de parâmetros e critérios para a edição de súmulas trabalhistas;
2) Horas in itinere (trajeto casa trabalho e vice-versa);
3) Parcelamento e fruição de férias;
4) Fim da obrigatoriedade da contribuição sindical;
5) Trabalho da mulher;
6) Trabalho intermitente;
7) Trabalho a tempo parcial;
8) Terceirização;
9) Teletrabalho ou trabalho remoto;
10) Prevalência do negociado sobre o legislado;
11) Jornada 12h x 36h e insalubridade;
12) Estabelecimento de teto para reparação por dano moral;
13) Permissão de acordo extrajudiciais entre empregador e empregado (jurisdição voluntária);
14) Arbitragem individual nas relações de trabalho com base no valor da remuneração do trabalhador;
15) Distrato do contrato de trabalho;
16) Representante dos empregados na empresa;
17) Sucumbência recíproca;
18) Penalização pela litigância de má-fé.
Procedimentos para votação do parecer
Quanto aos procedimentos de votação e ao calendário de tramitação do projeto, destaque-se os seguintes aspectos:A votação não acontecerá logo após a apresentação do parecer. O relator deverá apresentar substitutivo ao projeto original. Fato que, regimentalmente, forçará a abertura do prazo de cinco sessões para a apresentação de emendas ao substitutivo.
Entretanto, para burlar o regimento, Marinho poderá apresentar parecer pela aprovação do projeto com emendas, sem oferecer um substitutivo. Caso isso ocorra, não será aberto prazo para apresentação de emendas e deverá ser concedida vista coletiva de duas sessões aos membros da comissão.
Caso se confirme a apresentação de substitutivo e decorrido prazo para apresentação de emendas, ao final desse prazo, o relator deverá apresentar novo parecer observando as novas emendas. Após a leitura do novo voto, deverá ser concedida vista coletiva de duas sessões aos membros da comissão.
Emendas ao texto
Houve número recorde de emendas ao texto. Foram, ao todo, apresentadas 850 emendas (sendo válidas 842, já que oito foram retiradas). Destas, 80% são de partidos da base do governo; de parlamentares ligados diretamente ao setor empresarial (urbano ou rural), de regiões com forte presença industrial e agropecuária. Parte dessas emendas foram para adicionar temas novos ou modificar os principais temas, portanto, para ampliar a chamada reforma trabalhista.Das 850 emendas, 468 foram aditivas, 272 modificativas, 109 supressivas e um substitutivo global.
A prevalência do negociado sobre o legislado — centro do projeto e principal item da agenda legislativa empresarial — foi o principal tema das emendas apresentadas. Foram 155 emendas sobre o assunto.
Foram apresentadas ainda 69 emendas sobre a ampliação do trabalho temporário, outras 66 sobre jornada de trabalho e 28 abordando o trabalho parcial. Além desses tipos de contrato de trabalho — temporário e parcial — novas modalidades como o trabalho intermitente e o trabalho remoto receberam emendas.
O tema “representação no local de trabalho” recebeu 52 emendas, 34 para “audiência de julgamento”, o tema “rescisão contrato de trabalho” recebeu 27, custas e emolumentos, 26, o tema férias, 23, e intervalo para repouso e alimentação, 22.
Veja a íntegra do parecer do relator
Veja resumo sobre o substitutivo apresentado pelo relator às lideranças partidárias
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11.04.17
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Greve do dia 28 será ‘termômetro’ contra reformas, diz Boulos
O próximo dia 28, data de uma paralisação nacional contra o governo Temer, “vai ser um verdadeiro termômetro de nossa resistência de barrar essa reforma draconiana da Previdência”, segundo o líder do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST) Guilherme Boulos. Segundo ele, que participou hoje (10) de seminário promovido pelo Sindicato dos Bancários de São Paulo, além de apoiar “o conjunto das greves” das categorias organizadas, os sem-teto participarão dos protestos com bloqueios de rodovias e avenidas por todo o país.
O presidente nacional da CUT, Vagner Freitas, disse que a expectativa é de realizar uma das maiores greves gerais da história do país. Ele destacou a realização, também nesta segunda-feira, de um plenária dos trabalhadores no setor de transportes no estado de São Paulo, com representantes de todas as centrais sindicais. “É um passo bem significativo para o sucesso da greve geral”.
“A gente acredita que será mais forte que o dia 15”, comentou, logo após a plenária, o presidente da Nova Central em São Paulo, Luiz Gonçalves, o Luizinho, referindo-se ao dia nacional de paralisação realizado em 15 de março. “O pessoal saiu convencido que tem de trabalhar forte para fazer um 28 de abril poderoso.”
A partir de agora, segundo ele, cada categoria fará plenárias e assembleias para discutir formas de participação no movimento. Os metroviários de São Paulo, por exemplo, têm assembleia marcada para amanhã (11) à noite. O sindicato dos motoristas e cobradores de ônibus urbanos da capital paulista também avaliam sua adesão à greve.
Na semana passada, a adesão de vários segmentos de transporte – ônibus, metrô, caminhões e companhias aéreas, entre diversas outras categorias – foi determinante para a greve geral convocada pela Confederação Geral do Trabalho (CGT) na Argentina.
Fonte: RBA
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11.04.17
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11.04.17
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Lei da terceirização: Rede entra com Adin no STF contra a norma
O partido Rede Sustentabilidade ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5685 contra a Lei 13.429/17, que trata da terceirização, sancionada pelo presidente da Repúbli ca no dia 31 de março. O relator da ação é o ministro Gilmar Mendes.
A lei trata do trabalho temporário nas empresas urbanas e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. De acordo com o partido, a norma apresenta inconstitucionalidade formal, uma vez que o Projeto de Lei 4.302 começou a tramitar em 1998 a partir de proposta do então presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, em 2003, o então presidente Lula requereu a retirada de sua tramitação por meio da Mensagem 389.
Segundo a Rede, o projeto de lei ficou parado no Congresso Nacional por mais de três legislaturas, sem que o requerimento de retirada fosse atendido ou lido pela Mesa da Câmara dos Deputados. “De modo surpreendente, o projeto de lei foi subitamente ressuscitado após a emissão de seus pareceres no próprio plenário da Câmara, momentos antes da votação, no dia 22/03/2017, com aprovação da matéria”, afirma.
Para a Rede, nada impediria que o Poder Legislativo optasse por propor e aprovar medida de igual teor, já que se está diante de matéria cuja competência para iniciativa é concorrente. Entretanto, o legislador não poderia ignorar o desejo de retirada da proposição por parte de seu autor, o Executivo, pois isso implicaria “grave perturbação da harmonia e independência dos Poderes constituídos”, sustenta.
Afrontas à Constituição
O autor defende a inconstitucionalidade material da lei, por entender que ela ofende, entre outros preceitos constitucionais, o princípio da proteção ao trabalho. O partido político lembra que a Carta de 1988 promoveu vigorosamente o movimento de constitucionalização do Direito do Trabalho.Esse movimento reflete, para a legenda, as principais escolhas valorativas do ordenamento jurídico brasileiro, no sentido da proteção ao valor social do trabalho e do trabalhador. E a ampliação irrestrita da terceirização, sem quaisquer cautelas mitigadoras dos seus perversos efeitos, dada a sua manifesta vocação predatória e precarizadora do mínimo equilíbrio desejável nas relações de emprego, sustenta a Rede, ofende de modo inequívoco o alcance normativo do preceito constitucional do princípio da proteção ao trabalho.
Terceirização x concurso público
Outro ponto atacado é a terceirização nas atividades da Administração Pública, que para a Rede viola frontalmente o preceito fundamental do concurso público, previsto no artigo 37 (caput e inciso II) da Constituição.“Permitir a terceirização das atividades institucionais de órgãos e entidades da Administração Pública afigura violação grave ao núcleo essencial do princípio constitucional do concurso público, uma vez que o objetivo essencial do seu comando normativo é a promoção da isonomia”.
A Rede pede a concessão de medida cautelar para suspender a eficácia da Lei nº 13.429/2017, até a decisão final do STF sobre a matéria. No mérito, pede o reconhecimento da inconstitucionalidade da norma questionada.
Mandados de Segurança
Antes da Adin, apresentada pela Rede imediatamente após o presidente Michel Temer sancionar o PL 4.302/98, partidos políticos já haviam peticionado junto ao STF quatro Mandados de Segurança questionando a tramitação do projeto e requerendo concessão de liminar para suspender a matéria até o julgamento do mérito dos Mandados.Ao despachar, o ministro solicitou as informações à Câmara dos Deputados em caráter de urgência, no prazo de três dias, sem prejuízo de complementação, em momento oportuno, do prazo de dez dias previsto na Lei do Mandado de Segurança (Lei 12.016/09), artigo 7º, inciso I.
Decisões
Os mandados de segurança (MS) 34708, 34711, 34714 e 34719, foram julgados pelo ministro Celso de Mello terça-feira (4), e publicado nesta quarta-feira (5).Para cada Mandado de Segurança foi dada a seguinte decisão: “julgo extinto este processo de mandado de segurança, sem resolução de mérito, seja pela prejudicialidade decorrente da conversão, em lei, da proposição legislativa questionada, seja pela perda superveniente da legitimidade ativa “ad causam” do ora impetrante, tornando sem efeito, em consequência, o ofício requisitório cuja expedição foi determinada em 23/03/2017.(…) Publique-se.”
Processo relacionado: ADI 5685
Lei da Terceirização: Rede Sustentabilidade entra com ADIN no STF contra a norma
O partido Rede Sustentabilidade ajuizou no Supremo Tribunal Federal (STF) a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5685 contra a Lei nº 13.429/2017, que trata da terceirização, sancionada pelo presidente da República no dia 31 de março. O relator da ação é o ministro Gilmar Mendes.A lei trata do trabalho temporário nas empresas urbanas e dispõe sobre as relações de trabalho na empresa de prestação de serviços a terceiros. De acordo com o partido, a norma apresenta inconstitucionalidade formal, uma vez que o Projeto de Lei 4302 começou a tramitar em 1998 a partir de proposta do então presidente Fernando Henrique Cardoso, mas, em 2003, o então presidente Lula requereu a retirada de sua tramitação por meio da Mensagem 389.
Segundo a Rede, o projeto de lei ficou parado no Congresso Nacional por mais de três legislaturas, sem que o requerimento de retirada fosse atendido ou lido pela Mesa da Câmara dos Deputados. “De modo surpreendente, o projeto de lei foi subitamente ressuscitado após a emissão de seus pareceres no próprio plenário da Câmara, momentos antes da votação, no dia 22/03/2017, com aprovação da matéria”, afirma.
Para a Rede, nada impediria que o Poder Legislativo optasse por propor e aprovar medida de igual teor, já que se está diante de matéria cuja competência para iniciativa é concorrente. Entretanto, o legislador não poderia ignorar o desejo de retirada da proposição por parte de seu autor, o Executivo, pois isso implicaria “grave perturbação da harmonia e independência dos Poderes constituídos”, sustenta.
Afrontas à Constituição
O autor defende a inconstitucionalidade material da lei, por entender que ela ofende, entre outros preceitos constitucionais, o princípio da proteção ao trabalho. O partido político lembra que a Carta de 1988 promoveu vigorosamente o movimento de constitucionalização do Direito do Trabalho.Esse movimento reflete, para a legenda, as principais escolhas valorativas do ordenamento jurídico brasileiro, no sentido da proteção ao valor social do trabalho e do trabalhador. E a ampliação irrestrita da terceirização, sem quaisquer cautelas mitigadoras dos seus perversos efeitos, dada a sua manifesta vocação predatória e precarizadora do mínimo equilíbrio desejável nas relações de emprego, sustenta a Rede, ofende de modo inequívoco o alcance normativo do preceito constitucional do princípio da proteção ao trabalho.
Terceirização versus concurso público
Outro ponto atacado é a terceirização nas atividades da Administração Pública, que para a Rede viola frontalmente o preceito fundamental do concurso público, previsto no artigo 37 (caput e inciso II) da Constituição.“Permitir a terceirização das atividades institucionais de órgãos e entidades da Administração Pública afigura violação grave ao núcleo essencial do princípio constitucional do concurso público, uma vez que o objetivo essencial do seu comando normativo é a promoção da isonomia”.
A Rede pede a concessão de medida cautelar para suspender a eficácia da Lei nº 13.429/2017, até a decisão final do STF sobre a matéria. No mérito, pede o reconhecimento da inconstitucionalidade da norma questionada.
Mandados de Segurança
Antes da ADIN, apresentada pela REDE imediatamente após o presidente Michel Temer sancionar o PL 4302/1998, partidos políticos já haviam peticionado junto ao STF quatro Mandados de Segurança questionando a tramitação do projeto e requerendo concessão de liminar para suspender a matéria até o julgamento do mérito dos Mandados.
Ao despachar, o ministro solicitou as informações à Câmara dos Deputados em caráter de urgência, no prazo de três dias, sem prejuízo de complementação, em momento oportuno, do prazo de dez dias previsto na Lei do Mandado de Segurança (Lei nº 12.016/2009), artigo 7º, inciso I.
Decisões
Os Mandados de Segurança (MSs) 34708, 34711, 34714 e 34719, foram julgados pelo ministro Celso de Mello nesta terça-feira, 4/04, e publicado dia 5.Para cada Mandado de Segurança foi dada a seguinte decisão: “julgo extinto este processo de mandado de segurança, sem resolução de mérito, seja pela prejudicialidade decorrente da conversão, em lei, da proposição legislativa questionada, seja pela perda superveniente da legitimidade ativa “ad causam” do ora impetrante, tornando sem efeito, em consequência, o ofício requisitório cuja expedição foi determinada em 23/03/2017.(…) Publique-se.”
Processos relacionados
ADI 5685Fonte: Diap
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10.04.17
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Comissão amplia estabilidade para mulher em licença-maternidade
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10.04.17
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As mulheres na reforma da Previdência é tema de Nota Técnica do Dieese
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) coloca disponível Nota Técnica sobre a reforma da Previdência. Trata-se do estudo “As mulheres na mira da Reforma da Previdência”.
Conforme o documento, a proposta de reforma da Previdência e da Assistência enviada pelo Executivo ao Congresso Nacional, na forma da Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 287/16, tem entre os propósitos a correção de “distorções e inconsistências do atual modelo”, criando regras únicas de acesso à aposentadoria para todos os trabalhadores.
Em outras palavras, a proposta pretende acabar com o princípio da solidariedade social, que está presente na concepção de Previdência desde a promulgação da Constituição Federal (CF) de 1988 e que busca dar tratamento diferenciado a segmentos populacionais com condições desiguais de inserção no mercado de trabalho.
Se essa estratégia de uniformização for aprovada, as mulheres, em particular, serão muito penalizadas. Com as novas regras, elas teriam que atender aos mesmos critérios fixados para os homens e passariam a ter direito de acesso à aposentadoria somente aos 65 anos de idade, desde que completassem 25 anos de contribuição, pelo menos.
Ou seja, as mulheres seriam afetadas tanto pela elevação da idade mínima quanto pelo aumento do tempo mínimo de contribuição e, mais ainda, pela combinação desses dois novos requisitos. Além disso, o requisito de idade mínima valeria independentemente do fato de as mulheres trabalharem na área urbana ou rural, no serviço público ou na iniciativa privada, na educação básica ou nas demais ocupações.
Acesse a íntegra da Nota Técnica 171 de março de 2017
Fonte: Diap
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10.04.17
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CNBB apoia sindicatos e movimentos sociais contra reformas do governo Temer
O bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Leonardo Ulrich Steiner, recebeu o presidente da CUT, Vagner Freitas, o diretor nacional da CTB Paulo Vinícius Santos da Silva, o secretário-geral da Intersindical, Edson Carneiro, o Índio, e o dirigente do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST) Vitor Guimarães. As tentativas de reformas promovidas pelo governo Temer foram o tema da reunião.
O encontro ocorreu na sede da CNBB nesta quarta-feira (5), em Brasília, e serviu como ponto de partida do diálogo entre as centrais e os movimentos sociais com a mais importante autoridade católica do país. Para o bispo, hoje a população precisa ter conhecimento das medidas que estão sendo tomadas pelos três poderes que comprometem as garantias já conquistadas desde a redemocratização. “É o momento de chegarmos nas pessoas pois a mídia não está possibilitando fazer com que a população entenda a gravidade do que está acontecendo e o que aparece nos meios de comunicação é muito favorável às reformas”, analisou Dom Leonardo.
Vagner Freitas pediu apoio da CNBB à greve geral que será organizada pelas centrais sindicais no dia 28: “Precisamos de apoio mais que político, humanitário! Hoje o aposentado é arrimo de família com o benefício da previdência, pois a maioria dos filhos e netos estão desempregados”. Vagner reafirmou que a nota da CNBB foi fundamental para alertar a sociedade dos malefícios da reforma da Previdência.
Para o representante da CTB, o país vive um momento grave de ataque à democracia que se expressa também nas medidas contra os trabalhadores. “Isso faz parte de um processo de desestabilização em toda América Latina”, observou Paulo Vinícius. Índio, da Intersindical, disse que a Igreja tem capilaridade para aprofundar o debate. “É importante trazer elementos para a sociedade se proteger dessas medidas.”
Dom Leonardo ressaltou a importância dos sindicatos e dos movimentos sociais para a defesa da democracia e dos direitos dos trabalhadores. O bispo se comprometeu, ainda, a levar à Assembleia Geral da CNBB, programada para 26 de abril a 5 de maio, o resultado da reunião como subsídio para redigir uma mensagem aos trabalhadores no 1º de Maio. Ele também manifestou preocupação com a situação dos povos indígenas, que ficaram ainda mais vulneráveis devido às medidas de desmonte das políticas indigenistas realizado pelo governo Temer.
Fonte: RBA
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10.04.17
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Relator vai incluir em reforma o fim da contribuição sindical
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10.04.17
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Temer tenta driblar pressão popular, mas perde base no Congresso
O recuo do governo de Michel Temer em alguns pontos da reforma da Previdência demonstra que o presidente da República já sofre os efeitos das manifestações populares e dos cálculos que deputados e senadores já fazem para as eleições de 2018. Os ataques do líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (AL), às reformas governistas e ao próprio Temer indicam que o ocupante do Palácio do Planalto corre grande risco de ser abandonado no meio do caminho, pelo menos na reforma que seria a grande “bandeira” de seu governo.
“Esses recuos se dão em função de pressão popular e da completa impossibilidade de esse texto (da Proposta de Emenda à Constituição-PEC 287) ser absorvido. Não existe negociação com essa reforma”, diz a líder do PCdoB na Câmara, Alice Portugal (BA).
Na opinião deputado Enio Verri (PT-PR), ao contrário do que diz Temer, o anúncio das mudanças é a primeira grande vitória dos movimentos sociais e dos partidos de oposição no Congresso Nacional. O presidente afirmou que a alteração no texto não pode ser considerada um recuo, mas “uma questão de obediência ao que o Congresso Nacional sugere”.
Para Verri, com as manifestações de 8, 15 e 31 de março, somadas às últimas votações na Câmara, o quadro vai ficando mas claro. “A cada iniciativa que toma, Temer perde mais base social e ao mesmo tempo perde base de apoio na Câmara.” No dia 29 de março, o governo foi derrotado na votação da PEC 395, que instituía a cobrança de mensalidades em universidades públicas. O texto precisava de 308 votos para ser aprovado, mas obteve 304. Nesta quinta (6), estava prevista votação do projeto da renegociação da dívida dos estados, mas, sem acordo e com quórum baixo, a votação foi adiada.
O líder do PT, Carlos Zarattini (SP), diz que Temer “mexeu em aspectos secundários” da PEC 287, e que o recuo, antes mesmo da “primeira batalha”, na comissão especial da Reforma da Previdência, foi a primeira vitória do movimento social e dos partidos de oposição. “Ainda que a gente não saiba exatamente o que vão propor.” O petista lembra que os “pilares” da PEC 287 (os 65 anos de idade, o mínimo de 25 anos de contribuição e os 49 anos de contribuição para receber benefício integral) estão intocados.
“As mobilizações provocaram uma série de distúrbios internos na base desse governo sem representatividade, sem voto e sem compromisso com os direitos sociais. Nesse sentido, a base iniciou um processo de rebeldia. A gota d’água é a pesquisa que mostra 241 deputados contra a reforma da Previdência como ela está”, lembra Alice Portugal . “Com a continuidade da pressão, quem sabe a gente derrote de vez o mais cruel documento que já apreciamos no Congresso Nacional em relação a direitos previdenciários dos trabalhadores brasileiros”, diz.
Segundo levantamento publicado pelo jornal O Estado de S. Paulo de quarta-feira (5), a PEC 287 seria hoje rejeitada por 241 deputados, mesmo amenizada.
O governo anunciou que mudará cinco pontos da PEC: a aposentadoria de trabalhadores rurais, os benefícios de prestação continuada (BPC), as pensões, a aposentadoria de professores e policiais e as regras de transição para o novo regime previdenciário. Mas não detalhou as mudanças.
“Não é suficiente”, diz o deputado Júlio Delgado (PSB-MG). Ele também cita a questão da idade no texto da reforma como um ponto fundamental que não foi mudado. Embora o governo esteja prometendo mexer nas regras de transição, “no tempo de contribuição ainda não se falou”. “Com isso tudo, fica a desconfiança por parte do cidadão. Não vejo muito alento para se imaginar que essas alterações anunciadas são suficientes. A dificuldade continua”, acrescenta Delgado.
Para Enio Verri, ao anunciar os pontos de mudança, o governo usa a estratégia de atender a setores mais organizados da sociedade, como professores e policiais, setor organizado da agricultura, em especial a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares). A ideia do governo, avalia, é usar esses setores que têm grande capacidade de pressão e mobilização para desmobilizá-los e diminuir a pressão social.
Mas, segundo Verri, a tentativa de Temer fracassará. Na terça feira (4), em uma reunião com representantes da CUT, CTB, Contag, Intersindical e Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) já se sabia que Temer retiraria alguns pontos ou tentaria negociar separadamente para desmobilizar. “Fechamos que não importa o que ele ofereça a um setor ou outro, mantemos de pé a greve geral dia 28 de abril e a posição de votar radicalmente contra a reforma de Previdência e trabalhista.”
Renan Calheiros
Para os deputados ouvidos pela RBA, o afastamento de Renan Calheiros do governo é uma decisão calculada e típica da “velha raposa” de Alagoas. “Renan não é burro. Tem uma visão estratégica de longo prazo e uma capacidade de sobrevivência política gigantesca. Está fazendo o que sempre fez: lentamente vai se afastando daquele que está em baixa e aproximando-se do que está crescendo, que é Lula”, diz Enio Verri.
Para Zarattini, Renan “está refletindo” a opinião da população, principalmente a do Nordeste, onde o crescimento de Lula é muito grande. “Ele está acompanhando e seguindo o eleitorado dele, que está completamente contrário ao governo Temer e a favor da volta do Lula.”
Na opinião de Júlio Delgado, o rompimento é um gesto claro de quem tem mais capacidade política. “Lógico que Renan está olhando a eleição de Alagoas, que é um reduto petista, e onde o PT se fortaleceu muito com os equívocos do governo Temer. Acho que o afastamento não tem volta.”
Alice lembra que Renan é pai do governador de Alagoas, Renan Filho, que o senador pretende levar de volta ao Palácio do Governo em Maceió. Com a pressão popular, Renan não demonstra hesitação. “Ele se inclina de maneira bastante rápida em direção ao ex-presidente Lula.”
Fonte: RBA
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Herança trágica do neoliberalismo, crise desorganiza e empobrece os trabalhadores
“Se existe um legado trágico do neoliberalismo é a desorganização dos trabalhadores. Soma-se a isso uma pauperização enorme que torna precárias as condições para retomar qualquer movimento”, avaliou a economista e professora da Universidade de Brasília (UnB) Maria Mollo. “E a verdade é que para transformar qualquer sociedade é preciso de organização dos trabalhadores.”
Com o tema “Tendências da crise mundial do capitalismo”, Maria traçou, , durante o Seminário 100 anos da Revolução Russa e 95 do PCdoB, realizado na quinta-feira (30), em São Paulo, um panorama geral das crises do capitalismo, em especial a chamada Grande Recessão de 2008, desencadeada por inadimplência em financiamentos de alto risco (subprime) nos Estados Unidos. Deixando de lado os fatores técnicos que levaram parte da economia global a uma recessão, a professora se concentrou em analisar as crises como naturais do sistema capitalista.
“Existem duas visões mais fortes, marxistas, sobre a causa da crise. A primeira tem relação com a queda da taxa de lucro, uma tendência observada pelo próprio Marx em 1897.” Nesta visão, o último ciclo de ascensão teria sua recessão na crise de 1929. “Os que defendem que a crise de 2008 tem essa mesma característica, entendem que, na década de 1970, os mercados experimentaram uma queda na taxa de lucro, mas não o suficiente. Como se o capital não tivesse desvalorizado tanto quanto pede o sistema para que se inicie um novo ciclo”, disse.
Maria Mollo é objetiva. Para ela, a crise é reflexo do neoliberalismo. “O capitalismo neoliberal e a financeirização das economias vieram como uma tentativa do capital de se desvincular, fugir, de regulamentações que reduzem os lucros. Eles conseguiram isso com a financeirização, que fez, na década de 1980, subir de forma moderada a taxa de lucro. Mas apesar dessa recuperação houve uma série de desequilíbrios após esse período, como o aumento das dívidas (interna e externa) e o endividamento dos consumidores, o que fragilizou a economia.”
Tal fragilidade trazida pela financeirização das economias seria, na visão da economista, a razão da crise de 2008. “A separação da propriedade do capital e da gestão do capital fez com que houvesse um crescimento enorme nos riscos, nos endividamentos, na especulação. Isso tudo faz descolar a finança da produção. Mas tudo tem um limite. O limiar é a crise”, argumenta.
A professora da UnB utiliza o conceito marxista de “capital fictício” para explicar o tema. “Esse capital se desenvolve ao longo do tempo e deu origem a uma forma diferente de capitalismo. Essa forma está sendo colocada em xeque. De fato, todos nós sabemos que se há um traço característico do capitalismo atual é a supremacia da economia financeira sobre a produtiva”, disse. Segundo essa visão, o dinheiro em si, que circula nos mercados sem passar pela produção, vale mais do que o produto e o trabalho que o produzem de fato.
“Ações de uma empresa se valorizam de forma diferente do capital que lhes deu origem. As ações reais são omitidas para dar dinheiro para as empresas. Depois de ir para a bolsa, as ações se valorizam independentemente do que acontece na produção. Essa é a valorização do capital fictício”, disse.
A criação desse dinheiro sem passar pela produção ou agregar mão de obra, para Maria, é a base do neoliberalismo, e é razão de desigualdade e despertar de crises. “Você compra e vende papel, deixando de investir de fato, deixando de empregar e produzir. Não existe valorização de nada real nesse sistema.”
“Mas o que sustenta a demanda por esse capital fictício?”, questiona a professora. “Os recursos das produções reais, os lucros e salários. Mas como o dinheiro não volta como investimentos, isso foi levando o mercado a um arrefecimento da geração de lucros reais e valorização de salários. E isso reduziu a demanda e desvalorizou os títulos. E com a desvalorização, as pessoas vendem as ações. Essa venda em massa provoca o que Marx chamou de crise financeira, que se desenvolve no mercado financeiro, mas contamina a economia como um todo”, afirmou.
Retomada e contradições
A professora considera improvável a retomada da economia sob esse modelo. Se as crises funcionam como mecanismo para queimar o excesso de capital fictício, após 2008 o mundo passou a ver uma mudança no comportamento do Estado, em especial dos Estados Unidos. “Por mais que digam que a economia está retomando, isso é mentira. Existe um fator novo no modelo: o governo está injetando um monte de dinheiro na economia”, disse.
Então, para Maria, a crise está longe de uma solução. “O capital fictício foi a razão da crise e a financeirização não foi interrompida. Todas as políticas de austeridade que o mundo todo pratica só beneficiam o credor e o financista. Nunca beneficiam o produtor, a não ser que tenha dinheiro aplicado. Isso porque não tem demanda, e como não beneficia o trabalhador, ele perde seu emprego, o que reduz ainda mais a demanda”.
“Se você injeta dinheiro na crise, você impede que a crise de liquidez se transforme em crise de dissolvência”, disse em referência à crise de 1929. “Sempre quem paga a crise é o trabalhador, em particular o menos remunerado. Hoje, eles continuam injetando dinheiro, mas sem solução. Isso, porque quando há incertezas em cima da demanda, o capitalista não investe. Segura o dinheiro que o Estado injetou”, disse.
Então, diante de uma crise, o Estado deveria apostar em políticas anticíclicas, para Maria. Isso, porque sem fortalecer a demanda, os trabalhadores, os possíveis investidores se restringem ao mercado financeiro, fictício, segurando o capital. “A desconfiança é tão grande, e sem segurança não tem investimento. Para isso, só o Estado entrando e ele investindo. E o que o Estado tem feito? Austeridade. Isso significa que o Estado não gasta no lado certo, faz o contrário do que precisa fazer para relançar a economia de forma anticíclica.”
“A crise é reflexo do capital neoliberal tentando se desvencilhar das regulações do Estado”, continuou. E o problema central, para a professora, é que essa pauperização da classe trabalhadora desmobiliza, e “para transformar a sociedade é preciso organização dos trabalhadores. Em situações adversas, não há como organizações de trabalhadores se fortalecerem. Não é possível porque quem está desempregado está louco para arranjar qualquer bico para comer. Isso não organiza ninguém”, disse.
Logo, a professora conclui que a desigualdade tende a ser crescente com esse “terrível legado” do neoliberalismo: “A desorganização dos trabalhadores com pauperização enorme que torna precárias as condições para retomar movimentos transformadores”.
Fonte: RBA
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Centrais sindicais lançam material unitário convocando para greve geral em 28 de abril
Com o objetivo de conscientizar as bases e a sociedade de forma geral sobre os impactos das reformas da Previdência e Trabalhista e a Terceirização, as centrais sindicais lançaram, na última sexta-feira (31), material unitário convocando a classe trabalhadora a construir o “Abril de lutas” e parar o Brasil no dia 28 de abril.
De forma objetiva, o material explica o que está por trás das propostas de Michel Temer e denuncia, ponto a ponto, o que pode acabar caso as propostas de reformas da Previdência e Trabalhista sejam aprovadas. As centrais também elencam as perdas com sanção da terceirização na última sexta-feira (31), por Michel Temer.
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04.04.17
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Orlando Silva, presidente da Comissão do Trabalho, e os leões da Câmara: “Sentiram o calor das ruas”
A noite desta segunda-feira (3) foi agitada no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo – por lá passaram centenas de sindicalistas e acadêmicos para prestigiar o ato de posse da nova presidência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) passará a coordenar os trabalhos naquele espaço.
Orlando Silva foi eleito, na realidade, no dia 23 de março, há pouco mais de uma semana. A comemoração atrasada, no entanto, era necessária: “É preciso sentir o povo, sentir a energia das pessoas que lutam ao seu lado”. Falando ao auditório lotado, o deputado usou seu discurso inaugural para enfatizar a necessidade de reconstrução democrática, seguindo o golpe de Estado de 2016.
“Esse ato tem a finalidade de firmar compromisso público com os direitos dos trabalhadores e com a defesa da Justiça do Trabalho, que está sendo muito atacada”, disse, arrancando aplausos efusivos. “No fundo, isso é firmar um compromisso com o país. Nós já passamos por momentos mais difíceis do que esse e soubemos sair num patamar ainda superior. E a solução é pela política – esse ato é uma convocação para que os nossos amigos trabalhadores e sindicalistas tenham mais compromisso com ela. Se a democracia brasileira foi atingida duramente no último período, nós temos que ter o compromisso de tecer novamente o tecido democrático, refazê-lo e garantir mais participação e protagonismo dos trabalhadores”, avaliou.
Para o representante, as medidas de austeridade extrema promovidas por Michel Temer terão um efeito negativo sobre o equilíbrio econômico do país, ao invés de saná-lo. Ele afirmou que sua intenção à frente da Comissão será a de priorizar pautas de temas sociais, como os serviços públicos, e defender o papel do Estado como indutor de direitos sociais e dos trabalhadores.
“É um momento muito difícil, mas o certo é que é o trabalho produz a riqueza, o trabalho produz a vida, o trabalho produz a dignidade para o nosso povo”, resumiu, arrancando mais reações acaloradas. Ele fez uma oposição desse valor com as “velhas ideias” empurradas pelo governo golpista, e fez especial crítica às mudanças na CLT e na Lei da Terceirização.
Sua mensagem final, no entanto, foi positiva: “A luta que estamos fazendo já teve impacto no Congresso, amigos. Depois das manifestações do dia 15, a oposição [a Temer], que não passa de 100 deputados, alcançou 188 votos contra a terceirização – já melhorou. Vocês acham que esses votos que se juntaram a nós foi porque nós fizemos um discurso bonito para o Plenário e convencemos os deputados? Foi não, pessoal. Foi porque eles sentiram o calor das manifestações. Eu confesso pra vocês, depois do dia 15, tiveram outras manifestações, e o bom é que está espalhando! Os protestos se espalham da cidade grande para a cidade média para a cidade pequena, e é desse jeito que a coisa chega lá no Congresso Nacional”.
Fonte: Portal CTB
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Negociado sobre legislado recebe maioria de emendas na reforma trabalhista
A prevalência de acordos e convenções coletivos entre patrões e empregados sobre a legislação, ponto central da chamada reforma trabalhista (PL 6.787/16), foi o principal tema das 842 emendas apresentadas à proposta do governo, anunciou a Agência Câmara.
Essa também é a espinha dorsal do texto enviado pelo Executivo em dezembro do ano passado. Foram 155 emendas sobre o tema, 18,4% do total.
Pela proposta, o acordo coletivo vai prevalecer para 13 pontos específicos, entre eles plano de cargos e salários e parcelamento de férias anuais em até três vezes. Veja no quadro ao lado os pontos da proposta original.
As emendas tratam de cerca de 110 temas diferentes, desde a proibição de revista íntima dos trabalhadores pela empresa até o trabalho de adolescentes. Os assuntos que receberam mais sugestões já estão tratados na proposta do Executivo como a duração da jornada de trabalho, o trabalho temporário e o representante dos trabalhadores nas empresas.
A homologação da rescisão do contrato de trabalho, que teve 29 emendas apresentadas, é relacionada a uma das principais fontes de disputas judiciais atualmente no País.
Cerca de 58% dos 10 milhões de processos na Justiça do Trabalho, atualmente, tratam de rescisão do contrato de trabalho, de acordo com o estudo Justiça em Números, do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), de 2016.
Recorde
A reforma trabalhista foi a terceira recordista em emendas entre as propostas que já passaram por comissões especiais da Câmara.Ela ficou atrás da então proposta do Plano Nacional de Educação (PNE, atual Lei 13.005/14) de 2014 a 2024, com 3.365 emendas; e do Código de Processo Civil (atual Lei 13.105/15), com 900 emendas.
Normalmente, as comissões especiais são criadas quando mais de três comissões temáticas vão discutir um tema, ou em projetos de códigos, por exemplo.
Para o relator da proposta, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), o número de emendas revela uma “demanda reprimida” em alterar a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT, Decreto-lei 5.452/43).
“Há uma necessidade da sociedade, da economia como um todo, de modernizar essa legislação. Esse é um fato inquestionável demonstrado pelos números”, disse.
O prazo para apresentação de emendas terminou em 22 de março. Oito delas foram retiradas pelos autores.
Fonte: Diap
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Previsão de economia não é ciência exata, diz Meirelles sobre reforma
Último a falar na última audiência pública realizada pela comissão especial que analisa a reforma da Previdência, hoje (30), o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, reiterou seu discurso sobre compromisso com responsabilidade fiscal e escapou de algumas perguntas feitas por deputados integrantes do colegiado. Sobre projeções feitas pelo governo para justificar as mudanças, disse que “economia é previsão” e por isso as estimativas são fundamentais. “Previsão de economia não é uma ciência exata”, afirmou. O deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP) havia questionado a respeito de projeções para 2060, comentando que economistas erram previsões para períodos em um mesmo ano.
O relatório do deputado Arthur Maia (PPS-BA) deverá ser conhecido “em alguns dias”, segundo o presidente da comissão especial, Carlos Marun (PMDB-RS). Maia fez um discurso alinhado ao governo, o que a certa altura da sessão levou a deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ) a afirmar que ele teria de se decidir entre ser relator ou porta-voz.
O ministro da Fazenda desta vez optou por uma resposta mais moderada à pergunta sobre o que aconteceria caso a reforma do governo não fosse aprovada. “Prefiro responder que se for aprovada o Brasil crescerá de forma mais consistente, mais sustentável”, comentou, ao lado do secretário da Previdência, Marcelo Caetano, que integra um conselho de fundo privado de previdência, o BrasilPrev. No início desta semana, o Conselho de Ética da Presidência da República rejeitou denúncia contra o secretário, mas recomendou que ele deixasse o cargo por “potencialidade de conflito” entre interesses públicos e privados.
Meirelles reafirmou que “a economia já começou a se recuperar, já começou de fato da dar sinais inequívocos de melhora”, citando dois itens (transporte nas estradas e consumo de energia) para sustentar sua análise. Segundo ele, o que limita a economia é o elevado gasto público. Disse ainda que o emprego “certamente vai reagir” e que o Produto Interno Bruto (PIB) deverá crescer 2,7% no último trimestre deste ano, em comparação a igual período de 2016. Para o ministro, não haverá “cidades fantasmas” com o impacto da reforma, porque as pessoas continuarão se aposentando.
Empresas de mídia
Ele não respondeu, por exemplo, se as empresas de comunicação ficam de fora dos setores que perdem a desoneração, conforme anunciado ontem pela Fazenda. O questionamento foi feito por Pepe Vargas (PT-RS). O ministro comentou que para empresas “altamente intensivas em mão de obra nós mantivemos para acompanhar o comportamento”. “Mas, de novo, estamos olhando com muito rigor o efeito das desonerações”, emendou. Conforme dados da Fazenda, as empresas de rádio, TV e prestação de serviços de informação mantêm-se entre os setores preservados. A lista inclui ainda transporte rodoviário coletivo de passageiros (ônibus), transporte metroviário e ferroviário (metrô e trem), construção civil e obras de infraestrutura.
O ministro também escapou de uma pergunta mais incisiva de Alessandro Molon (Rede-RJ) sobre contribuição para os trabalhadores rurais. “O senhor acha que hoje as condições de trabalho são boas no campo? A realidade majoritária não é aquela (da propaganda feita pelo setor de agronegócio).” Meirelles disse apenas que o período de contribuição para os rurais será menor. Sobre igualdade de tempo de contribuição e idade para homens e mulheres, repetiu que segue uma “tendência internacional” e que elas têm “tempo médio de sobrevida à aposentadoria” maior que os homens. “Deve-se lembrar também que cada vez mais existem condições iguais no mercado de trabalho.”
Questionado pela oposição sobre os juros e combate a devedores da Previdência, Meirelles disse que uma das razões para o país ter a maior taxa do mundo é a dívida pública crescente. E que a Receita cumpre “de forma consistente” seu papel.
Fonte: RBA
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31.03.17
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Pesquisa Ipsos: país está no ‘rumo errado’ para 90% dos brasileiros
Segundo o Barômetro Político, pesquisa nacional do instituto Ipsos parcialmente divulgada nesta quinta-feira (30), 90% dos entrevistados afirmam que o Brasil está no caminho errado.O estudo mostra que a avaliação do governo Temer piorou, com sua rejeição subindo de 59%, no mês anterior, para 62%. Individualmente, o presidente Michel Temer é desaprovado por 78%, terceiro pior índice de popularidade entre os políticos, sendo superado apenas por seus correligionários (ex-deputado cassado) Eduardo Cunha (87%) e o senador Renan Calheiros (83%).
A pesquisa ouviu 1.200 pessoas e perguntou sobre a avaliação de 26 figuras do cenário político, nas cinco regiões do país durante a primeira quinzena deste mês. Entre os mais populares, lideram dois não políticos: o juiz Sérgio Moro, com 63% de aprovação, e o ex-ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Joaquim Barbosa, com 51%.
Entre os índices de aprovação de políticos, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva lidera com 38% de avaliação positiva. Entre os tucanos, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), tem 16% de aprovação, seguido do prefeito de São Paulo, João Dória (16%), e o senador Aécio Neves (MG), com 11%.
A presidenta do STF, ministra Cármen Lúcia, marcou 26% e os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso (PSDB), Dilma Rousseff (PT) e a ex-senadora Marina Silva (Rede-AC) registraram 23% de aprovação entre os entrevistados. O deputado Jair Bolsonaro (PSC-RJ) é aprovado por 14%.
Os resultados da pesquisa foram antecipados à BBC Brasil.
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Câmara rejeita pós-graduação paga em universidades públicas
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30.03.17
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Com apoio da CTB, o site “Previdência, mitos e verdades” desmascara discurso oficial da reforma
Comprometida em defender e também informar a classe trabalhadora e sua base sindical, a CTB aposta em uma comunicação focada nos direitos sociais e trabalhistas.
Atualmente, o desmonte destas garantias está na ordem do dia e, para enfrentar este debate e ampliar o seu alcance, aprofundando o seu entendimento junto às bases, a central selou nesta terça-feira (28) uma parceria com o site “Previdência, mitos e verdades“.
Coordenado pelo jornalista Antonio Martins (abaixo, à esq.), o site veicula notícias, entrevistas, artigos e análises sobre a “reforma”da Previdência Social (Proposta de Emenda à Constituição 287), em contraposição ao discurso e campanhas oficiais do governo e da mídia tradicional.
“Ao contrário de outros temas que o governo impôs ao país quase sem debate, no caso da Previdência o discurso do governo está sendo enfrentado e sofrendo derrotas”, diz Martins.
Ele destaca que a “galáxia de mídias alternativas” que atua no país tem um papel nisso, à medida que vem ajudando a difundir os males que a PEC 287 trará aos brasileiros, especialmente aos mais pobres, e a desconstruir falsas informações vendidas como verdades pelos grandes meios de comunicação.
A proposta do site é “desmascarar”, em cada reportagem, a “reforma” defendida pelo governo federal. “Nossos métodos são a reportagem, a investigação e análises profundas. Recusamos a superficialidade e não somos panfletários. Confiamos na autonomia e no espírito crítico dos leitores”, diz o texto de apresentação do site.
Os principais destaques do site também podem ser acessados no Portal CTB.
Portal CTB
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30.03.17
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Hoje, 30/03, Dia Internacional da FSM em apoio à luta do povo palestino
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30.03.17







