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Por fraude em terceirização, Pirelli é condenada em R$ 1 milhão
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08.03.17
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Justiça nega recurso do governo e mantém decisão de publicar ‘lista suja’
A Justiça do Trabalho negou recurso do governo contrário à divulgação da chamada “lista suja”, com a relação dos empregadores que usam mão de obra análoga à escravidão. Com isso, o Ministério do Trabalho continua obrigado a divulgar o cadastro, o que ainda não aconteceu. O recurso foi apresentado pela Advocacia-Geral da União na última sexta-feira (3) e negado na segunda (6) pelo presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT10), no Distrito Federal, Pedro Luís Vicentin Foltran. A divulgação está suspensa há mais de dois anos. Para o magistrado, impedir a divulgação do cadastro “acaba por esvaziar” a política de Estado de combate ao trabalho escravo.
O desembargador Foltran disse entender que uma divulgação equivocada causar danos, mas observou que a União estava questionando uma portaria feita exatamente para aprimorar as regras. “Não se ignora a potencialidade nociva que a divulgação de dados errôneos, eventualmente existentes no cadastro, possam gerar ao ente público e aos administrados (…). Todavia, não há como conceber que a inclusão de nome de empresas no cadastro se dê de forma inconsequente. Fosse assim, o próprio agente público estaria reconhecendo gravíssimas falhas em sua mais legítima atuação de modo a tornar duvidoso o resultado das ações engendradas para a erradicação do trabalho escravo.”
Ele considera fundamental a divulgação dos dados para o avanço do combate à prática no país. “A autorização da criação de cadastro dos empregadores ligados ao trabalho escravo, por si, não é suficiente para intimidar os praticantes da irregularidade, sendo essencial a divulgação dos dados, uma vez que ao Estado cabe, precipuamente, operacionalizar e concretizar as medidas repressivas destinadas à erradicação do trabalho irregular.”
No final de 2014, o ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal (STF), concedeu liminar a uma entidade empresarial que questionava a constitucionalidade da lista. Em maio do ano passado, depois da publicação de uma portaria interministerial com mudanças nos critérios, a ministra Cármen Lúcia acabou com a proibição, mas mesmo assim o Ministério do Trabalho não voltou a divulgá-lo. A argumentação mais recente é de que foi formado um grupo de trabalho para reformular o cadastro.
Esse grupo foi instalado na quinta-feira da semana passada, um dia antes de a AGU entrar com novo recurso, pedindo suspensão da liminar que havia sido concedido pela 11ª Vara do Trabalho do Distrito Federal, em ação civil do Ministério Público Federal. O governo pedia ao Judiciário que aguardasse as conclusões do colegiado, o que deverá levar quatro meses, mas a presidência do TRT negou o recurso. Segundo o Ministério do Trabalho, é preciso haver regras mais “claras” para garantir segurança jurídica. O cadastro foi criado em novembro de 2003. Procurado, o Ministério do Trabalho ainda não se manifestou.
Fonte: RBA
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08.03.17
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Mulheres vão parar o Brasil em defesa da aposentadoria; confira a programação pelo Brasil
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08.03.17
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CTB se mobiliza no Congresso Nacional contra agenda de ataques aos direitos
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08.03.17
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STF recebe ação pela descriminalização do aborto
Uma ação pela descriminalização do abortochegou hoje (7) ao Supremo Tribunal Federal (STF). O pedido é assinado por mulheres do Psol e da ONG Anis – Instituto de Bioética. O texto argumenta que os artigos do Código Penal de 1940, que criminalizam a prática, são incompatíveis com a Constituição de 1988. “Talvez se me perguntassem por que o Psol propôs essa ação, é importante que se diga que estamos em 2017”, afirmou a professora de Direito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Luciana Boiteux.
“O que está sendo contestado são artigos do Código Penal de 1940, anterior à Constituição, antes da Lei do Divórcio, antes da pílula anticoncepcional. Não é possível entendermos como razoável ainda se manter mulheres criminalizadas e ameaçadas em 2017. Temos direitos sendo violados pela permanência deste Código”, continua a professora, que concorreu pelo Psol à vice-prefeitura do Rio de Janeiro no ano passado, na chapa de Marcelo Freixo.
A ação pede que o aborto feito por vontade da mulher seja descriminalizado durante as 12 primeiras semanas de gravidez. A escolha do período corresponde, como explica em nota o Psol, “ao tempo gestacional que grande parte das mulheres faz aborto no mundo e, ao mesmo tempo, é extremamente seguro – segundo estudo da Organização Mundial da Saúde (OMS), o risco de complicações até essa faixa temporal é de 0,05%”. Outros países também adotam os 12 meses, como Alemanha, Áustria, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Rússia, Suíça, Uruguai, entre outros.
Em sua argumentação, o texto afirma que o Código Penal, nos artigos 124 e 126, fere direitos presentes na Constituição como: à cidadania, à dignidade, de não ser discriminada, à vida, à igualdade, à liberdade, de não sofrer tortura ou tratamento desumano, degradante ou cruel, à saúde e ao planejamento familiar.
O Código Penal descreve, em seu artigo 124, que “provocar aborto em si mesma ou consentir que outrem lhe provoque” é digno de pena de detenção, de um a três anos. Já o artigo 126 afirma que “provocar aborto com o consentimento da gestante” deve ser punido com um a quatro anos de reclusão.
“O que se entende por dignidade? (…) No texto da ação, dignidade foi explicada como a autonomia da mulher de tomar suas decisões. Somente sendo livre uma mulher pode ter a vida digna. (…) O que se entende por cidadania? No texto da ação, cidadania foi explicada como ter as condições necessárias para viver uma vida digna, para exercer a autonomia de tomar decisões”, afirma a nota do Psol.
Luciana afirma que a ação, apesar de ser assinada por seu partido e pela ONG Anis “não é isolada, nem esquece o reconhecimento do trabalho de tantas feministas que historicamente constroem essa pauta urgente”. Sobre a urgência, a professora lembra que “enquanto falamos, várias mulheres estão morrendo de abortos mal feitos. Estamos lutando pela vida delas. A criminalização do aborto nunca protegeu nada, apenas submete mulheres a condições precárias, especialmente mulheres pobres e negras que são as mais afetadas por esta política discriminatória”.
Agora protocolada a ação, o Supremo tem até oito dias para sortear um relator que analise o caso. A proposta feminista acontece no mês de março, em que mulheres de diferentes partidos e movimentos sociais estão mobilizadas em pautas que as atingem diretamente, como a reforma da Previdência, proposta pelo Planalto sob comando de Michel Temer (PMDB). O 8 de março marca o Dia Internacional da Mulher.
Fonte: RBA
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08.03.17
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‘Grande mídia quer reforçar feminilidade no 8 de Março, mas será um dia de luta’
Apesar de o Dia Internacional da Luta pelos Direitos das Mulheres ser celebrado na mídia como uma data de exacerbação da feminilidade, integrantes da Marcha Mundial das Mulheres garantem que o 8 de Março será um dia no qual milhares estarão nas ruas lutando contra a reforma da Previdência, exigindo o fim da violência contra a mulher e a legalização do aborto. Estão previstos atos em pelo menos 11 estados e no Distrito Federal, durante todo o dia.
“A mídia e as organizações tradicionais querem tirar a característica do 8 de Março, falando do Dia da Mulher, entregando flores e reforçando a feminilidade, mas queremos reforçar que a data surgiu e continua sendo um dia de luta. Vamos estar nas ruas e no espaço público contra o conservadorismo, contra o golpe que o país sofreu e contra essa reforma da Previdência, que só vai precarizar a vida das mulheres”, afirma a integrante da Marcha Mundial das Mulheres Carla Vitória.
A pauta central será o combate à reforma previdenciária, que irá atingir de forma ainda mais incisiva as mulheres, “principalmente as mais pobres e as trabalhadoras negras”, como reforça Carla. Um dos pontos presentes na Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, apresentada e defendida pelo governo de Michel Temer, é igualar a idade de homens e mulheres para obter o acesso à aposentadoria, o mesmo acontecendo com o tempo de contribuição.
Hoje, são necessários 35 anos de recolhimento para homens e 30 para mulheres. Já para se aposentar por idade, é necessário ter pelo menos 15 anos de contribuição e 65 anos de idade para homens e 60 para as mulheres. Com a proposta de reforma, quem quiser se aposentar precisará ter pelo menos 65 anos, tanto homens como mulheres, e 25 anos de recolhimento de contribuições para a Previdência Social. Porém, para receber 100% do benefício, serão necessários, na prática, 49 anos de trabalho formal.
“Além de as mulheres estarem em postos mais precarizados e terem uma diferença salarial de quase 70% a menos (que os homens), ainda são mais responsáveis pelo trabalho doméstico, que é muito mal distribuído. É uma injustiça sem tamanho”, diz Carla. As mulheres trabalham, em média, 7,5 horas a mais que os homens por semana devido à dupla jornada com as tarefas domésticas e trabalho remunerado, segundo o estudo Retrato das Desigualdades de Gênero e Raça, divulgado ontem (6) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).
Outra mudança no sistema previdenciário que terá reflexos negativos para as mulheres, segundo o movimento, são as alterações no Benefício de Prestação Continuada (BPC), que corresponde a um salário mínimo e é direito de todas as pessoas com 65 anos ou mais no país que tenham renda familiar per capita inferior a 1/4 do piso nacional, independente do tempo de contribuição. Com a reforma, a idade mínima passará para 70 anos, com valor que será desvinculado do salário mínimo.
“A maioria das pessoas que recebe esses benefícios são mulheres. Como elas estão em postos de trabalho mais precarizados, acabam tendo menos tempo dentro do mercado formal. Muitas trabalham a vida toda e nunca tiveram a carteira assinada. Esse benefício, igualado ao salário mínimo, é a única garantia de envelhecer com dignidade”, afirma a integrante da Marcha das Mulheres.
Pautas históricas
Além da reforma da Previdência, ativistas também exigirão nas ruas o fim da violência contra mulher e a legalização do aborto, pautas históricas do movimento feminista, e vão celebrar os 100 anos da Revolução Russa, movimento crucial para a conquista dos direitos das mulheres.
O Brasil registrou, nos dez primeiros meses de 2015, 63.090 denúncias de violência contra a mulher – o que corresponde a um relato a cada sete minutos no país, segundo dados da Secretaria de Políticas para as Mulheres da Presidência da República (hoje incorporada ao Ministério da Justiça e Cidadania), a partir de balanço dos relatos recebidos pelo Ligue 180. “Neste momento de avanço do conservadorismo, a violência contra as mulheres tem aumentado”, lamenta Carla.
O aborto clandestino constitui a quinta causa de morte materna no país, segundo dados do governo federal apresentados em 2015 em um relatório elaborado para o evento “Pequim + 20”, da Organização das Nações Unidas (ONU), que ocorreu durante a 59ª Comissão sobre o Estatuto da Mulher. “Nessa onda conservadora se tem cada vez mais a tentativa de controle dos corpos das mulheres e da sua sexualidade. As mulheres abortam independentemente de ser crime ou não, a diferença é que, como não é legal, vão fazer isso sem segurança, com risco de vida. É uma forma de violência contra a mulher, de punição e de controle dos corpos”, critica.
O Dia Internacional da Mulher é comemorado em 8 de março porque nesta data, no início de 1917, ocorreu a principal manifestação de trabalhadoras na Rússia por melhores condições de vida e trabalho e contra a entrada do país na Primeira Guerra Mundial. Os protestos foram brutalmente reprimidos, motivando o início da Revolução Russa. Pelo calendário do país (calendário juliano) o ato ocorreu em 23 de fevereiro, que corresponde a 8 de março no calendário gregoriano, usado no Brasil.
Mobilizações
Em São Paulo, as mulheres saem às ruas com a palavra de ordem “Aposentadoria fica, Temer sai! Paramos pela vida das mulheres”. A concentração do ato será na Praça da Sé, no centro da cidade, a partir das 15h, com a presença de militantes dos municípios do ABC paulista, de Guarulhos e de Registro. Em Campinas, a concentração será no Largo do Rosário, no centro da cidade, a partir das 16h.
No Rio Grande do Sul, manifestantes estarão em luta também contra o governo estadual, sua agenda de privatizações e a extinção de políticas públicas que está sendo posta em prática pelo governador José Ivo Sartori (PMDB). Em Porto Alegre, as marchantes se encontrarão às 5h30 da manhã na Ponte do Guaíba e seguem até a sede do INSS. Haverá manifestações também na cidade de Caxias do Sul, com concentração às 10h, na Praça Dante Alighieri, e em Bagé, a partir das 17h, na Praça do Coreto.
Em Recife, ativistas vão às ruas contra o racismo, a violência contra a mulher, a reforma da Previdência, pela dignidade das mulheres encarceradas e pela legalização do aborto. O ato se concentrará a partir das 14h no Parque 13 de Maio e as militantes sairão em passeata até a Praça da Democracia (Praça do Derby). No município de Caruaru, as mulheres se concentram às 8h no Grande Hotel (Avenida Rio Branco, 365, centro).
Em Natal, uma caravana da Marcha Mundial das Mulheres sairá às 7h30 do campus central do Instituto Federal do Rio Grande do Norte para debater a reforma da Previdência em três comunidades da região. Depois disso, as militantes se juntarão ao ato público que ocorrerá em frente ao INSS (Rua Apodi), às 15h. No município de Mossoró (RN), manifestantes participam de uma ato unificado do MST, CUT e Frente Brasil Popular. A concentração será às 14h em frente ao prédio do INSS, com oficinas de batuque e cartazes. De lá, mil mulheres sairão pelas ruas do centro de Mossoró realizando intervenções.
No município de Amambaí, militantes da Marcha Mundial das Mulheres realizam roda de conversa na Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul. Em Campo Grande, haverá batucada e panfletagem feminista, a partir das 15h, na Praça Ary Coelho. Em Dourados, o ato público será na Praça Antônio João, a partir das 15h, com uma passeata que terá o mote “a reforma da Previdência também é uma violência”. Em Nova Andradina, haverá intervenção feminista e panfletagem, a partir das 9h30, em frente ao Museu Municipal.
As mulheres do Distrito Federal e do entorno vão às ruas com o lema “Nem uma a menos! Pela vida das mulheres e pelo bem viver!”. A concentração do ato será no Museu da República, às 16h. No vizinho Tocantins, militantes marcham juntas contra a reforma da Previdência com concentração na Assembleia Legislativa a partir das 8h30.
Já no Rio de Janeiro haverá ato unificado com concentração a partir das 16h na igreja da Candelária, região central, e caminhada até a Assembleia Legislativa. As mulheres pautarão a critica às reformas previdenciária e trabalhista.
Em Belo Horizonte, as atividades começam às 9h, com concentração para um ato na Assembleia Legislativa. Em Juiz de Fora, haverá manifestação na Praça da Estação, às 17h. Em seguida, estão programadas atividades culturais na Praça João Pessoa, em frente ao Cine Theatro Central, às 19h.
As mulheres de Maceió organizarão manifestações em dois pontos do centro da cidade: no Antigo Produban, a partir das 8h30, e na Praça Sinimbu, a partir das 9h. Às 10h, as mulheres se unificam, fazendo uma caminhada pelas ruas do centro, terminando em frente à gerência executiva do INSS no estado. Em Fortaleza, o ato unificado terá sua concentração às 8h, na Praça da Imprensa, com o mote contra a reforma da previdência, o racismo, a violência contra as mulheres e pelo direito ao aborto legal e seguro.
Em Manaus, na madrugada do dia 8, as mulheres estarão concentradas nas ruas que dão acesso às fábricas do Distrito Industrial para dialogar com trabalhadoras da região, que correspondem a 50% da mão de obra do local. Durante a tarde, a partir das 15h30, as militantes se concentram na Praça da Saudade, no centro, para o ato público com o mote “nenhuma a menos, nenhum direito a menos”. Em Parintins, de amanhã a sexta, será realizada a I Caravana Amazonense de Bem Viver, que vai reunir mulheres do estado para discutir a agroecologia na perspectiva de luta e resistência feminista e contra a exploração do meio ambiente e de seus impactos nocivos à produção de alimentos.
Fonte: RBA
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08.03.17
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PIB do Brasil cai 3,6% em 2016
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08.03.17
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“Queda do PIB em 2016 expõe falácias do golpe e incapacidade de Temer”
O IBGE anunciou que a economia brasileira recuou 3,6% em 2016, confirmado a maior recessão do país. Os números mostram uma piora no ritmo de queda da atividade nos dois últimos trimestres, marcados pela chegada de Michel Temer ao poder. Para Flávio Tonelli Vaz, assessor técnico da Câmara dos Deputados, especialista em orçamento e políticas públicas, o resultado reflete tanto a falácia de que o impeachment seria solução para a crise quanto a incapacidade de Temer de retomar o crescimento.
“O resultado do PIB [Produto Interno Bruto] de 2016 é a pior notícia para o governo até a [delação da] Odebrecht sair. Porque, sob todos os aspectos que você olha, ele aponta não só a falácia do ‘tira a Dilma que a gente resolve a economia’, como a incapacidade do governo de olhar para a economia, para a produção e a circulação de bens e serviços”, disse, em entrevista ao Vermelho.
Em uma tentativa de se esquivar da responsabilidade sobre os péssimos números, o ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, afirmou nesta terça-feira (7), que o resultado negativo é fruto de políticas adotadas nos últimos dois anos.
Na avaliação de Tonelli Vaz, ao contrário do discurso do governo, o PIB de 2016 não deve ser entendido como reflexo do governo Dilma Rousseff e, sim, como resultado da crise articulada pela oposição à presidenta eleita, que paralisou o país e levou ao afastamento da petista. O espelho de um processo de boicote e desestabilização, que findou por afundar a economia.
“Esse é o PIB do golpe. O golpe não se deu só com o impeachment. O golpe começa com toda a articulação econômica, com apoio da mídia, para produzir a crise política. Esse é o PIB da crise, não da Dilma”, disse.
De acordo com ele, os números refletem também o desmonte das medidas que conseguiam diminuir os efeitos da crise internacional no Brasil. “A crise internacional sempre existiu, mas havia antes um conjunto de medidas que minimizavam a internalização desses efeitos, e isso foi sendo desconstruído”, lamentou, citando como exemplo a diminuição do crédito, da renda das famílias e do emprego, instrumentos importantes para enfrentar a recessão.
O assessor técnico da Câmara defende que a estratégia de enfrentamento à crise adotada entre 2008 e 2014 significou resultados positivos para o Brasil. “Quando Lula disse que a crise ia ser um marolinha, muita gente achou que ele era louco. Mas ele fez com que a crise aqui de fato virasse uma marolinha. O Brasil cresceu de 2008 a 2014 – perdendo apenas para Índia e China -, foi um dos poucos que reduziu o desemprego e um dos que menos fez crescer o endividamento público”, destacou.
Em 2016, a situação foi bem outra. Trata-se da primeira vez, desde 1996, que houve retração generalizada em todos os setores – agropecuária, indústria e serviços. E, se houve resultados negativos durante os quatro trimestres do ano passado, a verdade é que eles foram piores nos dois últimos, já sob a gestão Temer.

Segundo os dados do IBGE, a baixa do PIB no primeiro e no segundo trimestres de 2016, quando Dilma ainda ocupava a Presidência, foi de 0,6% e 0,3%, respectivamente. Depois de assumiu provisoriamente o governo em maio, Temer foi efetivado como presidente em agosto. Segundo o IBGE, houve queda de 0,7% do PIB no terceiro trimestre de 2016 e de 0,9% no quarto.
“Se pegarmos o quarto trimestre, que é todo já com Temer, o PIB desse período, na série de preços com ajustes, é o pior quarto trimestre desde 1999, que é um ano de crise. Isso é algo surpreendentemente ruim”, ressaltou Tonelli Vaz.
Segundo ele, os dados do IBGE ajudam a revelar uma realidade desoladora. “O consumo das famílias, por exemplo, está caindo há oito trimestres consecutivos. E o consumo das famílias reflete o desemprego, a queda da renda, a falta de perspectivas. Quando você junta com o dado de que, no ano passado, você perdeu 1,320 milhão de empregos com carteira assinada, isso é um número fantástico. Nos últimos dois anos, perdemos quase 3 milhões de postos de trabalho com carteira de trabalho”, enumerou.
Os números divulgados nesta terça também escancaram a falta de projetos, por parte do governo, que possam melhorar a situação, especialmente em relação ao emprego, analisou Tonelli Vaz. “Ao invés de apontar soluções para isso, [o governo] aponta uma reforma trabalhista que é um desastre, aumenta a precarização, a terceirização, o trabalho temporário. O que vem pela a frente não é um Brasil melhor”, previu.
A retração de todos os setores foi puxada pela queda no consumo das famílias, mas principalmente pela redução dos investimentos das empresas. A Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), uma medida de investimento, registrou contração de 10,2%. “Então a ideia de que estamos recuperando as expectativas não é verdade”, afirmou o assessor da Câmara.
“É muito fácil convencer as empresas a tirarem o pé do acelerador, que foi o que eles fizeram desde o segundo semestre de 2014, para dizer a verdade. Mas convencer alguém a ser o primeiro a acelerar é um pouco mais difícil. O desconstruir sempre foi mais fácil que o construir”, ponderou.
Embora haja poucos sinais de melhora no cenário, o ministro Henrique Meirelles defendeu, nesta terça, que haverá crescimento em 2017. Para Tonelli, contudo, há uma grande diferença entre não ter resultados negativos – depois de tanto tempo de queda no PIB – e recuperar de fato a economia.
“É claro que o governo pode conseguir zerar o PIB, não ter resultados negativos, porque a base de comparação está tão baixa. Depois que você cai por oito trimestres seguidos, quando para de cair, vai ter quem diga que é algo positivo. Mas, mesmo que o PIB pare de cair, o emprego não se recupera assim”, disse.
A expectativa de crescimento para 2017 é hoje de 0,4%. Tonelli crê em um número ainda menor. “As expectativas continuam muito ruins, pela falta de ação do governo em favor do crescimento”, opinou.
Com a alta capacidade ociosa das empresas, seria preciso crescer mais que o previsto para recuperar as vagas fechadas. “Eu consigo aumentar um pouquinho a produção com os mesmos empregados que eu tenho hoje. Então, mesmo que o PIB deixe de ser esse desastre de 2016, para reverter o desemprego que temos hoje, teria que ter um crescimento um pouco maior do que está sendo anunciado pelas estimativas”, encerrou.
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‘Moraes não tem a reputação ilibada exigida de um ministro do STF’
Os partidos contrários ao governo de Michel Temer vão ter sua primeira prova de fogo nesta terça-feira (21), quando o advogado Alexandre de Moraes, indicado pelo presidente Michel Temer para o Supremo Tribunal Federal (STF), será sabatinado. Ninguém acredita que possa surgir algum fato novo que venha a impedir Moraes de, a esta altura, ser aprovado pela Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) do Senado. Mas espera-se um dia de protestos, perguntas constrangedoras ao sabatinado, lembranças do seu passado como advogado, dos seus clientes, de acusações de plágio acadêmico, de filiação partidária e militância do PSDB. A previsível tensão já é observada entre setores do Palácio do Planalto.
Embora o ano legislativo tenha começado no dia 2 e a oposição não tenha computado vitória nessas primeiras semanas, as poucas estratégias observadas até aqui mostraram que partidos como PT, Rede, Psol, PDT e PCdoB estão dispostos a combater as reformas da Previdência e trabalhista com mais garra do que nas lutas travadas no ano passado. Assim como as outras propostas enviadas pelo governo ao Congresso, nos últimos meses, que estão em tramitação.
Uma das primeiras investidas dos oposicionistas foi o atraso que eles conseguiram na votação da medida provisória que reformou o ensino médio, prevista para ser votada já no segundo dia de abertura dos trabalhos do Senado. Depois, protestos feitos por vários parlamentares na comissão que vai apreciar a proposta de reforma da Previdência na Câmara acabaram fazendo o governo recuar na intenção de ver a matéria votada dentro de pouco tempo. A ponto de o relator, deputado Arthur Maia (PPS-BA), reconhecer que não poderá apresentar seu parecer nas primeiras semanas de março.
Maia retirou do seu plano de trabalho datas referentes às apresentações de documentos e votações, diante dos vários requerimentos para realização de audiências públicas. O que mostra que o “apoio de 88%” do Congresso ao governo, citado pelo ministro da Casa Civil, Eliseu Padilha, não está sendo tão bem visto assim.
“É claro que o governo tem muita força, até porque conseguiu eleger os seus candidatos à presidência das duas Casas. Mas o caráter impopular das matérias em tramitação, a divisão do Centrão e a insatisfação de setores do PMDB e de outros partidos da base com a distribuição de cargos em estatais e ministérios estão atrapalhando articulações. E este é um vácuo interessante que os oposicionistas estão tentando aproveitar nas conversas de bastidores”, avaliou o analista legislativo Roberto Gomes, cientista político e professor da Universidade de Brasília (UnB).
Para Gomes, a oposição começou, depois do “susto” com a saída da ex-presidenta Dilma Rousseff, no ano passado, a finalmente se movimentar como oposição. A seu ver, “houve uma readequação natural entre os integrantes dos partidos, que estavam acostumados com 13 anos pertencendo à base aliada dos governos petistas e tentando aprovar as matérias e se viram às voltas com um movimento diferente”, observou.
Abaixo-assinado na CCJ
Na manhã de hoje (20), um grupo de deputados e senadores, ao lado de estudantes, entregou na CCJ um abaixo-assinado com mais de 270 mil assinaturas contra a indicação de Alexandre de Moraes à vaga de Teori Zavascki no STF. O documento foi articulado pelo Centro Acadêmico XI de Agosto, da Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).
Participaram do movimento os senadores Lindbergh Farias (PT-RJ), Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e Gleisi Hoffmann (PT-PR) e os deputados federais Carlos Zarattini (PT-SP), Jandira Feghali (PCdoB-RJ), Érika Kokay (PT-DF), Benedita da Silva (PT-RJ) e Maria do Rosário (PT-RS). A presidenta do Centro XI de Agosto, Paula Masulk, afirmou que Alexandre de Moraes “não tem a reputação ilibada exigida de um ministro do Supremo”.
Os parlamentares também aguardam pedido no ao STF e na Procuradoria-Geral da República sobre a possibilidade de Moraes ter condições de ser indicado para o cargo, pelo fato de ter sido alvo de denúncias sobre fraudes em obras jurídicas.
Carlos Zarattini (SP), líder do PT na Câmara, destacou, na recepção aos estudantes, o que chamou de tentativa de blindagem, por parte do governo, com a indicação do advogado. “É evidente o objetivo do Temer com esta indicação. Se for aprovado como ministro, Alexandre de Moraes irá julgar seus ex-colegas de trabalho, ex-colegas de governo e ex-colegas de partido. Um verdadeiro absurdo e um escárnio”, afirmou.
Os estudantes da USP não foram recebidos nem pelo presidente da CCJ, Edison Lobão (PMDB-MA), nem pelo relator da indicação de Moraes, Eduardo Braga (PMDB-AM), mas não se intimidaram. Um requerimento apresentado pelo senador Randolfe Rodrigues a ser analisado logo no início da sessão de amanhã vai pedir a inclusão do abaixo-assinado nos documentos sobre o advogado.
‘Contramão do desenvolvimento’
Coube à líder do PT no Senado, Gleisi Hoffmann, falar sobre o foco da oposição em meio a todo este movimento. De acordo com ela, além da briga na sabatina de amanhã, os oposicionistas vão atuar para impedir a aprovação de medidas apresentadas ao Congresso que, segundo ela, “estão na contramão do desenvolvimento”. “São muitas ameaças ao país e não vamos deixar que passem”, destacou a senadora.
Gleisi citou a mudança das regras de conteúdo local, a venda de terras para estrangeiros, a entrega do patrimônio das teles e, ainda, “a adoção de medidas sociais para favorecer quem ganha mais”. “Estamos decididos a ter um ano de luta, a brigar até o fim neste parlamento para impedir que estes retrocessos aconteçam. Até porque foi por isso que tiraram a presidenta Dilma, para entregar o país e reverter o modelo de desenvolvimento inclusivo que foi criado nos últimos 13 anos”, afirmou.
Também o líder da Rede na Câmara, deputado Alessandro Molon (RJ), tem atuado para garantir mais audiências públicas e que técnicos e especialistas diversos sejam ouvidos na comissão da reforma da Previdência. Molon reclamou, na semana passada, da conduta de Eliseu Padilha, que participou da abertura da primeira audiência pública da comissão para pedir apoio aos parlamentares – e saiu tão rápido quanto entrou.
“Ele (Padilha) tomou uma postura covarde e omissa, porque evitou ficar aqui para discutir o tema conosco. Sabemos das contradições desta proposta e sabemos dos riscos que representa para os brasileiros. Vamos debater esta e as outras reformas amplamente e não permitiremos uma votação açodada como deseja a base aliada”, disse.
As armas estão lançadas. E, apesar de o PMDB ter feito até ensaios da sabatina com Moraes, por mais que sejam grandes as chances de aprovação do nome do advogado para o Supremo, ninguém, na base aliada, demonstra estar tranquilo com a próxima reunião da CCJ. O que todos comentam nesta segunda-feira em Brasília é que, aconteça o que acontecer, a terça-feira antes do carnaval será bastante movimentada no Congresso.
Fonte: RBA
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21.02.17
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Senado recebe 270 mil assinaturas contra indicação de Moraes ao STF
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21.02.17
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Justiça do Trabalho convoca empresas com ações para incentivar acordo com trabalhadores
Na tentativa de incentivar propostas de acordo, reduzir o acervo de processos de maneira conciliatória e dar mais celeridade aos julgamentos, a Vice-Presidência do Conselho Superior da Justiça do Trabalho (CSJT) vai convocar para reunião as empresas que fazem parte da lista dos 100 maiores litigantes do Tribunal Superior do Trabalho. A iniciativa faz parte dos preparativos da Semana Nacional de Conciliação Trabalhista 2017, que será realizada de 22 a 26 de maio.
A agenda de encontros já foi definida e será dividida pelos setores que mais lideram processos na Justiça do Trabalho – entre eles estatais, bancos e empresas de telefonia. “Nosso objetivo é incentivar essas empresas a apresentarem propostas de acordos aos trabalhadores durante a Semana Nacional de Conciliação Trabalhista,” destaca o vice-presidente do CSJT, ministro Emmanoel Pereira, que coordena a Comissão Nacional de Promoção à Conciliação.
Já confirmaram presença os representantes da União, Petrobras, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil, Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), Telefônica Brasil, Oi, Tim Celular, entre outras.
Empresas pequenas e médias
Apesar da convocação do CSJT ser direcionada apenas aos grandes litigantes, qualquer empresa de pequeno, médio ou grande porte que tenha processo na Justiça do Trabalho pode optar pela conciliação durante a Semana Nacional de Conciliação Trabalhista.
Empresas interessadas em propor acordos devem procurar o Tribunal Regional do Trabalho da sua região, os Núcleos de Conciliação da Justiça do Trabalho ou a Vice-Presidência TST pelo e-mail conciliacao-tst@tst.jus.br.
Como funciona
As partes comunicam ao Tribunal onde o processo tramita a intenção de conciliar, ou seja, a vontade de fazer um acordo. Desse modo, é marcada uma audiência e, no dia agendado, as próprias partes, perante o Juiz do Trabalho ou Desembargador, acordam a solução mais justa para ambas as partes.
Confira a lista de endereços dos Núcleos de Conciliação dos TRTs.
Fonte: TST
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21.02.17
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Indústrias e sindicato assinam acordo milionário em processo iniciado há 26 anos
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21.02.17
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Toyota pagará horas extras por pausas para café no meio da jornada
A Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SDI-1) do Tribunal Superior do Trabalho restabeleceu decisão que condenou a Toyota do Brasil Ltda. a contabilizar como horas extras duas pausas de 10 minutos concedidas no meio do expediente para o café. A decisão se baseou no entendimento consolidado no TST no sentido de que as pausas não integram o intervalo intrajornada de uma hora e, como eram acrescidos à jornada, configuram tempo à disposição do empregador (Súmula 118).
A ação foi ajuizada por um operador que afirmou que a montadora exigia que os empregados compensassem na duração da jornada os dois intervalos, um pela manhã e outro à tarde, para o café ou ir ao banheiro.
A Sexta Turma do TST, reformando decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região (Campinas/SP), havia absolvido a empresa de incluir os intervalos no cálculo das horas extras.
O ministro Hugo Carlos Scheuermann, relator dos embargos do trabalhador à SDI-1, citou precedentes de todas as Turmas do TST e destacou que a própria Sexta Turma modificou seu entendimento, passando a acompanhar a posição majoritária da Corte, que vem enquadrando situações idênticas envolvendo a Toyota na Súmula 118.
A decisão foi unânime.
Fonte: TST
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21.02.17
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Centrais vão a Brasília nesta terça (21) pressionar o Congresso a vetar fim da Previdência pública
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21.02.17
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STF dá dez dias para Temer explicar reforma da previdência
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20.02.17
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Reforma trabalhista promove precariedade nas relações de trabalho
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20.02.17
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Para trabalhadores, não é ‘reforma’ da Previdência. É fim
Conhecido por apresentar em 2013 um relatório francamente favorável à ampliação da terceirização, o deputado Arthur Maia – na época no SD, hoje no PPS baiano – espera divulgar em meados de março seu parecer sobre a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 287, de reforma da Previdência Social. O plano de trabalho na comissão especial foi apresentado em 14 de fevereiro, e prevê oito audiências públicas e seminário internacional.
A guerra começou, como diz o economista Eduardo Fagnani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). “O que está em jogo no Brasil não é um ajuste fiscal, é uma mudança no modelo de sociedade”, afirmou, durante evento organizado pelo Dieese e por nove centrais sindicais, que tentam unir forças para derrubar (como defendem alguns) ou modificar (como tentam outros) a PEC 287. Em comum, todos refutam o argumento central do governo Temer, que fala em necessidade de “reforma” para manter o sistema viável.
Argumentos sempre usados de “déficit” ou “rombo” da Previdência são falsos, diz Fagnani. “O déficit é a parte do governo que, embora prevista na Constituição, não é contabilizada”, afirma. “Não há argumento para dizer que o problema fiscal brasileiro é a Previdência. A estratégica do ajuste fiscal é comprimir o gasto primário.” Já o gasto financeiro, acrescenta, “deixa explodir”.
Para a oposição no Congresso, a PEC tem o sistema financeiro como interessado direto. Assim que Maia foi escolhido como relator, emergiu a informação de que o deputado recebeu contribuições, em sua campanha eleitoral, de bancos e seguradoras – apenas da Bradesco Vida e Previdência, foram quase R$ 300 mil, em 2014. Para o parlamentar, isso nada mais é que uma “ilação maldosa”.
O presidente da comissão especial, Carlos Marun (PMDB-MS), deve conduzir a tramitação da PEC 287 conforme deseja o Planalto sem temer pressões contrárias. Marun já mostrou resistência ao defender, quase solitariamente, o agora ex-deputado Eduardo Cunha antes de sua cassação. “Quem defende Cunha, defende qualquer coisa”, diz um observador.
Ou seja: para combater a PEC, será preciso muita unidade e capacidade de articulação e pressão, diante de um Congresso francamente alinhado ao governo e às reformas, incluindo a trabalhista. Para o diretor técnico do Dieese, Clemente Ganz Lúcio, trata-se de desafio semelhante ao do período pré-Constituinte, em meados dos anos 1980. Ele avalia que o movimento sindical precisa se organizar para evitar “um dos maiores desmontes institucionais e sociais da história”. E as centrais não são contra mudanças, acrescenta, tanto que apresentaram várias propostas em negociações com a equipe de Michel Temer. “O projeto que está aí não nos representa. Queremos uma reforma que dê proteção universal aos trabalhadores, eficaz na cobrança, com sonegação zero, universal e sustentável.”
Protestos
As centrais mandarão representantes a Brasília no dia 21, para conversar com os presidentes da Câmara e do Senado, líderes partidários e com o comando da comissão especial da reforma da Previdência (e também da trabalhista). Em 15 de março, acompanhando uma data já aprovada pelos trabalhadores em educação, haverá um dia nacional de protestos e paralisações contra a 287.
Em meados de janeiro, o Dieese divulgou nota técnica com restrições severas ao projeto do governo, cuja premissa básica é dificultar ou impedir o acesso a benefícios – e reduzir o valor para quem conseguir recebê-los. Tornaria a aposentadoria integral uma “utopia” e, em uma análise mais geral, “favorece o aumento da vulnerabilidade social, da pobreza e das desigualdades no país”. O instituto também identifica favorecimento: “Transparece ainda na proposta um objetivo implícito de fragilizar a Previdência Social e estimular a difusão de sistemas privados de previdência”.
Para obter a aposentadoria integral, pelas regras propostas na PEC, um trabalhador precisaria contribuir durante 49 anos, uma façanha se considerados fatores como rotatividade e informalidade no mercado de trabalho brasileiro. Com base em dados de 2014 da própria Previdência, segundo os quais cada trabalhador pagou em média 9,1 contribuições naquele ano, o tempo aumenta consideravelmente: “Seria necessário esperar 64,6 anos, depois de iniciar a vida laboral, para completar o correspondente a 49 anos de contribuições”.
Suposição irrealista
O instituto destaca que a exposição de motivos da PEC não traz explicação sobre a proposta de mudança do cálculo do benefício. “Tudo indica que o raciocínio utilizado foi: subtrair a idade legal de início de trabalho no Brasil (16 anos) da idade mínima de aposentadoria proposta (65 anos) e fazer com que ao resultado dessa diferença (49 anos) corresponda à aposentadoria integral”, analisa. “A suposição, totalmente irrealista para a realidade brasileira, é que a pessoa trabalhadora contribuiu todos os meses, ininterruptamente, no período entre os 16 e os 65 anos, sem nunca ter ficado desempregada, inativa do ponto de vista econômico, na informalidade (isto é, como autônoma sem contribuição previdenciária) ou na ilegalidade (contratada sem carteira). A suposição do início do período contributivo aos 16 anos também desconsidera o princípio de que, nessa idade, a pessoa ainda deveria estar em processo de escolarização e de formação para o trabalho.”
Mais informações da própria Previdência mostram potencial excludente da proposta governista. Segundo divulgou o jornal Folha de S.Paulo na edição de 12 de fevereiro, 79% das aposentadorias por idade concedidas em 2015 foram para trabalhadores com menos de 25 anos de contribuição, que pela PEC passa a ser o tempo mínimo exigido – o atual é de 15 anos.
Recortes por grupos sociais também atestam que alguns setores sofrerão ainda mais caso as mudanças sejam implementadas. Estudo elaborado por um grupo de trabalho no Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) aponta consequências negativas para as mulheres. “Estimamos que cerca de 47% das atuais contribuintes não conseguirão se aposentar, em geral as mais precarizadas, aumentando fortemente a demanda por BPC (benefício de prestação continuada)”, diz o estudo. “Eles sabem disso. Por isso mesmo, estão desvinculando o BPC do salário mínimo”, diz a pesquisadora Joana Mostafa, da Diretoria de Estudos e Políticas Sociais (Disoc) do Ipea. Para ela, a PEC 287 representa “redução do Estado na proteção social”.
Estabelecer a mesma idade para homens e mulheres na concessão da aposentadoria, como quer o governo, significa uma “mudança radical”, dizem os pesquisadores. “A diferença de idades para homens e mulheres reconhece um maior risco da mulher de se ausentar ou participar menos do mercado de trabalho por força da divisão sexual do trabalho ainda desigual.”
Segundo Joana, que participou do seminário do Dieese, apesar de alguma melhoria nos últimos anos, a desigualdade persiste: com salário equivalente a 70% do recebido pelos homens, as mulheres ainda têm jornada semanal, em média, de oito horas a mais. Em um período de 25 anos de contribuição, isso corresponderia a um acréscimo de 4,5 anos. Ou mais, considerando a informação de que o trabalhador, em média, contribui nove a cada 12 meses – o período aumentaria para 5,4 anos.
Exclusão
No caso dos trabalhadores rurais, a exclusão pode ser ainda maior, segundo Evandro Morello, assessor da Secretaria de Políticas Sociais da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag). Ele estima que a PEC tira a expectativa de mais de 70% dos camponeses de alcançar a aposentadoria. “Isso afeta a economia dos municípios, a produção de alimentos.”
Evandro acredita que a reforma representará um desestímulo à permanência no campo, principalmente para os trabalhadores mais jovens: “O jovem tem de ser muito herói para permanecer no campo e manter-se no processo produtivo da agricultura. Quem vai ficar no campo produzindo alimentos para o Brasil?”, questiona.
Pela proposta do governo, o trabalhador rural passaria a ter uma contribuição individual, em vez da contribuição sobre a venda, como ocorre hoje (artigo 195 da Constituição), algo inviável pela realidade do agricultor, avalia o assessor da Contag.
A PEC também aumenta para 65 anos a idade mínima para aposentadoria – hoje é de 60 anos para os homens e de 55 para as mulheres. Evandro afirma que quase 80% dos homens e 70% das mulheres começam a trabalhar no campo com menos de 14 anos. “Quem vai conseguir alcançar essa idade (65), considerando que é um trabalho penoso?”, questiona.
A rigidez das novas regras poderá fazer com que também os jovens urbanos se sintam pouco atraídos a contribuir para a Previdência, acredita o economista Eduardo Fagnani. “Está se disseminando a ideia de ‘se não vou usar, por que pagar?’”, comenta. Fatores como uma saída do público jovem da base de contribuintes e mudanças nas relações de trabalho que levam à menor formalidade, como a terceirização, podem causar “queda brutal” da receita. Ele lembra que a Previdência é sustentada pelo trabalhador ativo, pela sociedade e “sobretudo pelo governo”, aproveitando para contestar afirmação corrente de que o sistema se torna inviável porque há, progressivamente, menos pessoas na ativa e mais inativos.
Falta diálogo
Quem também contesta os dados do governo é o presidente da Associação Nacional de Auditores Fiscais da Receita Federal (Anfip), Vilson Antonio Romero. “O governo dá uma pedalada na Constituição e faz uma contabilidade criativa”, afirma sobre o falado “rombo” da Previdência.
Segundo ele, com todas as fontes de financiamento previstas para manutenção da seguridade social, o sistema não tem déficit. Mas desde 1994, com a criação do Fundo Social de Emergência, a atual Desvinculação de Receitas da União (DRU), o governo passou a contar com um “instrumento de tunga”, como ele define, citando o uso para outros fins da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), além de renúncias previdenciárias, incluindo desonerações da folha de pagamento e entidades filantrópicas.
Romero concorda que o setor rural é fator de preocupação, mas discorda do ônus para o trabalhador. “Temos de chamar o agronegócio a contribuir.” Outra fonte de recursos estaria na venda de imóveis, que representam anualmente bilhões em manutenção e outras despesas. “A Previdência Social é a maior imobiliária do Brasil. E não aliena isso”, afirma o presidente da Anfip, defendendo ainda aperfeiçoamento do combate à sonegação.
Está faltando diálogo, diagnosticou o diretor da Organização Internacional do Trabalho (OIT) no Brasil, Peter Poschen. Para ele, o debate sobre a Previdência precisa ser aprofundado para que resulte em uma reforma “justa e equilibrada”, já que se trata de um tema complexo e que afetará a atual geração e as próximas. Essa discussão precisa ser feita com todos os agentes sociais e com o maior número de informações. “Nossa percepção é que, nesse sentido, ainda falta muito.”
Sobre a PEC 287, ele vê uma “lógica fiscal, no sentido de conter gastos”, mas afirma que é preciso considerar outros aspectos, inclusive em termos de manutenção da formalidade, para que isso não represente perdas – inclusive fiscais – no futuro. “Isso requer uma decisão da sociedade”, observa o diretor da OIT. Ele considera a Convenção 102 da OIT, ratificada pelo Brasil, “uma boa âncora para o debate” – essa norma trata de critérios básicos para regimes de seguridade social, em relação a contribuições, pagamentos e governança.
Entre os princípios básicos da OIT, está a cobertura universal do sistema, com base na solidariedade social. Um levantamento da organização mostra tendência mundial de expansão da cobertura previdenciária, embora metade dos idosos ainda não receba benefícios. A maioria dos países têm sistemas públicos. Alguns desistiram da privatização. Um dos modelos mais conhecidos, o do Chile, é hoje objeto de questionamento. “Há uma grande discussão sobre o que fazer com o sistema privado, que se tornou impopular”, diz o especialista da OIT Fabio Durán.
Fonte: RBA
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17.02.17
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Saque do FGTS de conta inativa deverá ser realizado entre 10 de março e 31 de julho
As datas para o saque das contas inativas do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) vão de 10 de março a 31 de julho, segundo o cronograma estabelcidao pela Caixa Econômica Federal. De acordo com as informações anunciadas, não poderão ser realizados saques posteriores a esta data, ou seja, não será possível acessar esse dinheiro após o fim do prazo.De acordo com o Governo Federal, são R$ 43 bilhões depositados em 49 milhões de contas inativas do FGTS. A estimativa de saques, contudo, é mais modesta: o ministro do Planejamento, Dyogo Oliveira, prevê uma retirada de até R$ 35 bilhões do fundo.O banco prevê que abril será o mês em que mais trabalhadores farão o saque do FGTS. Segundo o banco, 26% do total de retiradas devem ser feitas neste mês, que contempla quem nasceu em março, abril e maio. Os outros meses com maior volume serão maio e junho, com 25% do total de saques cada um. Em março espera-se um volume de 16% e junho, 8%.De acordo com o cronograma anunciado, os beneficiários nascidos nos meses de janeiro e fevereiro poderão procurar as agências entre os dias 10 de março e 9 de abril.Já os que nasceram em março, abril e maio vai sacar entre 10 de abril e 11 de maio. Trabalhadores nascidos nos meses de junho, julho e agosto vão sacar entre os dias 12 de maio e 15 de junho. Nascidos em setembro, outubro e novembro vão receber os valores em entre 16 de junho e 13 de julho. Os trabalhadores nascidos em dezembro vão fazer o saque entre os dias 14 e 31 de julho.InformaçõesPara evitar filas e aglomeções nas agências, a Caixa determinou que as agências abrirão com duas horas de antecedência até dia 17 de fevereiro e também aos sábados próximos às datas de saque.Os saques poderão ser realizados no autoatendimento da Caixa, além dos canais parceiros – correspondentes Caixa Aqui e Lotéricas – onde são permitidos saques de até R$ 3 mil, apresentando o documento de identificação do trabalhador, Cartão do Cidadão e a respectiva senha.Para os clientes da Caixa que têm conta poupança individual, o crédito será realizado automaticamente, conforme calendário. O valor estará disponível na conta no dia da abertura do calendário mensal. Já os trabalhadores com conta em outros bancos podem solicitar a transferência direto com os atendentes das agências da Caixa. O banco estatal diz que não vai cobrar pela operação. Todas as informações estão disponíveis no site www.caixa.gov.br/contasinativas. O trabalhador também pode tirar dúvidas pelo telefone 0800-7262017.Fonte:PPTSaiba mais >
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Indicação de Velloso irrita bancada do PMDB: “Aécio é um traidor”
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Centrais farão mobilização nacional contra reforma da Previdência
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17.02.17
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Relator quer dar parecer de reforma trabalhista próximo do 1º de Maio
Na sua primeira reunião, a comissão especial da reforma trabalhista na Câmara dividiu-se, como esperado, em defensores e críticos da “flexibilização” da leis proposta pelo governo. O relator, deputado Rogério Marinho (PSDB-RN), defensor da flexibilização, disse que manterá a proposta de privilegiar o negociado sobre o legislado em alguns itens. O Projeto de Lei 6.787, do Executivo, fala em 13. Ele informou que pretende apresentar seu parecer até 4 de maio, ou seja, na semana do Dia do Trabalho.
Parlamentares da oposição questionaram o teor do PL governista. Para o deputado e ex-ministro Patrus Ananias (PT-MG), por exemplo, a prevalência do negociado representa “o fim do Direito do Trabalho no país”. Segundo ele, a lei é uma garantia para os trabalhadores, parte mais fraca nas relações capital-trabalho. Esse item também foi motivo de crítico para Glauber Braga (RJ), líder do Psol na Casa. “Essa matéria vai retirar direitos historicamente conquistados”, afirmou.
O relator apresentou um cronograma que prevê a realização de 11 audiências públicas. O objetivo é ouvir o ministro do Trabalho, representantes de entidades sindicais e o Ministério Público do Trabalho, entre outros. O MPT já se manifestou contra o projeto, sugerindo rejeição total. Um estudo divulgado em janeiro apontou inconstitucionalidade nas mudanças propostas pelo governo.
Marinho deve propor, por exemplo, o aumento do prazo do trabalho temporário para 180 dias. No PL 6.787, esse período sobe de 90 para 120 dias, prorrogáveis por mais 120. Em nota técnica, o Ministério Público do Trabalho afirma que as modalidades de contratação temporária ou parcial se ampliaram após a crise de 2008, na Europa e nos Estados Unidos, e atualmente organismos internacionais e mesmo governos “reconhecem que o fenômeno se relevou socialmente nocivo, tendo produzido um aumento vertiginoso da desigualdade econômica e social”.
A comissão especial tem Daniel Vilela (PMDB-GO) na presidência e como vice o deputado Goulart (PSD-SP). Hoje, foram escolhidos o segundo e o terceiro vices, Gorete Pereira (PR-CE) e Eli Corrêa Filho (DEM-SP), respectivamente.
Fonte: RBA
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15.02.17
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Corporativismo midiático: grandes jornais apoiam escolha de Moraes para o STF
No dia 20 de janeiro, a Folha de São Paulo publicou: “Em conversas reservadas, o presidente já manifestou o desejo de indicar um nome de perfil “técnico” e “apartidário”, que não desperte desconfianças de que o Palácio do Planalto poderia querer intervir na Operação Lava Jato”.
A pose republicana do presidente não eleito durou pouco. Temer dizia querer um nome apartidário para o STF para que ninguém desconfiasse de que sua nomeação seria mais uma força-tarefa da Operação Estanca Sangria. Pois bem, o apartidário escolhido é um filiado do PSDB, ou melhor, era. Alexandre de Moraes se desfiliou do partido essa semana e talvez tenha adquirido automaticamente a isenção necessária para integrar a mais alta corte do país.
Como bem lembrou Glenn Greenwald para The Intercept Brasil, a nomeação de um ministro alinhadíssimo ao governo se encaixa perfeitamente no roteiro descrito na famosa conversa vazada entre Jucá e Machado. É o grande pacto nacional, com Supremo, com tudo.
À direita e à esquerda, o nome de Alexandre de Moraes foi contestado. Boa parte da comunidade jurídica se revoltou. Além de ser colega de governo de vários acusados na Lava Jato – processo do qual será revisor no plenário –, o tucano coleciona uma infindável quantidade de polêmicas em todos os cargos pelos quais passou. Com um perfil completamente diferente de Teori Zavascki, Alexandre não é discreto, sóbrio ou técnico. Sempre teve pretensões políticas e costuma promover pirotecnia em suas ações. O futuro ministro do STF é inegavelmente um exibicionista, chegando ao cúmulo de anunciar ações da Lava Jato em comício do PSDB. Como observou o colunista Bernardo Franco Mello, uma das principais virtudes do novo ministro é a “lealdade canina aos superiores”. É com essas qualidades que Alexandre analisará uma investigação envolvendo seu ex-chefe, ex-correligionários e aliados políticos.
A nomeação não foi oficializada, ainda falta o ato final da pantomima. O ex-advogado de Eduardo Cunha terá que passar pelo crivo da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, que é integrada por 13 membros, sendo que 10 – incluindo o seu presidente Edison Lobão (PMDB) – são investigados pela Lava Jato. Para a coisa ficar ainda mais descarada, os senadores já até realizaram uma pré-sabatina com Moraes no Love Boat de Wilder Morais (PP-GO) – flagrado pela Polícia Federal discutindo assuntos do interesse do bicheiro Carlinhos Cachoeira com o governador Marconi Perillo (PSDB-GO).
Na imprensa, a escolha de Moraes foi criticada por muitos articulistas, mas não com a mesma intensidade e indignação de outrora. Miriam Leitão, por exemplo, foi bastante crítica, mas evitou a palavra “aparelhamento” – um termo que ela usou para classificar a escolha de Fachin por Dilma em 2015.
O Estadão foi muito além. Na terça, tivemos um editorial chamado “Afinal, um País com rumo”, que já nasceu como um clássico do chapabranquismo nacional. Na quarta, os donos do jornal opinaram sobre a escolha de Moraes para o STF assim:

Como já era de se esperar, o Estadão foi muito compreensível com a escolha de Michel Temer: minimizou as ligações políticas de Moraes e exaltou suas qualificações técnicas.
Quando Dilma escolheu Fachin para substituir Joaquim Barbosa no STF, o Estadão utilizou outro adjetivo para qualificar a indicação da petista:

Perceba que os motivos que tornam a escolha “infeliz” são as conexões políticas de Fachin, enquanto suas qualificações técnicas foram relegadas a segundo plano. Para o Estadão, as inclinações políticas do juiz só são um problema quando não são as mesmas da família Mesquita.
Aliás, é bastante curioso que se dê tanto destaque para a qualificação técnica de um ministro que plagiou obras estrangeiras em um livro de direito com fins didáticos. Moraes, que é um professor da USP, chegou a copiar parágrafos inteiros de um autor espanhol e apresentou como se fossem de sua autoria. O flagrante caso de corrupção acadêmica virou notícia até na Espanha.
Agora, leia esse trecho de uma tese de doutorado na USP de 2000:
“É vedado (para o cargo de ministro do STF) o acesso daqueles que estiverem no exercício ou tiveram exercido cargo de confiança no Poder Executivo, mandatos eletivos, ou o cargo de procurador-geral da República, durante o mandato do presidente da República em exercício no momento da escolha, de maneira a evitar-se demonstração de gratidão política ou compromissos que comprometam a independência de nossa Corte Constitucional”.
Se não houve outro plágio, o texto é da autoria de Alexandre de Moraes. Mas esqueçam o que ele escreveu. Merval Pereira, um dos colunistas mais prestigiados pelas Organizações Globo e sempre alinhadíssimo à linha editorial da empresa, defendeu essa circunstancial e inacreditável mudança de opinião:

Para tentar explicar essa repentina mudança, Merval recorreu ao contorcionismo: “É um problema para ele, mas a nomeação estava na lista de Temer desde o primeiro momento”. O colunista afirmou também – acredite! – que esta foi “uma escolha técnica do presidente”.
Em outra coluna em O Globo, Merval seguiu os passos do Estadão: ressaltou as qualificações técnicas de Moraes e minimizou as implicações políticas da sua nomeação. Mas Merval também tem direito de mudar de opinião. À época da indicação de Fachin, as qualificações técnicas não pareciam tão importantes e o fato de ele ter declarado fazer parte de um grupo de “juízes que têm lado” deixou o colunista indignado. Em coluna intitulada “O lado errado”, Merval cobrou explicações:
“Juristas ‘que têm lado’ não deveriam estar no Supremo, aleguei então, inclusive por que Fachin notabilizou-se por defender politicamente as ações do MST, o que seria, na minha opinião, uma influência negativa nos seus julgamentos no Supremo. Disse então que Fachin deveria explicar que história era aquela de ‘ter lado’, e que deveria se comprometer com a independência em relação ao governo petista, explicando qual a diferença daquele Fachin de 2010 para o hoje indicado ao STF.”
Se o Estadão achou a escolha de Moraes “compreensível”, O Globo considerou “natural”. Em editorial com o título “A escolha natural de Moraes para o Supremo”, o jornal da família Marinho afirma: “Não é em si preocupante que o indicado tenha passagem pela política, pois magistrados costumam ser independentes, como fica evidente em veredictos no STF”.
Numa época em que partidos governistas sofrem graves acusações na Lava Jato, esses dois grandes veículos consideraram “compreensível” e “natural” a indicação de um filiado do PSDB e integrante do governo para o STF. Longe de mim querer exigir neutralidade no jornalismo, mas é necessário cobrar um mínimo de coerência e transparência. Merval, Globo e Estadão têm lado definido, mas insistem em desfilar vestindo o terninho da imparcialidade.
Fonte: RBA
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13.02.17







