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Equador sediará Encontro de Partidos Comunistas e Operários
O Grupo de Trabalho (GT) do Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários reuniu-se em Larnaca, Chipre, no último final de semana, em 21 e 22 Junho. O Partido Progresista do Povo Trabalhador do Chipre (AKEL, na sigla em grego) foi o partido anfitrião.
Os partidos presentes foram informados pelo secretário-geral, Andros Kiprianos, sobre o desenvolvimento da questão cipriota e expressaram sua solidariedade com a luta pela libertação e reunificação do Chipre.O Grupo de Trabalho tomou decisões sobre várias questões e discutiu a situação internacional.
O 16º Encontro Internacional de Partidos Comunistas e Operários será realizado no Equador, entre os dias 13 e 15 de novembro vindouro. O tema central será o papel dos partidos comunistas e operários na luta contra o imperialismo e a exploração capitalista, entendidos como causadores das crises e guerras e origem das forças fascistas e reacionárias. O temário do 16º Encontro inclui um chamamento pelos direitos dos trabalhadores e dos povos, pela emancipação nacional e social, pelo socialismo.
O GT trocou opiniões sobre o modelo de funcionamento do próximo Encontro Internacional, bem como outros aspectos relevantes propostos pelo Partido Comunista do Equador, que será o anfitrião.
O GT discutiu também sobre sua composição e modo de funcionamento e apresentará um informe sobre o andamento das discussões a esse respeito no 16º Encontro.
Presente na reunião, o Partido Comunista da Ucrânia informou sobre a situação no país. O GT expressou a solidariedade com a sua luta, bem como com a luta das forças democráticas para resistir à intervenção imperialista e ao fascismo. O Partido Comunista da Ucrânia está enfrentando a perspectiva de ser banido da vida política do país pelas autoridades ucranianas.
Os partidos presentes na reunião do GT denunciaram as autoridades ucranianas, bem como os duplos critérios que a União Europeia e os Estados Unidos aplicam.
Todos os partidos presentes denunciaram a política de terror seguida pelas autoridades ucranianas e condenaram a atividade das forças fascistas e reacionários do país, forças que sonham com o ressurgimento do fascismo.
O GT denunciou as intervenções dos EUA e da União Europeia, no âmbito da sua orientação unilateral, a fim de servir os seus interesses e intervenções que acarretam o perigo de guerra para a região do Leste da Europa. Denunciaram também a concentração de tropas da Otan na região e em outros lugares.
Os partidos reunidos no Chipre condenaram os crimes cometidos contra o povo ucraniano, bem como contra as organizações que estão resistindo aos atos fascistas e ilegais de repressão. Pedem o fim imediato das operações militares do governo na região sudeste do país, um cessar-fogo imediato e exigem que seja dada a possibilidade de paz com os direitos de todos os povos garantidos. Finalmente, declaram que o direito à autodeterminação pertence aos povos.
O GT foi informado em detalhe pelos partidos comunistas do Oriente Médio sobre a evolução da situação da região. Os partidos presentes manifestam solidariedade com as lutas dos povos dessa região.
O GT realizou um intercâmbio geral de opiniões sobre a situação internacional e foi informado pelos partidos sobre a evolução da situação em cada país.
Igualmente, o GT avaliou a implementação das diretrizes comuns de ação que foram aprovadas no 15º Encontro Internacional, que teve lugar em Lisboa, em novembro do ano passado.
Fonte: AKEL (http://www.akel.org.cy)
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25.06.14
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Gabrielli presta depoimento amanhã à CPMI da Petrobras
A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga irregularidades na Petrobras se reúne amanhã (25) para ouvir o ex-presidente da estatal Sérgio Gabrielli. A reunião está marcada para as 13 horas no plenário 2 da ala Nilo Coelho, no Senado.
Gabrielli já prestou depoimento, há um mês, à CPI do Senado que também investiga denúncias contra a Petrobras. Ele afirmou que, na época, a compra da refinaria de Pasadena, nos Estados Unidos, foi um bom negócio para a estatal.
Ele também isentou a presidente Dilma Rousseff, então presidente do conselho de administração da estatal, de responsabilidade individual pelo fechamento do contrato. De acordo com Gabrielli, a decisão pela compra da refinaria foi tomada em conjunto pelos membros do conselho de administração, em atendimento à estratégia da empresa à época de buscar refino no exterior.
Fonte: Agência Câmara
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25.06.14
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MTE já pagou Abono Salarial a 21.3 milhões de trabalhadores
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25.06.14
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Ciro diz ter “nojo e pavor” do discurso de Marina Silva
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25.06.14
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Assis Melo quer estender correção do salário mínimo até 2023
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25.06.14
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A presença de negros no Judiciário é ínfima aponta censo do CNJ
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25.06.14
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Uma democracia sem mulheres é uma democracia incompleta
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25.06.14
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CTB inicia nesta sexta distribuição do “Olho Crítico”
A CTB começa nesta sexta-feira (20) a distribuição do Jornal Olho Crítico, em 12 estações do metrô de São Paulo. O jornal visa oferecer ao leitor um olhar diferente sobre os acontecimentos em curso na sociedade brasileira e no mundo.
O Olho Crítico pretende divulgar um ponto de vista diferente acerca da conjuntura, uma visão democrática, classista, anticapitalista, socialista, contraposta à ideologia neoliberal que orienta a linha editorial dos grandes meios de comunicação e representa o pensamento e os interesses da burguesia financeira.
O propósito é contribuir para a compreensão mais profunda da nossa história e o avanço da consciência critica de todos os leitores e leitoras. É realizar um jornalismo absolutamente fiel à verdade dos fatos, crítico às manipulações midiáticas e engajado na luta por um Brasil mais justo e mais próspero, relatando os dramas cotidianos dos trabalhadores, das trabalhadoras e do povo brasileiro, refletindo e apoiando ativamente as lutas sociais por melhores condições de vida.
A conscientização, mobilização e luta das massas trabalhadoras e populares constituem a força motriz que, em movimento, pode promover as grandes transformações que a nação demanda e o povo reclama, colocando a nação no rumo de um novo projeto de desenvolvimento orientado para a valorização do trabalho, a soberania, a democracia e o socialismo.
Olho crítico vai circular mensalmente ao longo deste ano, mas a pretensão de sua equipe é reduzir o prazo de sua publicação assim que as condições para tanto forem reunidas.
Baixe o seu exemplar do jornal Olho Crítico
Fonte: Portal CTB
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25.06.14
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Teste da linguinha é sancionado e passará a valer em 180 dias
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25.06.14
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Artistas e intelectuais assinam carta contra Joaquim Barbosa
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18.06.14
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Luís Roberto Barroso é novo relator da Ação Penal 470 no STF
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18.06.14
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Produção cai e impacta nível de emprego na indústria
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18.06.14
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Ferryboat terá sistema especial no feriadão
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18.06.14
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Dilma sanciona hoje adicional de 30% para quem trabalha com moto
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18.06.14
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Empresa é absolvida de condenação em dano moral por falta de registro na CTPS
A Oitava Turma do Tribunal Superior do Trabalho acolheu recurso da Multigrain S. A. e absolveu-a do pagamento de indenização por danos morais a um analista de sistemas que só teve a carteira de trabalho assinada por determinação judicial, em reclamação trabalhista de reconhecimento de vínculo. Para a Turma, a falta da assinatura, por si só, não caracteriza o dano moral: é necessário que haja comprovação do prejuízo moral decorrente da falta das anotações, o que não foi o caso.
A 70ª Vara do Trabalho de São Paulo determinou a anotação do vínculo na CTPS e o pagamento das verbas decorrentes, mas negou a indenização. “A demora do pagamento ou seu reconhecimento, em juízo, não tem amplitude suficiente para gerar danos morais”, concluiu.
O Tribunal Regional do Trabalho da 2ª Região (SP) modificou a sentença e condenou a Multigrain a indenizar o trabalhador em R$ 3 mil. Para o TRT, com a falta de registro, o trabalhador “deixou de ostentar a condição de empregado, de consumidor a crédito, bem como de ter acesso à rede de proteção social e previdenciária”.
A Multigrain recorreu então ao TST. A ministra Dora Maria da Costa, relatora do recurso, lembrou que o Regional baseou a condenação apenas na falta da assinatura da CTPS. Porém, apesar dos transtornos que isso possa ter causado ao trabalhador, não ficou comprovado, no processo, ato ilícito por parte da empresa que gere direito à reparação por dano moral, como preveem os artigos 186 e 927 do Código Civil.
Para a relatora, o TRT não registrou nenhum prejuízo de ordem moral em decorrência da falta do registro da CTPS. “Limitou-se a meras deduções em torno de eventuais desconfortos que o fato poderia trazer”, observou. “Não tendo cometido ato ilícito, não há falar em condenação em dano moral”, concluiu. A decisão foi unânime.
Fonte: TST
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17.06.14
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Contribuintes já podem sacar restituição do Imposto de Renda
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17.06.14
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Desemprego é baixo, difícil é encontrar vaga
O Brasil tem uma taxa de desocupação entre 5% e 7,1%. Isso pode sugerir que vivemos uma situação na qual todos que procuram trabalho conseguem encontrar. No entanto, a realidade não corresponde aos números divulgados. Para os jovens com 18 a 24 anos, por exemplo, o índice sobe para 13%.
Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), pleno emprego é a situação em que o número de vagas oferecidas é próximo à quantidade de pessoas que procuram trabalho. O conceito também inclui boas condições de trabalho, como carteira assinada, jornada e remuneração justas, além de utilizar o máximo da capacidade produtiva do País.
Em tempos de baixo crescimento da economia, o atual índice de desocupados é atribuído, em parte, à forte expansão do setor de serviços, que inclui o comércio e engloba desde quem trabalha em bancos até taxistas. O problema é que as pessoas empregadas nessas vagas têm salários baixos, pouca produtividade e alta rotatividade.
Dizer que o desemprego diminuiu ou que há menos pessoas desocupadas não basta para afirmar que estamos no pleno emprego. Segundo o economista Gabriel Ulyssea, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), não é possível avaliar a situação sem considerar o número de brasileiros que deixaram de procurar uma ocupação. “Se esse contingente tivesse ficado no mercado de trabalho, possivelmente nós teríamos uma taxa de desemprego maior”, diz.
O que se tem observado nos últimos anos é uma mudança no perfil da economia brasileira. Se antes a indústria era atrativa por contratar mais pessoas, agora é o setor de serviços que se destaca, contando com maior participação no Produto Interno Bruto (PIB) do Brasil (69,4% em 2013).
Fonte: www.agorams.com.br
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17.06.14
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Primeira mulher a presidir o STM diz que vai defender igualdade de gênero
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17.06.14
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CPMI da Petrobras se reúne para votar mais de 370 requerimentos
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17.06.14
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Colômbia: governo fecha fronteiras terrestres devido a eleições
O governo da Colômbia fechará na madrugada de amanhã (14) as fronteiras terrestres do país por causa do segundo turno das eleições presidenciais, marcado para domingo (15). O país faz fronteira com o Brasil, o Equador, o Panamá, o Peru e a Venezuela. O fechamento das fronteiras terrestres durante as eleições no país é uma medida comum, adotada para “garantir a segurança e a ordem pública”.
A fronteira mais extensa é com a Venezuela (2.219 quilômetros). Milhares de colombianos vivem lá, por isso, o movimento na fronteira é intenso hoje (13).
O segundo turno das eleições é disputado pelo presidente Juan Manuel Santos, candidato à reeleição pela Coalizão Unidade Nacional e pelo opositor, Óscar Zuluaga, do Centro Democrático, partido de extrema direita, criado pelo ex-presidente e senador eleito Álvaro Uribe.
As pesquisas de intenção de voto apontam uma disputa acirrada, com pequena margem de diferença entre os dois candidatos. No primeiro turno, Zuluaga conquistou quase 500 mil votos a mais do que Santos, mas o presidente diz estar confiante. Ontem (12) ele destacou que vai ganhar a eleição com uma margem de diferença de 8 pontos a 10 pontos de vantagem.
Zuluaga não teve compromissos públicos, porque está “de licença médica”, desde a última quarta-feira (11), devido a uma laringite. Mas o ex-presidente Álvaro Uribe continua ativo nas redes sociais.
Ele diz ter “informações” de que um esquema de fraude teria sido montado para o domingo. Mas o órgão eleitoral recomendou que Uribe apresente suas denúncias às autoridades competentes para investigação.
As eleições vão ocorrer um dia depois da estreia da seleção colombiana na Copa do Mundo, contra a Grécia, amanhã. Depois de 16 anos sem participar da competição, a estreia é bastante esperada pelos colombianos, que vão assistir ao jogo, com a Lei Seca em vigor.
Ambos os candidatos incentivam a população a comparecer às urnas no domingo, mas existe um temor de que as festividades da Copa prejudiquem o comparecimento. No primeiro turno, mais de 32 milhões de eleitores foram convocados, mas somente 40% do eleitorado votaram.
Fonte: Agência Brasil
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13.06.14
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FAO: 840 milhões de pessoas são afetadas pela subnutrição
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13.06.14
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Deputados criticam oposição por politização excessiva da Copa
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13.06.14
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FMI pede medidas urgentes para evitar nova crise imobiliária
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13.06.14
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Interdito proibitório: TST derrota bancos; impõe-lhes multa
A Sétima Turma do Tribunal Superior do Trabalho condenou oito instituições financeiras a pagar indenização por dano moral coletivo por abuso de direito na utilização de ações judiciais (interditos proibitórios), com o objetivo de inviabilizar movimentos grevistas em Belo Horizonte (MG).
No caso, os bancos impetraram 21 ações, tendo como base a defesa da posse dos estabelecimentos bancários durante as greves, garantindo, assim, a liberdade de ir e vir aos empregados e clientes. A indenização fixada é de R$ 50 mil por cada uma dessas ações, totalizando mais de R$ 1 milhão, em favor do sindicato.
Foram condenados os bancos ABN AMRO Real S.A., Santander Banespa S.A., Itaú S.A., União de Bancos Brasileiros S.A. – Unibanco, Mercantil do Brasil S.A., Bradesco S.A., HSBC Bank Brasil S.A. – Banco Múltiplo e Safra S.A.
Ação Civil Pública
O processo é uma ação civil pública ajuizada pelo Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos Bancários de Belo Horizonte e Região em 2006 e engloba ações impetradas pelas instituições financeiras em 2005 e 2006. Para o ministro Vieira de Mello, redator do acórdão, utilizar ações judicias, partindo-se da presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas, atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve e configura conduta antissindical.O Tribunal Regional do Trabalho da 3ª Região (MG) havia mantido a decisão da primeira instância que não acolheu o pedido de indenização do sindicato. De acordo com o TRT, embora seja o direito de greve um instrumento legítimo de pressão, garantido pela Constituição, os bancos, como todos, têm direito ao acesso à Justiça, inclusive de modo preventivo.
“Na hipótese, buscou-se garantir o pleno exercício do direito de posse, o funcionamento do sistema financeiro, o resguardo ao direito de clientes e usuários e o direito dos trabalhadores que voluntariamente decidiram não aderir à greve”, destacou o TRT.
Caráter antissindical
No entanto, para Vieira de Mello, ainda que os interditos proibitórios impetrados pelos réus tivessem aspecto de regular exercício do direito pela obtenção da concessão de liminares favoráveis, essas decisões não são capazes de transfigurar seu caráter antissindical. “A intenção por trás da propositura dos interditos era única e exclusivamente de fragilizar o movimento grevista e dificultar a legítima persuasão por meio de piquetes”, assinala.Para o ministro, o abuso de direito está configurado na pretensão de acionar “o aparato do Estado para coibir o exercício de um direito fundamental, o direito dos trabalhadores decidirem como, por que e onde realizar greve e persuadirem seus companheiros a aderirem o movimento”.
Portanto, utilizar de ações judiciais, na forma realizada pelos réus, em que se partiu da “presunção de abusos a serem cometidos pelos grevistas”, requisito particular do instituto do interdito proibitório, atenta contra os princípios concernentes ao direito de greve e configura ato antissindical.
A ministra Delaíde Miranda Arantes ficou vencida apenas no provimento do agravo de instrumento, não participando do julgamento do recurso de revista.
O que é interdito proibitório
Segundo o site DireitoNet, trata-se de mecanismo processual de defesa da posse. De acordo com o artigo 932, do Código de Processo Civil, “o possuidor direto ou indireto, que tenha justo receio de ser molestado na posse, poderá impetrar ao juiz que o segure da turbação ou esbulho iminente, mediante mandado proibitório, em que se comine ao réu determinada pena pecuniária, caso transgrida o preceito”.Tal ação possessória visa proteger preventivamente a posse que está sofrendo ameaça de ser molestada ou sob iminência de sofrê-la. São pressupostos para essa ação: que o autor esteja na posse do bem, que haja a ameaça de turbação ou esbulho por parte do réu e que haja o justo receio de que tal ameaça se configure.
Fonte: TST Notícias)
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13.06.14
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No Brasil, salário de professor é metade do que recebem outros profissionais
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13.06.14
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Vanessa diz que Brasil superou dificuldades na preparação da Copa
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13.06.14
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Assembleia cria novo órgão para fiscalizar a Embasa
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11.06.14
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Declarações de líder do PSB expõem racha na aliança com Marina
As declarações do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), atribuindo à greve dos metroviários motivações “políticas”, argumento também utilizado quando começaram a se tornar públicos o caso do cartel do metrô e da CPTM, entre outros episódios, fazem parte de uma estratégia repetida deliberadamente para reduzir a política a um papel secundário na vida nacional. Como se as greves não fossem em si mesmas políticas.
“Claro que é um discurso um pouco para deslegitimar as demandas e as reivindicações, não só deslegitimar, mas colocá-las num plano de que há interesses político-partidários, da competição político-eleitoral e ponto”, diz o cientista político Vitor Marchetti, professor da Universidade Federal do ABC (UFABC).
“Toda e qualquer greve tem o objetivo de pressionar, partilhar e conquistar poder, poder de decisão. Mas Alckmin e vários outros governantes insistem nesse argumento de que a greve é ‘política’ não apenas para desmoralizar a ação política como para desmoralizar os partidos que ele acusa de estar fomentando a greve”, acrescenta a cientista política Maria Victoria Benevides.
O discurso que reduz a política a uma simples motivação de “incomodar” o governo do estado quer fazer crer que a política é uma atividade menor e, no limite, vai no sentido de criminalizar a práxis política.
“A criminalização da política é um dos problemas mais sérios que temos de enfrentar, e não só no caso brasileiro, mas nas democracias representativas como um todo”, acredita Marchetti. Para ele, essa atitude não é nova no país. “O Brasil tem um histórico muito curto de vida democrática: a gente olha para a política sempre como uma atividade de criminosos. É um diagnóstico muito perigoso porque dá margem a um discurso tecnicista, como se a técnica, ao substituir a política, fosse produzir resultados melhores.”
O professor lembra que esse discurso tecnicista “é o que os militares em 1964 traziam”. “A sociedade brasileira muitas vezes se seduz muito com esse discurso. Desde Vargas, ou mesmo desde a construção da primeira República, esses discursos estavam lá. Não são novos na política brasileira”. Para ele, a redução da política a um teatro de atores menores ou desprezíveis a desloca para um cenário em que o embate e a divergência, próprios à democracia, se torna insuportável.
“Mas o cenário de embate e divergência é o que sustenta o regime democrático. Se a gente parte para uma ideia de um tecnicismo tentando anular o embate e o conflito, certamente vai legitimar regimes autoritários ou burocráticos que não zelam pela transparência, pela prestação de contas”, acrescenta Marchetti.
Em entrevista recente à revista Carta Capital, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também traçou paralelo entre a negação da política e a ditadura. “Interessa a uma parte da elite brasileira a negação da política. O que vem depois é sempre pior, quando você nega a política. A ditadura brasileira foi a negação da política. O que é muito grave, porque, se você atravessa um momento sem nenhuma referência, sem ninguém em condições de controlar a situação, o próprio Estado vai à deriva”, completou.
“Essa posição de criminalizar a política serve a motivos inconfessáveis num ano eleitoral”, acrescenta Maria Victoria.
Mas tanto ela como Marchetti relativizam a questão do discurso de Alckmin no caso da greve dos transportes – e dos metroviários em particular. “Eu pessoalmente tenho uma posição radical em relação à greve de transportes. Sou favorável ao direito de greve, é um direito constitucional, mas acho que sempre existe um lado de responsabilidade de quem faz greve que deveria ser cumprido, porque quem acaba pagando o dano que a greve causa é o povo trabalhador. Não é o patrão nem o capital”, avalia Maria Victoria. “Acho que, como em outros países democráticos, a greve deve ser decidida com o compromisso de manter serviços.”
A professora aconselha aos sindicalistas que reflitam sobre o assunto. “O que mais me incomoda é ver o povo todo abandonado, à noite, na chuva, no frio, com criança no colo, gente doente, gente que se não aparecer no trabalho não ganha, criança que se não for à escola não come.”
Para Marchetti, embora haja, no discurso de deslegitimação das greves, a intenção de reduzir a política a um significado menor, esse discurso, por outro lado, também não deixa de ser um instrumento “natural do governante”. “O governante vai tentar minimizar o efeito da greve sobre seu mandato, isso em todas as esferas. O governo federal agora, negociando com os técnicos administrativos das universidades, se vale de um argumento parecido, a greve está ancorada em interesses eleitorais, de minar o governo.” Na opinião do cientista político da UFABC, esse discurso é “uma arma disponível” no sistema político.
FONTE: Rede Brasil Atual
Fonte: fetraconspar.org.br
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09.06.14
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Declarações de líder do PSB expõem racha na aliança com Marina
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09.06.14
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Por causa da Copa, a velha mídia reforça “complexo de vira-latas”
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09.06.14
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Plano Nacional de Educação: uma conquista do movimento social
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09.06.14
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Mantega diz que o crédito no país passou por “verdadeira revolução”
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou hoje durante apresentação da evolução do crédito no país que o Brasil teve uma “verdadeira revolução” no setor. Segundo ele, o mercado de capitais evolui muito nos últimos anos e a bolsa de valores está entre as dez maiores do mundo em volume de recursos e investimentos. Em reunião do Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES), no Palácio do Planalto, o ministro também destacou que, mesmo com a crise iniciada em 2008, as empresas têm mais de R$ 1 trilhão em bolsa de valores, mais do que há uma década.
Ele enfatizou que, mesmo ante os reflexos da crise na economia mundial, o investimento estrangeiro direto (IED), que é importante porque financia as empresas, saiu de um patamar de US$ 20 bilhões para US$ 65 bilhões. “E continua [aumentando]. A crise não afetou a entrada de IED e esse patamar se mantém. O Brasil é mantido como destino importante de recursos em todo o mundo”. disse.
O ministro disse ainda que a composição do crédito direcionado pelos bancos públicos, que vai para a agricultura e a indústria, por exemplo, tem volume forte para manter a economia em níveis aceitáveis, principalmente em momentos de crise. “Estamos com uma taxa de juros reais, que era mais alta no passado, caindo ao longo do tempo. Foi menor antes, mas para combater a inflação tem flutuado”, defendeu. De acordo com Mantega, a tendência é manter essa taxa mais baixa no futuro para não inibir a economia.
O governo usa a taxa básica de juros para inibir a inflação com a redução do crédito, mas quando a taxa está alta acaba afetando também o crédito para o setor produtivo. Mantega disse que, no passado, o governo reduzia o crédito público em detrimento do privado, que é mais caro. Nos últimos dez anos, o setor público assumiu estratégia importante e elevou seu papel em conjunto com o setor privado.
“Em 2008, com a eclosão da crise, faltou crédito para todos os setores. Os bancos travaram o crédito, que é um reação natural. Nesse momento, os bancos privados retraíram e os públicos assumiram essa posição, substituindo o fornecimento de crédito. Tomamos medidas como liberação do compulsório, que é o recolhimento que os bancos são obrigados a fazer diariamente ao Banco Central, e o governo colocou no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) mais de R$ 100 bilhões”, destacou. O recursos, disse, foram para dar estímulos à economia em crise e permitir o retorno de investimentos.
O ministro destacou também o Programa de Sustentação do Investimento (PSI) que tem juros mais baixos para o setor produtivo, notadamente para a produção de máquinas e equipamentos. ”Em 2009, começou com R$ 18,2 bilhões e subiu para R$ 62,2 milhões. Agora, temos mais de R$ 82,2 bilhões nesta modalidade, com taxa de juros mais baixas”. Para Mantega, foi o PSI que, entre outras coisas, permitiu que o pais tivesse um crescimento melhor no ano passado, bom para períodos de dificuldade, incluindo a Taxa de Juros de Longo Prazo (TJLP), com patamares em torno de 5%. “Temos uma relação [boa] entre os financiamentos do BNDES e formação bruta de capital fixo. Sabemos que infraestrutura é especial e estamos implementando um grande programa para o setor, com a participação do BNDES em cerca de 50% dos financiamentos. A iniciativa privada tem participação importante também”, disse.
Além das grandes empresas, o ministro lembrou que o BNDES ajuda micro, pequenas e médias empresas. Segundo ele, tem “gente que pensa que o banco estatal não olha para o setor”, disse. Foram R$ 63,5 bilhões só em 2013.
O ministro lembrou ainda que o crédito para o setor imobiliário é cada vez mais destaque na vida do cidadão brasileiro, que tem trocado o consumo de bens pela casa própria, sendo o governo um dos principais agentes financeiros. “Tivemos no primeiro momento uma expansão do crédito ao consumidor para permitir que a nova classe média pudesse melhorar o padrão de vida. Agora, ela está fazendo financiamento para habitação, depois de comprar eletrodomésticos, como TVs de LED. As coisas estão se invertendo em termos de crédito”, destacou.
Mantega lembrou ainda da importância do financiamento ao setor agrícola, que tem batido seguidos recordes de produção. Para ele, a tecnologia no setor, cada vez mais aprimorada, tem importância, mas o crédito também é relevante, além da relevância que o governto tem dado ao microcrédito.
Fonte: Agência Brasil
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Apenas quatro países destinam 10% do PIB para a educação
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06.06.14
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Sem consenso, metroviários mantêm greve e defendem liberação das catracas
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06.06.14
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Copa do Mundo deve ajudar pouco exportações brasileiras
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06.06.14
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Bashar Al Assad é reeleito presidente da Síria com 88,7% dos votos
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05.06.14
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Senado aprova mudança na jornada de motoristas profissionais
Os senadores aprovaram na noite desta terça-feira, 3, o projeto de lei PLC 41/2014, que altera a lei 12.619/2012 . A medida regulamenta a jornada de trabalho dos motoristas profissionais. A proposta prevê que o condutor dirija por no máximo cinco horas e meia, tendo um intervalo de descanso de 11 horas entre uma jornada e outra.
A carga horária dos motoristas era uma das reivindicações dos rodoviários, que realizaram greve em maio em Salvador. Para finalizar o movimento, que durou três dias, os trabalhadores aceitaram proposta do patronato de redução da jornada de trabalho de oito para sete horas com descanso de 20 minutos.
O projeto também prevê que os motoristas podem trabalhar até dez horas por dia, sendo que duas horas são extras. Essa jornada não pode ser de direção contínua. Como houve alteração no texto enviado ao Senado, o projeto de lei volta para votação na Câmara dos Deputados.
Fonte: A Tarde
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05.06.14
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Tarifa de água é reajustada em 7,8% a partir desta sexta
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05.06.14
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Anistia Internacional pede respeito à manifestação pacífica na Copa
A Anistia Internacional pedirá respeito à liberdade de expressão e à manifestação pacífica durante a Copa do Mundo, em ato que será realizado hoje (5) em Brasília. O movimento reuniu mais de 86 mil assinaturas, em cerca de 100 países, com a campanha “Brasil, chega de bola fora!” e vai entregá-las ao Palácio do Planalto e ao Congresso Nacional. A preocupação é que a violência contra os manifestantes registrada nos protestos do ano passado voltem a ocorrer durante o Mundial.
Os relatos de violência são muitos. A organização reuniu alguns e acrescentou recomendações ao Poder Público no documento Eles Usam uma Estratégia de Medo: Proteção do Direito ao Protesto no Brasil, que estará disponível a partir desta quinta-feira no site do movimento.
“A intenção é a prevenção, para evitar eventuais violações por parte da polícia durante as manifestações que poderão ocorrer”, diz a assessora de Direitos Humanos da Anistia Internacional, Renata Neder. “No ano passado, a gente viu eclodir em todo o país grandes manifestações. Em diversas, a resposta da polícia foi abusiva, fazendo o uso excessivo da força, de balas de borracha e gás”.
A reação policial teve consequências. O documento mostra o caso do fotógrafo Sérgio Andrade da Silva que perdeu um olho após ser atingido por uma bala de borracha, disparada pela polícia militar durante uma manifestação em São Paulo, no dia 13 de junho de 2013.
Há também o caso de Vinicius Duarte, 27 anos, músico e estudante universitário. De acordo com o texto, ele foi brutalmente espancado por policiais militares durante uma manifestação em São Paulo no dia 25 de janeiro de 2014. Ficou gravemente ferido, teve a mandíbula e o nariz quebrados e perdeu quatro dentes depois que dois policiais militares o golpearam diversas vezes com os cassetetes.
Renata reconhece que atos de violência são praticados também por manifestantes. “O que é direito humano é o protesto e a manifestação pacífica. Qualquer ato de violência deve ser investigado e a polícia deve atuar para responsabilizar tais atos”, diz. No entanto, “a polícia precisa saber que a resposta e atuação no protesto deve ser no sentido de diminuir, não pode resultar no aumento de violência”.
Entre outras recomendações, a anistia pede que as autoridades brasileiras, em nível federal e estadual, assegurem que as polícias Civil e Militar, bem como outras forças de segurança, recebam treinamento adequado e efetivo para o policiamento de manifestações públicas, inclusive as de grandes dimensões.
Além disso, diz que as autoridades brasileiras devem estabelecer e pôr em prática mecanismos de prestação de contas claros, eficazes e públicos para investigar denúncias de violações cometidas por todas as forças de segurança responsáveis pelo policiamento, antes e durante a Copa do Mundo. Devem ainda garantir que os responsáveis por violações de direitos humanos sejam submetidos aos procedimentos disciplinares e
penais apropriados.O movimento também pede que o Congresso Nacional rejeite os projetos de Lei Antiterrorismo PLS 499/2013 e PLS 44/2014. Segundo Renata, as ações já mostram resultados. No mês passado, o ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gilberto Carvalho, disse que o governo federal não vai mais apoiar nenhum dos projetos em tramitação no Congresso que aumentem as penas para crimes cometidos durante manifestações.
Fonte: Agência Brasil
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05.06.14
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Hoje é o último dia para se inscrever no Sisu
Os candidatos a uma vaga no Sistema de Seleção Unificada (Sisu) têm até hoje (4) para se inscrever. Para participar, é preciso ter feito o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) do ano passado e não ter zerado a redação. As inscrições devem ser feitas no site do Sisu até as 23h59.
Até as 19h de ontem, 861.405 candidatos haviam feito a inscrição, segundo o Ministério da Educação (MEC). O número superou o total de inscritos da edição do Sisu do ano passado, quando foram registrados 788.819 candidatos.
Nesta segunda edição, são oferecidas 51.412 vagas em 1.447 cursos, distribuídos em 67 instituições federais e estaduais. Para o curso de medicina, a oferta é 1.374 vagas, enquanto nas engenharias há 8.707 vagas disponíveis. Do total, 41% das vagas serão destinadas às cotas e 3% a outros tipos de ações afirmativas próprias das instituições.
No momento da inscrição, será necessário informar o número de inscrição e da senha usados no Enem 2013. Caso o candidato não se lembre desses dados, poderá recuperá-los no site do Enem. Ao finalizar a inscrição, o sistema permite que o candidato imprima um comprovante.
O resultado da primeira chamada do Sisu será divulgado no dia 6 de junho e as matrículas ocorrerão de 9 a 13 de junho. A segunda chamada está prevista para o dia 24 de junho, com matrículas entre 27 de junho e 2 de julho. Os candidatos que não forem convocados nas duas chamadas poderão integrar a lista de espera.
O Sisu é o sistema informatizado do MEC no qual instituições públicas de ensino superior oferecem vagas para candidatos participantes do Enem. A seleção tem duas edições a cada ano.
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04.06.14
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Vendedor obrigado a se fantasiar para aumentar vendas de chips será indenizado
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04.06.14
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Professores municipais de São Paulo encerram greve
Os professores municipais de São Paulo decidiram nesta terça-feira (3) encerrar a greve que durou 41 dias. Os educadores aceitaram em assembleia a proposta da prefeitura, de incorporação do abono de 15,38% em três parcelas , distribuídas de maio de 2015 a novembro de 2016. Os dias parados serão pagos mediante reposição das aulas.
Segundo o Sindicato dos Profissionais em Educação no Ensino Municipal (Simpeem), a prefeitura também se comprometeu a regulamentar o intervalo de 15 minutos para os profissionais da educação infantil até agosto. Serão retomadas ainda as discussões sobre a implementação do sistema de gestão pedagógica.
Permanecem em greve, no entanto, os professores, funcionários e alunos da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e da Universidade Estadual Paulista (Unesp). Os docentes, paralisados desde a terça-feira passada (27) fizeram protesto nas ruas do centro da capital paulistana na tarde de hoje. A categoria reivindica a abertura das negociações sobre o reajuste salarial.
O Conselho de Reitores das Universidades Estaduais de São Paulo (Cruesp) destaca que as três instituições apresentam altos níveis de comprometimento do orçamento com a folha de pagamento. Por isso, propôs a discussão da data-base para setembro ou outubro deste ano, o que não foi aceito pelos trabalhadores. Segundo o órgão, a USP gasta 105,33% dos seus repasses com a folha de pagamentos, enquanto a Unesp tem 97,33% de sua folha comprometida e a Unicamp, 97,33%.
Fonte: Agência Brasil
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04.06.14
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04.06.14
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Combate ao trabalho infantil precisa quebrar círculo vicioso da pobreza
O dia 12 de junho foi escolhido pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) como o Dia Mundial de Combate ao Trabalho Infantil. Em 2014, como a data coincide com a abertura da Copa do Mundo no Brasil, a Justiça do Trabalho decidiu antecipá-la para hoje, 3 de junho, com uma série de atividades que dão ênfase à conscientização da sociedade para a gravidade do problema (confira aqui algumas das iniciativas). Segundo dados da última Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), concluída em 2012 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), existem no Brasil 3,5 milhões de crianças e adolescentes, entre cinco e 17 anos, em situação de trabalho infantil.
Para o ministro Lelio Bentes Corrêa, do Tribunal Superior do Trabalho, coordenador do Programa de Combate ao Trabalho Infantil no âmbito da Justiça do Trabalho, a data é um convite à reflexão e à sensibilização. “Temos criado materiais de trabalho e de esclarecimento para a sociedade, como a cartilha 50 Perguntas e Respostas sobre Trabalho Infantil, e o manual Trabalho Infantil: Um Novo Olhar, distribuído a todos os juízes do trabalho no Brasil. E temos o nosso sítio na internet onde se pode consultar e ter acesso à bibliografia e a todas atividades da comissão”.
Círculo vicioso
Mesmo com o aumento da conscientização social, Lelio Bentes lembra que existe o fato econômico, que classifica como “círculo vicioso da pobreza”: pais pobres levam seus filhos a trabalhar e essas crianças, por não terem acesso à educação, passam a ser elas próprias pais pobres que também levarão seus filhos a trabalhar no futuro. “É preciso quebrar esse círculo”, afirma.
“Essas pessoas têm muito poucas escolhas”, reforça Beate Andrees, chefe do Programa de Combate ao Trabalho Forçado da OIT. Um elemento fundamental para superar essa condição é a implementação de políticas públicas que possam alcançar as famílias em situação de carência – e o exemplo do Brasil é reconhecido pela própria OIT, que recomenda a ampliação da proteção social às famílias. “No Brasil, podemos ver algumas boas práticas de medidas preventivas nesse sentido, sobretudo nas zonas rurais”, afirma Andrees.
Lelio Bentes ressalta que, embora as políticas públicas existam, falta sobretudo investir na qualidade do ensino e na distribuição de renda. “É absolutamente fundamental criar alternativas de geração de emprego e renda e de qualificação profissional dos adultos para que seus filhos possam ter acesso à escola e ali se preparar para uma vida produtiva no futuro”, defende. “E a escola precisa ser atrativa e de tempo integral, para que esses meninos possam estar protegidos enquanto seus pais trabalham”.
Outro ponto reforçado na discussão sobre a erradicação do trabalho infantil diz respeito à aplicação rigorosa da lei. “Tanto a fiscalização do trabalho como o Ministério Público e a Justiça do Trabalho têm estado bastante atentos e atuado no lado repressivo”, assinala o magistrado.
As condenações impostas pela Justiça do Trabalho, sobretudo a partir de ações civis públicas ajuizadas pelo Ministério Público, também repercutem positivamente. “Há muitos casos judiciais bem sucedidos no Brasil, com milhões de reais pagos em indenizações”, assinala Beate Andrees. “É realmente um exemplo a ser seguido”.
Redução
A coordenadora do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil da OIT, Maria Cláudia Falcão, diz que a redução do problema no Brasil é reconhecida internacionalmente. De 1992, quando se começou a medir o número de crianças ocupadas, a 2012, houve uma redução de 58%. “Em 1992 eram oito milhões de crianças em situação de trabalho infantil e, de acordo com a PNAD de 2012, em 2012 esse número foi reduzido para 3,5 milhões. Ou seja, houve uma redução de 4,9 milhões de crianças”, assinala.
Para Lelio Bentes, a Justiça do Trabalho tem uma contribuição decisiva para esses resultados. “A CLT foi escrita na década de 40 e, de lá pra cá, houve mudança tanto na legislação como na Constituição”, explica. “A Emenda Constitucional 45 atribui ao juiz do trabalho a competência para lidar com os assuntos do mundo do trabalho. Essa é uma responsabilidade nossa, da Justiça do Trabalho, e os juízes estão bastante preparados para fazer frente a essa responsabilidade”.
Fator cultural
Além dos fatores socioeconômicos, um ponto pacífico em toda discussão sobre trabalho infantil é a questão cultural – a ideia de que o trabalho, sobretudo para a criança pobre, é a opção “menos ruim”. Um dado relativamente surpreendente da PNAD de 2012 do IBGE é a grande incidência de crianças e adolescentes trabalhadoras nos estados da Região Sul – embora a maior concentração ainda esteja nas regiões Norte e Nordeste.
“No sul, há um fator cultural que naturaliza o trabalho infantil como uma alternativa de formação do caráter das crianças”, assinala Isa Oliveira, secretária-executiva do Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil (FNPETI). “Então você vai encontrar crianças e adolescente nas chamadas piores formas de trabalho infantil, no cultivo do tabaco, da batata, do alho, do tomate”.
A situação, a seu ver, é preocupante. “Em geral, no Brasil, sempre se olha para o Nordeste como se todas as violações e mazelas acontecessem ali”, afirma. “Mas há uma situação de avanço no Nordeste, enquanto na Região Sul não: os percentuais vêm se mantendo ao longo das últimas pesquisas, e o fator cultural é preponderante”.
Os números desmentem a tese da contribuição do trabalho infantil para a formação das crianças: segundo Isa Oliveira, 98% dos trabalhadores adultos encontrados em situações análogas à de escravidão foram trabalhadores infantis. E um percentual significativo de adolescentes que cumprem medidas socioeducativas com restrição de liberdade estão nessa situação em decorrência de trabalhos ilícitos, como o tráfico de drogas. “A inserção da criança e do adolescente no mercado de trabalho tem toda uma repercussão posterior, na vida adulta”, ressalta.
Desafios
Um dos desafios para a efetividade da aplicação da lei é a informalidade. “O trabalho infantil, hoje, no Brasil, não ocorre mais dentro das empresas, mas na informalidade, na agricultura familiar e no trabalho infantil doméstico”, afirma o procurador do trabalho Rafael Dias Marques, coordenador nacional de combate à exploração do trabalho de crianças e adolescentes do Ministério Público do Trabalho. “Essas formas específicas, que correspondem a grande parte do trabalho infantil no Brasil, exigem a implementação de políticas públicas na área de assistência social, educação e saúde”.
Maria Cláudia Falcão, da OIT, também aponta a informalidade como um problema a ser atacado. “No setor formal, os auditores fiscais podem aplicar multas”, observa. “No informal, é difícil estabelecer essa relação de trabalho e definir quem vai ser penalizado por isso”. Uma abordagem necessária, segundo ela, deve envolver as cadeias produtivas. “Muitas vezes, apesar de o trabalho infantil estar no setor informal do, se houver identificação da empresa que está comprando esse produto lá na ponta, é possível penalizá-la”.
Ainda para que se tenham resultados efetivos no trabalho informal, é importante o envolvimento de várias frentes – auditores fiscais, Justiça do Trabalho, Ministério Público, trabalhadores de assistência social ou “qualquer pessoa”, como propõe Maria Cláudia Falcão. “Só o que se tem de fazer é encaminhar essas crianças para a rede de proteção”. Isso pode se dar através de denúncia, de encaminhamento aos conselhos tutelares ou aos centros de referência em atendimento social (CRAS), “para que os profissionais da área possam ir às famílias e entender os motivos pelos quais essa criança está trabalhando”. A partir daí, busca-se vincular a família aos programas que hoje existem no Brasil para erradicar o trabalho infantil.
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