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Realidade das mulheres negras é debatida em sessão especial na Câmara dos Deputados
Hoje (18) ocorre em Brasília a grande Marcha das Mulheres Negras – Contra o Racismo, a Violência e pelo Bem Viver. Nesta terça-feira(17), a um dia do evento, já considerado a maior manifestação do movimento negro no Brasil, a Câmara dos Deputados promoveu uma sessão especial de debates sobre a realidade das mulheres negras brasileiras, bem como a lacuna deixada pela falta de políticas afirmativas para esta população.
Presente no plenário, a ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, Nilma Lino Gomes, defendeu uma maior presença das mulheres negras na política. “Temos que enxergar a vida política como um lugar de militância e de representatividade. A violência que assombra as mulheres assombra muito mais as mulheres negras”, afirmou.
De acordo com Nilma Gomes, o movimento negro possui uma grande capacidade de interpretar a realidade brasileira ao revelar que a desigualdade está ligada não apenas à condição social, mas, também, a questões de gênero e raça. “A luta das mulheres negras é como um farol, porque vai iluminando. O ministério deve ficar cada vez mais atento para programar ações articuladas”, disse.
A ministra afirmou que a marcha das mulheres negras mostra a perversidade do racismo. “As nossas políticas devem ser voltadas à realidade. Temos igualdade? Usufruímos dos mesmos direitos? É por isso que estamos aqui e é por isso que as mulheres negras marcham”, ressaltou.
A representante da União Nacional de Negros e Negras, Olívia Santana, afirmou há pouco que os números do Mapa da Violência mostram que o racismo é evidente na sociedade brasileira. Segundo ela, a violência contra mulheres brancas caiu 10% e a cometida contra as mulheres negras aumentou 53% em relação aos últimos dados.
A deputada Alice Portugal (PCdoB-BA) afirmou que a Marcha das Mulheres Negras deve fazer parte da política progressista nacional: “É uma luta contra a pauta regressiva que tenta se afirmar como a pauta da política atual”. Ela criticou recentes projetos aprovados na Câmara, como o que dificulta o aborto em caso de estupro e o que regulamenta a terceirização de serviços.
A CTB, parceira na luta do movimento negro, participará ativamente da mobilização de amanhã com representantes de federações e sindicatos ligados à central, de todos os estados, para marchar pela causa das mulheres negras.
“Estamos vindo de maneira empolgada, mas com a responsabilidade e o compromisso de reafirmar nossa luta pós-marcha, em favor da classe. Mobilizamos as estruturas, nossas federações, sindicatos, para lutarmos contra o racismo e pela igualdade”, declarou Mônica Custódio, Secretária de Igualdade Racial da CTB.
O Brasil tem a maior população negra fora da África – 97 milhões de pessoas. As mulheres negras (pretas+ pardas) somam cerca de 49 milhões.
