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    Salário mínimo: briga em defesa do piso nacional vai ser boa*

     

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    A política de valorização “lenta, gradativa e segura” do salário mínimo, negociada com as centrais sindicais unidas depois de uma sucessão de marchas dos trabalhadores a Brasília, transformou-se em verdadeiro terceiro trilho do metrô, aquele que eletrocuta quem pisa nele.

    João Guilherme Vargas Netto**

    Vocês se lembram das profecias ensandecidas contra os aumentos reais do salário mínimo?

    Com os aumentos, o desemprego e a informalidade iriam disparar, a Previdência quebraria e as prefeituras seriam inviabilizadas. Nada disso aconteceu e, pelo contrário, ninguém ousa negar o fundamental papel positivo dos ganhos reais do salário mínimo para os trabalhadores, para a sociedade e para a economia.

    A política de valorização “lenta, gradativa e segura” do salário mínimo, negociada com as centrais sindicais unidas depois de uma sucessão de marchas dos trabalhadores a Brasília, transformou-se em verdadeiro terceiro trilho do metrô, aquele que eletrocuta quem pisa nele.

    Para eliminá-la, os adversários percebem que é essencial confundir os trabalhadores e dividir as centrais sindicais, atacando-a “de ladinho”, ou seja, atacando-a depois de elogiá-la e oferecendo mil e uma alternativas aparentemente mais aceitáveis.

    Ninguém propõe pura e simplesmente a sua eliminação (mesmo alguns editoriais de jornalões que querem a desindexação imediata cogitam contraditoriamente alguma regra), mas já surgiram as seguintes propostas alternativas:

    * desvincular o salário mínimo dos benefícios previdenciários, trabalhistas (como seguro-desemprego) e de assistência-social;

    * desvincular o salário mínimo nos empregos públicos (leia-se prefeituras) mesmo celetistas;

    * corrigir pela inflação mais uma porcentagem inferior a 1%;

    * corrigir pela inflação mais o crescimento do PIB per capita;

    * corrigir pela inflação mais a média dos outros ganhos reais de salários; e

    * corrigir pela inflação mais o aumento da produtividade (que ninguém sabe como medir).

    Estas e outras formas vão sendo veiculadas principalmente neste ano eleitoral em que cada candidato será praticamente forçado pelo movimento sindical a se pronunciar sobre o tema.

    Uma coisa é clara para mim: o que garante hoje o impulso unitário das centrais sindicais e aumenta nosso poder de fogo é a luta pela manutenção da atual política vitoriosa dos reajustes do salário mínimo.

    (*) Título original: A briga vai ser boa

    (**) Membro do corpo técnico do Diap e consultor sindical de diversas entidades de trabalhadores