Indústria paga menos horas extras e retomada do emprego está longe
A indústria não vai bem neste ano, mas a produção deve crescer (ainda que pouco), após o tombo de 2012. O emprego, porém, tende a fechar em terreno negativo na esteira não só do fraco desempenho do setor, mas, especialmente, por conta do receio de empresários em abrirem vagas em um ambiente de fraco consumo e sem perspectivas de uma melhora firme em 2014.
Um dado divulgado nesta terça-feira, 12, pelo IBGE corrobora tal avaliação, segundo analistas. É que o total de horas pagas pelos empresários em suas linhas de produção mostra uma forte tendência de queda nos últimos meses, o que é uma má notícia. Isso porque sugere que uma retomada do emprego não se desenha num horizonte próximo.
Antes de contratarem, as indústrias, primeiro, ampliam a produção usando a capacidade ociosa de suas fábricas e ampliando as horas trabalhadas de seus empregados –seja por meio de contratação de horas extras ou pelo uso de outros instrumentos, como o banco de horas. Em setembro, o indicador de horas pagas registrou queda de 0,6% frente agosto. Foi a quinta taxa negativa consecutiva nessa base de comparação. Em relação ao segundo trimestre, o total de horas pagas caiu 1,5%, após registrar um avanço de 0,3% entre abril e junho.
Já ante setembro de 2012, a retração foi ainda mais intensa: 1,5%. Pelos dados do IBGE, o número de horas pagas caiu, em setembro, na maioria das regiões (10 dos 14 pesquisados pelo IBGE) e dos setores –14 dos 18 investigados. Esses dados mostram que há uma falta de perspectiva de melhora do emprego disseminada, segundo analistas, diante de um cenário de produção fraca, juros altos, consumo combalido e confiança de empresários abalada.
Fonte: Folha
