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Centrais farão mobilização nacional contra reforma da Previdência
De acordo com Adilson (foto), as centrais têm pouco tempo para mobilizar o Congresso e a sociedade. Arthur Maia afirmou que pretende entregar o relatório sobre a reforma no dia 16 de março. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, deu mostras de que pretende votar a proposta em 11 sessões mesmo tendo 30 sessões para esgotar o debate.
“Temos um tempo muito exíguo. É importante que haja uma articulação política de grande envergadura no Congresso nacional por parte da representação parlamentar. Neste ponto será fundamental o papel dos partidos ligados à luta dos trabalhadores e também a pressão das ruas para tentar alterar o quadro de adversidade”, avaliou o dirigente da CTB.
Na opinião dele, a mobilização para o dia 15 de março será um teste de força na luta contra a proposta da reforma da Previdência. “Essa proposta de reforma representa um grande retrocesso para a classe trabalhadora e para o país porque da forma que se apresenta em aliança com a aprovação da PEC 55 põe fim à política de valorização do salário mínimo”, argumentou Adilson.
Sem direito a aposentadoria
A proposta defendida por Temer estabelece a idade mínima de 65 anos para a aposentadoria de todos os trabalhadores. Nessa regra, entram homens, mulheres, trabalhadores do campo e da cidade. Para ter direito à aposentadoria integral é necessário ter 65 anos e contribuir por 49 anos.
“A depender de qual cidade resida e se for levar em consideração o mapa da expectativa de vida, o trabalhador pode morrer e não se aposentar. O dinheiro da contribuição vai servir para fazer caixa para banqueiro, superavit primário e alimentar a ciranda financeira. Toda essa orquestração tem endereço certo, que é a previdência privada”, enfatizou o presidente da CTB.
Ele definiu o cenário pós-golpe como “um tremendo desastre”. Não se confirmou a expectativa de que a retomada do crescimento e o fim da crise viriam com a chegada de Michel Temer à presidência. Adilson ainda comentou a posição do ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, que apontou a liberação das contas inativas do FGTS como solução para a crise.
“Essa declaração é um descalabro. São medidas paliativas. O governo não encontrou saídas porque está perdido. O Brasil reclama a crise mundial mas no fundo não tem uma política porque se aposta em entregar o patrimônio público. As maiores reservas do país estão sendo entregues às empresas do capital estrangeiro.”
Adilson ressaltou ainda a omissão do governo na aprovação dos acordos de leniência, que fariam com que as empresas envolvidas em investigação de corrupção mantivessem as atividades enquanto a pessoa física, diretores e executivos, continuariam a ser investigados.
Precarização do trabalho
Mais de 5 mil obras estão paralisadas em todo o país, num total de investimentos de mais de R$15 bilhões, segundo estudo do jornal O Estado de S. Paulo. O desemprego atingiu 12 milhões de pessoas, três milhões a mais que há um ano.
“Não avançou a MP do acordo de leniência e isso é muito motivado, no fundo, para atrair empresas do capital estrangeiro em detrimento das empresas nacionais. Aquelas estão aliadas ao discurso da modernização das relações de trabalho. O que esse governo pretende é mão de obra barata, trabalho sem direitos, terceirização generalizada e país refém dos ditames do FMI”, reforçou Adilson.
“A bandeira da luta contra a reforma vai caminhando para uma posição mais consequente já que embora, em algum aspecto ou ponto, possa existir divergência conseguimos consolidar uma opinião que estaremos todos juntos nas ruas no dia 15 de março”, finalizou.
Fonte: Vermelho