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A palavra é sua

    Debate Aberto

    Ernando Vieira –  Capitalismo e Trabalho

     

    O neoliberalismo apoia uma ínfima participação do Estado no mercado de trabalho possibilitando a política de privatização de empresas estatais, a abertura da economia para as multinacionais, a livre circulação de capitais internacionais, o não protecionismo econômico, redução de salários dentre outros. No Brasil, este sistema político foi absorvido assumidamente nos dois governos FHC, quando a classe trabalhadora experimentou consequências desastrosas, como salário mínimo na casa dos 63 dólares, desemprego, funcionalismo público sem reajuste salarial por oito anos consecutivos, privatizações de importantes estatais, sem falar nos escândalos de corrupção abafados pela mídia promíscua que se configura num quarto poder neste país.

    O neoliberalismo é exercido essencialmente pelas classes dominantes, que estão de braços dados com o Estado, instituindo uma frente de batalha contra os trabalhadores colocando-os em concorrência no Brasil e no mundo inteiro, com o objetivo de rebaixar os seus salários.

    A sociedade dominante e a dominada têm sua origem na divisão social do trabalho, estabelecendo assim uma relação de conflito entre as partes. Isso se deve ao modo como a força dominante exerce seu poder sobre a dominada diante das relações de trabalho que são exercidas de maneira predatória, exploradora e precarizada, objetivando o acúmulo de capital. Como já foi dito, a classe dominante ainda conta com o apoio do Estado, onde se fundem e confundem politicamente a classe dominada, exercendo um poderoso domínio, utilizando uma espécie de mão invisível que facilita a movimentação e ampliação de poder entre si, dificultando o processo de conquistas sociais aos menos favorecidos. O Estado por sua vez está organizado, em sua maioria esmagadora, por parlamentares oriundos das elites, que utilizam seus cargos trabalhando com os olhos voltados para beneficiar apenas os abastados e  deixando à margem o resto da sociedade.

    Nesse sentido, a classe trabalhadora (dominada) deverá buscar meios de reação contra esses abusos promovidos por essa política neoliberal, primando pela união e organização da classe, promovendo investimento por meio de organizações como sindicatos e outros movimentos sociais, que visem a formação política, no sentido de aprimorar o discernimento na hora da escolha do seu governante. Através do voto é possível despertar um olhar crítico sobre temas que envolvem a sociedade como um todo, e, por fim, não aceitar a exploração do trabalho e lutar, lutar sempre, pois só assim será possível conquistar a oportunidade de viver numa sociedade  igualitária.

    *Ernando Vieira é secretário de Formação e presidente do SINTRACOMVC

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