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Trabalhadores protestam na sede da Eletrobras, em Manaus
Os 1050 trabalhadores da empresa Andrade Gutierrez, que atuam nas obras da Usina Termelétrica Mauá 3 (Utema), na zona leste de Manaus, voltaram a paralisar as atividades na manhã desta terça-feira (14), reivindicando o pagamento do percentual de periculosidade, a oferta de plano de saúde e cumprimento do programa de Participação nos Lucros e Resultados (PLR).
Segundo o Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil do Amazonas (Sintracomec), 500 profissionais participaram da manifestação que chegou a bloquear a entrada e saída de veículos da Eletrobras Amazonas Energia, na Avenida Sete de Setembro, no Centro.
Os trabalhadores reclamam que não recebem os 30% de periculosidade sobre os salários. “Eles nunca pagaram e são quase dois anos de obra”, afirma o mecânico ajustador Clodoaldo Gonçalves. O piso salarial de pedreiros, eletricistas, carpinteiros, armadores e mecânicos varia de R$ 1.141 a R$ 2.960, dependendo da função.
A alegação dos profissionais é que o local de construção fica dentro do perímetro de 300 metros de outra usina e que, por isso, muitos trabalhadores sentem fortes dores de cabeça e já chegaram a desmaiar. De acordo com o Sintracomec, os profissionais ficam expostos a gases tóxicos e próximos à rede de alta tensão.
Os trabalhadores também querem o pagamento da PLR e planos de saúde para os profissionais da construção civil e da pesada. Hoje, o benefício de plano de saúde é dado apenas aos profissionais da área administrativa.
Os 500 trabalhadores fizeram manifestação, que passou pelo Centro de Manaus e chegou à sede da Amazonas Energia. Depois de obstruírem a passagem de veículos que saíam ou entravam na empresa, os profissionais se reuniram com a diretoria da concessionária.
“O diretor da Amazonas Energia falou que a empresa (Andrade Gutierrez) tem que pagar e amanhã (quarta) vamos contatar o Ministério Público”, disse o vice-presidente do Sintracomec, Cícero Custódio.
O Ministério Público do Trabalho (MPT) informou que dois peritos estiveram nas obras da usina na manhã de ontem e vão analisar os dados coletados. A reportagem do PortalD24AM entrou em contato com a Andrade Gutierrez, por meio da assessoria de imprensa, mas até o fechamento desta reportagem não obteve retorno.
Na última sexta-feira, os trabalhadores realizaram uma manifestação que fechou uma das faixas da Avenida Djalma Batista, em frente à sede da construtora.
Fiscalização
O Ministério Público do Trabalho (MPT) contatou algumas irregularidades nas obras da Usina Termelétrica Mauá 3 (Utema). “Os trabalhadores da usina estão reivindicando melhorias na condições de trabalho e no meio ambiente de trabalho”, disse o procurador do trabalho, Jorsinei Nascimento.
Segundo o procurador, uma das principais reivindicações é quanto ao cheiro de gás muito forte que é intermitentemente sentido no local. “Fomos ao local e verificamos que, realmente, o cheiro de gás é muito forte, mas nem a empresa sabe de onde o gás vem ou que tipo de gás”, comentou Jorsinei.
“Em razão da proximidade do canteiro de obras a um armazenamento grande de combustível de outra termelétrica que já existe, iremos requerer junto à construtora estudos sobre o caso e adotar as medidas necessárias”, concluiu ele.
Fonte: DM24