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Pesquisa aponta que machismo alimenta desigualdade social no Brasil
Pesquisa do Instituto Locomotiva aponta que o machismo breca economia e contribui para a desigualdade social no Brasil. De acordo com o estudo, essa é a opinião de um homem branco, paulistano e com curso superior, que só por ser quem é, sabe que ganha 69% a mais do que uma mulher branca, paulistana e com superior completo.
A instituto entrevistou 1.024 mulheres e 858 homens no país para traçar o panorama atual da mulher brasileira e seus diversos papéis na sociedade. Isto confirmou sua crença de que acabar com o machismo é uma questão urgente.
Entre os resultados encontrados, destaca-a luta pela isonomia. 60% das brasileiras concordam que mulheres deveriam ocupar ao menos metade dos cargos de chefia nas empresas, três em cada dez homens acreditam que é justo mulheres ocuparem menos cargos de chefia que homens, já que podem engravidar e sair de licença maternidade.
Há outros números que chamam atenção: para dois em cada dez homens é constrangedor uma mulher ganhar mais. As mulheres reconhecem esta situação: 72% das entrevistadas afirmam que “o homem se sente inferior quando a mulher é mais bem-sucedida profissionalmente”.
Renato Meirelles, presidente da referida entidade de pesquisa, escolheu as palavras para se arriscar a falar sobre protagonismo e luta por isonomia de direitos pelas mulheres. “A naturalização do machismo no Brasil é causa e consequência da desigualdade de gênero”, apontou.
Impacto para o desenvolvimento
A pesquisa destacou que o machismo afeta todas as esferas de vida das mulheres e traz prejuízos à economia. Ele estima que 461 bilhões de reais seriam injetados no país caso o salário das mulheres fosse equiparado ao dos homens.
A força de trabalho feminina há muito tempo contribui para o desenvolvimento do Brasil. Nos últimos 20 anos, mais de 9,3 milhões de brasileiras passaram a integrar o mercado de trabalho formal.
E mais, a presença feminina no mercado de trabalho mudou a organização social do país. Em 1995, 20% dos lares brasileiros eram chefiados por mulheres. Atualmente, 40% dos lares dependem do trabalho feminino. Estes dados fazem parte de um estudo apresentado no seminário Brasileiras – Como elas estão mudando o rumo do país, que aconteceu no dia 2 de dezembro, em São Paulo.
O estudo apontou que, no Brasil, apenas 10% das mulheres ocupam cadeira na Câmara dos Deputados. No entanto, 95% das mulheres e 88% dos homens acreditam que deveria haver mais mulheres na política.
Portal CTB – Com informações da ONU Mulheres no Brasil.