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Influência de sindicatos deve crescer no Chile
Qualquer um em busca de pistas sobre como o Chile pode mudar sob o novo governo da presidente Michelle Bachelet pode se sentir desencorajado pelo destino de Thomas Keller, ex-executivo-chefe da Codelco, sacado do cargo após confrontar-se com os poderosos chefe
Por Financial Times
A demissão de Keller no início de junho veio logo depois de Bachelet ter indicado três novos diretores para o conselho de administração, em meio às relações tensas com os sindicatos.
Muitos analistas argumentam que os sindicatos já têm demasiada influência na Codelco. A saída de Keller, dois anos após sua indicação pelo governo de Sebastián Piñera, sinaliza para um papel de ainda maior influência para os sindicatos sob o governo de Bachelet.
A grande questão é o impacto no programa de investimento de US$ 25 bilhões em seis anos, voltado a manter os atuais níveis de produção por 30 anos, mas que precisa do aval dos funcionários. O sucesso de longo prazo das reformas de Bachelet depende de uma Codelco forte, que precisa de uma recapitalização, já que a empresa vem reinvestindo menos de 5% dos lucros desde sua estatização em 1976. As mineradoras privadas normalmente reinvestem 50%.
Os desafios enfrentados pela mina de Radomiro Tomic, há 18 anos em operação, são um espelho dos problemas gerais da Codelco. Juan Medel Fernández, gerente geral da mina, diz que em cinco anos os minerais oxidados que a mina extrai vão se esgotar. Novas tecnologias, que custariam cerca de US$ 200 milhões, precisam ser usadas para extrair cobre de minérios de sulfeto que foram descobertos em maiores profundidades e que poderiam manter a mina aberta por mais 40 a 45 anos.
“Se não fizermos algo a respeito logo, em 2019 vamos ser obrigados a fechar”, diz Medel Fernández. Ele acredita que ainda há chance para a mina, que costumava ser chamada de “a joia da coroa da Codelco”, recuperar a glória do passado. Mas o tempo está se acabando.
Fonte: Valor Econômica