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Destaques do dia

    Inflação alta e rentabilidade reduzem interesse pela caderneta

    A baixa na renda dos poupadores e a melhor rentabilidade dos fundos de renda fixa fazem com que os brasileiros apliquem menos dinheiro na poupança. De acordo com dados do Banco Central (BC) divulgados, na última segunda-feira (7), no primeiro semestre deste ano, os depósitos em poupança superaram os saques (captação líquida) em R$ 9,61 bilhões, resultado 66% menor dos que os R$ 28,27 bilhões registrados em igual período de 2013.

    Um dos diretores da Associação Nacional de Executivos de Finanças (Anefac) Miguel de Oliveira destaca que a inflação alta corrói a renda, reduzindo o volume de dinheiro disponível para aplicações financeiras.

    Juros de crédito
    Outro fator para explicar essa redução na captação líquida são os juros mais altos do crédito, o que aumenta o endividamento das famílias. Com isso, destaca Oliveira, há situações em que as famílias precisam retirar dinheiro da poupança para pagar dívidas. “Além de não ter mais dinheiro para aplicar, retira o que têm da poupança.”

    A taxa básica de juros (Selic), que serve de referência para os juros cobrados no mercado, está atualmente em 11% ao ano, após passar por um ciclo de alta. A Selic começou a subir em abril do ano passado, quando foi ajustada em 0,25 ponto percentual para 7,5%. Esse ciclo de alta foi interrompido somente em maio de 2014, com a manutenção da Selic em 11% ao ano. Entre outubro de 2012 e março de 2013, a Selic ficou no seu mínimo histórico (7,25% ao ano).

    Alta da Selic
    Quando a Selic estava mais baixa, os rendimentos dos fundos, que acompanham a taxa básica, eram menos vantajosos que a variação da poupança. Mas, com a alta da Selic, o cenário mudou. Portanto, para aqueles em condição de poupar, as aplicações em fundos de renda fixa são mais atrativas, destaca Oliveira.

    De acordo com o diretor da Anefac, os rendimentos da poupança só são maiores quando a taxa de administração cobrada nas aplicações em fundos de renda fixa está acima 2%. “Na maioria das situações, a poupança perde para os fundos”, disse. As taxas de administração variam de 0,5% a 3% ao ano. Para pequenos valores, as taxas costumam ser superiores a 1,5% ao ano.

    Tendência
    A tendência para os próximos meses é a continuidade de redução nas aplicações em poupança, prevê o Oliveira. “Esse cenário de inflação mais alta corroendo a renda, juros altos, baixo crescimento e desemprego em alguns segmentos vai persistir.”

    Os fundos de renda fixa têm tributação do Imposto de Renda sobre seus rendimentos. Quanto menor o prazo de resgate, maior a tributação. Já sobre a poupança não há cobrança de impostos nem de taxas de administração.

    Captação 
    Os depósitos em poupança superaram os saques em R$ 3,223 bilhões em junho, segundo dados do BC. Essa foi a menor captação líquida (depósitos maiores que retiradas) registrada no mês de junho desde 2011, quando foi registrada R$ 220,427 milhões. Em junho do ano passado, a captação foi a maior para o período (R$ 9,451 bilhões) registrada na série do BC, iniciada em 1995.

    No primeiro semestre, os depósitos foram maiores que as retiradas em R$ 9,614 bilhões, 66% menor dos que os R$ 28,273 bilhões registrados em igual período de 2013.

    No mês passado, os depósitos ficaram em R$ 130,630 bilhões e os saques, em R$ 127,406 bilhões. Foram creditados R$ 3,420 bilhões de rendimentos. O saldo da poupança alcançou R$ 626,970 bilhões, dos quais R$ 490,241 bilhões são do Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE) e R$ 136,729 bilhões da poupança rural.

    Pela regra atual, com a taxa básica de juros, a Selic, acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% ao mês (6,17% ao ano) mais a Taxa Referencial (TR), tipo de taxa variável. Essa fórmula está em vigor desde agosto do ano passado, quando a Selic foi reajustada para 9% ao ano. Quando os juros básicos da economia estão iguais ou inferiores a 8,5% ao ano, a caderneta rende 70% da taxa Selic mais a TR. Atualmente, a Selic está em 11% ao ano.

    A fórmula só vale para o dinheiro depositado na poupança a partir de 4 de maio de 2012. Para os depósitos anteriores, o rendimento segue a regra antiga, de 0,5% ao mês mais a TR. Os demais direitos de quem aplica na caderneta foram mantidos, como a isenção de taxa de administração e de impostos.

    Fonte: Monitor Mercantil

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