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Décimo-terceiro salário é essencial para saldar dívidas e iniciar investimentos
Milhões de trabalhadores brasileiros aguardam a chegada do final do ano para receberem o décimo-terceiro salário. O benefício, conhecido também como gratificação de Natal, injetará a partir de novembro bilhões de reais na economia brasileira. Entre os planos sonhados pelos brasileiros para o destino deste dinheiro extra estão: pagamento de dívidas, recuperação de crédito, planejamento financeiro para 2015, viagens, compras de final de ano, investimentos etc.
Antes de pensar em gastar, a orientação de especialistas em educação financeira é utilizar o valor para saldar dívidas e pagar contas.
Reinaldo Domingos, educador, terapeuta financeiro e presidente da Associação Brasileira de Educadores Financeiros (Abefin), destaca que o primeiro passo para não errar sobre o uso do 13º é saber qual o seu perfil financeiro: poupador, equilibrado ou endividado.
“Se a pessoa está no perfil poupador, ótimo; está no caminho certo. Basta continuar agindo assim, sempre poupando para os seus sonhos. Se estiver no perfil equilibrado, tome muito cuidado, pois qualquer deslize pode fazer você ficar na condição de endividado. Agora, se o perfil é endividado ou inadimplente, é melhor ter a noção do tamanho de suas dívidas e sempre tentar renegociá-las. O pagamento delas deve estar, claro, na lista dos sonhos”, afirma.
O educador financeiro do portal ‘Meu Bolso Feliz’, José Vignoli, ressalta que este é um momento especial para ajustar o planejamento financeiro. “A entrada do dinheiro do décimo-terceiro salário é uma possibilidade especial para rever o planejamento financeiro e realizar um controle maior do destino do seu dinheiro. As pessoas que têm dívidas devem realizar um levantamento de todos os débitos para descobrir o quanto está devendo e como está pagando. A partir daí, deve se traçar uma estratégia para liquidar, se possível, todas as dívidas”, alerta.
De acordo com o educador, as dívidas mais comuns entre os brasileiros são com despesas com cartão de crédito, cheque especial, crédito pessoal e empréstimo consignado. “Se a pessoa tem dívidas, então deve usar o dinheiro extra para saldá-las. Caso o valor do décimo-terceiro não seja suficiente para liquidar todas as pendências, ele deve privilegiar as dívidas que envolvem um grande volume financeiro. Entre todas elas, as do cartão de crédito e do cheque especial são prioridade devido às altas taxas de juros”, orienta.
Segundo dados da pesquisa mensal de Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade (Anefac) de setembro deste ano, a taxa de juros do cartão de crédito é de, em média, 10,78% ao mês (241,61% ao ano). Já a taxa de juros do cheque especial, em média, é de 8,44% ao mês (164,41% ao ano).
Para José Vignoli carregar dívidas no cheque especial, normalmente, acarreta débitos no cartão de crédito e pagamento do mínimo da fatura e, desta maneira, a dívida cresce. “O consumidor se descontrola ao utilizar o cheque especial, pois acaba incorporando o limite que a instituição disponibiliza ao seu orçamento mensal. E, assim, pagando mais juros”, observa.
Poupar e investir
O economista da Técnica Finance Advisory, Erick Herbert Thau, ressalta que é muito importante aproveitar o momento para colocar o planejamento “na ponta do lápis”. “ Se possível, após receber o décimo-terceiro, a pessoa deve poupar recursos, mesmo sabendo que no final do ano estamos propensos a gastar e consumir mais, em função das festas de final de ano. Nesse sentido, a recomendação é pesquisar antes de sair às compras e lembrar sempre, que é preciso ter uma reserva de, no mínimo, seis meses de nossas despesas mensais”.
Para aqueles que não têm dívidas e pretendem investir o dinheiro, os especialistas recomendam algumas alternativas. Erick Thau aponta que se a pessoa tiver um perfil mais conservador, é recomendado investir em renda fixa e até mesmo poupança. “Agora, se a pessoa tem como objetivo conquistar um adicional à sua aposentadoria, recomendamos investir em previdência privada, lembrando que este investimento será realizado todo mês por um determinado valor. No entanto, se a pessoa possui um perfil menos conservador, o investimento em ações poderá trazer um bom retorno no longo prazo”, diz.
O presidente da Abefin também recomenda as pessoas que não têm dívidas a realizarem um planejamento para o pagamento das despesas do começo de ano como IPVA, IPTU, matrícula e material escolar, entre outras. “O período é ideal para promover uma ‘faxina’ financeira no orçamento, com o objetivo de diagnosticar a atual situação e decidir o que fazer no próximo ano”, conclui. (Colaborou Denis Dana).
Fonte: PPT