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    Cunha ameaça, apela, chora e diz que paga preço pelo impeachment de Dilma

    O deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ) apresentou três nuances de sua personalidade na noite de hoje (12) no plenário da Câmara dos Deputados, desde que chegou para fazer sua defesa até o encerramento da sua fala. Entrou sozinho, mais quieto que o normal, evitou entrevistas, foi cumprimentado por uns poucos aliados e alguns assessores da mesa diretora, mas não demonstrou abatimento. Quando subiu à tribuna, no entanto, adotou um tom voraz, fez críticas ao PT, à Procuradoria-Geral da República e ao Conselho de Ética da Casa. E encerrou o pronunciamento com choro, frases vitimizadas e apelos aos colegas.

    Para vários parlamentares, inclusive do PMDB, Cunha foi “mais Cunha que nunca”, conforme comentou um aliado. Para os adversários, ele mostrou todas as suas faces e despejou a forma como está se sentindo e o que pode fazer num futuro próximo, dependendo do desenrolar da sessão.

    Cunha comparou sua situação com a do impeachment da presidenta afastada Dilma Rousseff. Citou que existem 160 parlamentares citados em inquéritos, denúncia, acusação ou qualquer outro tipo de peça acusatória no Congresso. E afirmou claramente o que foi interpretado como uma ameaça: “Hoje está acontecendo comigo, amanhã pode ser com vocês”. A frase foi vista como aceno de que ele poderá fazer denúncias numa possível delação premiada, posteriormente.

    Pediu aos colegas que “votassem com isenção”. “Não me julguem em função do que está sendo plantado na opinião pública nem por ouvir dizer, para que possam chegar nos seus estados e dizer que me cassaram”, disse.

    ‘Tratamento diferente’

    O deputado enfrentou vaias, gritos de “Fora, Cunha” e até pedidos irônicos de que chorasse, mas evitou confrontos. Disse que o processo contra ele no Judiciário teve um tratamento diferente em relação aos demais parlamentares citados em acusações e delações premiadas na lista da Lava Jato. E acrescentou que enquanto o Supremo Tribunal Federal (STF) demora, em média 602 dias para aceitação de uma denúncia, no caso dele, a denúncia pedindo o seu afastamento do cargo demorou menos de 60 dias para ser decidido.

    Também provocou reações ao criticar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a ex-presidenta Dilma Rousseff e o PT, quando falou nas críticas que recebeu por ter focado sua gestão na votação de pautas bombas. “Não existiram pautas bomba, o que existiram foram governos que foram uma bomba. Quero lembrar aqui que dos 53 pedidos de impeachment contra a presidenta afastada, eu mandei arquivar 40, acolhi um e não cheguei a deliberar sobre outros dois. Nunca um presidente teve protocolados neste Congresso tantos pedidos de impeachment de um presidente da República”, criticou.

    Cunha disse que está pagando o preço por ter acolhido o pedido “que deu início à condução do processo de impeachment”. Afirmou que o processo contra ele é político e, a seu ver, uma peça de acusação do Ministério Público não deveria servir como base para ser usada como quebra de decoro, uma vez que o acusado (no caso dele) pode ser inocentado ao final.

    “Quando há uma condenação de um parlamentar, a perda de mandato é automática. Por isso, não dá para trazer o processo para o parlamento antes de uma decisão do Judiciário”, ressaltou. Também acrescentou o sofrimento que todo o processo impôs à sua família, principalmente o envolvimento da mulher, Cláudia Cruz, que, segundo ele, dispõe de recursos próprios e, “por não ser deputada, não tinha obrigação de dar explicações nesse caso”.

    O deputado ainda repetiu os argumentos de que não possui conta fora do país, que o uso de trust (organização criada para custódia e administração de bens, interesses ou valores de terceiros) não representa que ele seja titular de qualquer conta e provocou: “Por mais que o PT brigue, chie e chore, esse governo foi embora”, numa frase que suscitou levantes dentro do plenário.

    Fonte: Rede Brasil Atual

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