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Centrais sindicais protestam contra alta dos juros nesta terça-feira, 28, em São Paulo
Convictos de que é hora de fortalecer a unidade da classe trabalhadora, os dirigentes das centrais sindicais reafirmam o compromisso de lutar por um projeto nacional de desenvolvimento ancorado na valorização do trabalho e na defesa da democracia.
Neste sentido, as entidades divulgaram uma nota conjunta contra os juros altos e convocaram para a manhã desta terça-feira, 28, uma nova manifestação em São Paulo, na avenida Paulista, em frente à sede do Banco Central, em defesa de uma política que abra caminho para a retomada do crescimento econômico.
Leia abaixo a íntegra do documento:
Não à recessão, pela redução das taxas de juros
As centrais sindicais brasileiras – CUT, Força Sindical, UGT, CTB, Nova Central e CSB – vêm a público manifestar posição contrária à política econômica do governo, caracterizada pela elevação da taxa básica de juros e o aperto fiscal. A taxa Selic atual já atinge 13,75% ao ano, que significa, confirmada a previsão de inflação dos próximos 12 meses, segundo o Banco Central de 6,10%, uma taxa básica de juros reais de alarmantes 7,2% ao ano.
Enquanto isso, a taxa de juros nos EUA e no Japão é negativa e, na Europa, levemente positiva. Essa política derruba a atividade econômica, deteriora o mercado de trabalho e a renda, aumenta o desemprego e diminui a capacidade de consumo das famílias e, mais, reduz a confiança e os investimentos dos empresários, o que compromete a capacidade de crescimento econômico futuro.
A indústria encontra-se, em termos de produção física, abaixo da média do ano de 2008. O comércio apresenta uma inflexão negativa consolidada após anos de crescimento. Os serviços já se encontram em trajetória de desaceleração e os investimentos não só permanecem em trajetória de queda como a piora sobre a percepção futura limita qualquer expectativa de recuperação no curto prazo.
Nesse contexto adverso somente os bancos estão ganhando. Depois de acumularem lucros muito maiores em 2014 (o do Itaú foi 30% maior e o do Bradesco, 25%) a despeito da estagnação econômica geral, os balanços do primeiro trimestre de 2015 atestaram novos aumentos dos respectivos lucros.
Para as centrais sindicais abaixo assinadas, o aumento da taxa de juros tem sido ineficaz no combate à inflação, encarece o crédito para consumo e para investimentos, causa mais desemprego, queda de renda, piora o cenário de recessão da economia e ainda contribui para diminuir a arrecadação do governo. E mais, concentra cada vez mais renda nas mãos de banqueiros e especuladores financeiros.
Nós, representantes das principais centrais sindicais brasileiras, defendemos a imediata redução da taxa de juros e a implementação de uma política que priorize a retomada do investimento, o crescimento da economia, a geração de emprego, a redução da desigualdade social, o combate à pobreza e a distribuição de renda.
São Paulo, 27 de julho de 2015.
CUT – Central Única dos Trabalhadores
FS – Força Sindical
UGT – União Geral dos/as Trabalhadores/as
CTB – Central dos/as Trabalhadores/as Brasileiros
NCST – Nova Central Sindical dos/as Trabalhadores/as
CSB – Central dos Sindicatos Brasileiros
Fonte: Portal CTB