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    João Pessoa: Má nutrição afeta 40% dos operários da construção eleva risco de doenças

     

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    Um estudo feito por extensionistas do Departamento de Nutrição da Universidade Federal da Paraíba revelou que 39% dos operários que ficam em alojamentos nas obras de construção civil em João Pessoa têm risco elevado de contrair doenças cárdio vasculares.

    Outro dado preocupante apontado pela pesquisa é que 69% desses trabalhadores estão com sobrepeso ou obesidade. Os dados são de 2013.

    Em João Pessoa, existem cerca de 25 mil trabalhadores na construção civil e segundo informações do sindicato da categoria, 80% desse total é sindicalizada.

    De acordo com o coordenador da pesquisa, professor Lindemberg Medeiros de Araújo, doutor do Departamento de Nutrição da UFPB, os dados elevados são decorrentes do desequilíbrio alimentar observado no dia a dia dos trabalhadores. As pesquisas vêm sendo feitas desde 2012, quando foram analisados grupos de trabalhadores diferentes.

    De acordo com o pesquisador, em 2012, o percentual de pessoas com risco elevado de doenças cardíacas chegou a 43% e os operários com sobrepeso ou obesos chegou ao patamar de 72%. “São dados realmente assustadores, mas como foram feitos em grupos de trabalhadores diferentes, revela uma média constante nos dois anos estudados”, analisou.

    Foram ouvidos 107 operários em 2012 e 112 trabalhadores em 2013, numa faixa etária entre 20 e 59 anos. Além da análise da qualidade alimentar, foi observada também a situação socioeconômica dos trabalhadores.

    As conclusões dos pesquisadores são de que há necessidade de modificação na dieta dos trabalhadores, com o consumo de hortaliças, frutas, e de leite e derivados.

    O perfil dos operários da construção civil em João Pessoa foi traçado por estudos do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos, feitos entre 2009 e 2013.

    Os dados colhidos revelaram que a maioria deles é negra e parda e composta por camponeses com rendimento médio menor que outras categorias profissionais, tem baixo nível de escolaridade e trabalha em condições precárias.

    Os estudos foram realizados por equipes do Grupo de Extensão e Pesquisa –Alimentação, nutrição, saúde e trabalho na Construção Civil de João Pessoa, que é ligado ao Departamento de Nutrição do Centro de Ciências da Saúde da Universidade Federal da Paraíba – CCS/UFPB.

    Lindemberg Medeiros considera que ainda há uma certa resistência do empresariado em relação a questão alimentar de seus trabalhadores e o objetivo da pesquisa é justamente municiar as entidades representativas para lutar por uma qualidade alimentar desses operários. “É preciso transformar essa insegurança alimentar vivida hoje em uma segurança alimentar que trará resultados mais satisfatórios no quesito saúde, por isso a importância desse trabalho”, enfatizou.

    O pesquisador informou que um Comitê Permanente de Reestruturação do Trabalho na Construção Civil, formado por representantes de entidades como o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon), Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil (Sintricon), Sindicato dos Engenheiros, entre outras entidades, que precisam tomar conhecimento do problema e buscar soluções.

    “É bom ressaltar que o objetivo não é demonizar as entidades patronais, mas sim alertar porque a obesidade é um problema crescente e decorrente da má alimentação e de hábitos alimentares errados”, orientou.

    O pesquisador disse também que os dados serão levados à Secretaria Municipal de Saúde para que o problema seja discutido pelo setor de Vigilância Alimentar e que medidas como campanhas educativas possam ser direcionadas a esse contingente de pessoas.

    “É uma questão de saúde e o nosso trabalho será contínuo nesse sentido, porque trata-se de estratégias educativas com o objetivo de melhorar a saúde, a qualidade de vida, através de uma alimentação mais saudável”, complementou.

    Fonte: Portal Correio