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    Aumento da ocupação e do rendimento médio real e redução da taxa de desemprego melhoram a inserção das mulheres no mercado de trabalho da RMS,

     

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    Há cinco anos consecutivos, a ocupação vem se elevando para as mulheres na RMS. No ano de 2013, o pequeno aumento no contingente de ocupadas não foi suficiente para absorver a demanda feminina por trabalho, o que levou ao acréscimo no número de desempregadas. Em 2014, o crescimento da ocupação para as mulheres, superior ao observado no ano anterior, somado à relativa estabilidade na sua População Economicamente Ativa (PEA), levou a redução significativa no desemprego feminino. A sua taxa de desemprego também declinou tornando-se a segunda menor taxa na série histórica da Pesquisa de Emprego e Desemprego na Região Metropolitana de Salvador (PED-RMS)1. Além disso, as mulheres elevaram o seu rendimento médio real, inclusive acima dos ganhos constatados entre os homens, o que reduziu a diferença entre os rendimentos de ambos.

    Apesar dessas importantes melhorias na inserção ocupacional feminina, as mulheres continuam sendo maioria entre os desempregados. Quando ocupadas, ainda observa-se na sua estrutura ocupacional, o peso de inserções mais precárias e com baixos rendimentos. Ademais, persistem auferindo rendimentos médios reais inferiores aos dos homens, em qualquer posição ocupacional ou setor de atividade analisados. Esse cenário mostra que, mesmo avançando no mercado de trabalho, há um longo caminho no alcance de uma inserção mais justa e equânime.

    Este Boletim Especial Mulheres tem por objetivo atualizar esses e outros indicadores sobre a inserção feminina no mercado de trabalho da Região Metropolitana de Salvador, utilizando como fonte de informações a base de dados da PED-RMS, executada pela SEI, em parceria com o Dieese, a Setre-BA e a Fundação Seade do Estado de São Paulo, com apoio do MTE/FAT.

     

    Desde 1999, o número de postos de trabalho vem numa linha ascendente, entre os ocupados na RMS. Em 2014 não foi diferente, com elevação de 1,6%, o ano analisado contou com o maior contingente ocupado (1.545 mil) da série histórica iniciada em 1997. Conforme informações da PED-RMS, foram gerados 25 mil novos postos, quantitativo superior ao de 2013 (8 mil) e suficiente para absorver o aumento da População Economicamente Ativa (PEA), que apresentou oferta adicional de 9 mil indivíduos. Com isso, o contingente de desempregados reduziu em 16 mil pessoas, chegando a um total de 325 mil. O acréscimo ocupacional no ano de 2014, respondeu ao crescimento dos postos de trabalho para as mulheres (16 mil), superior à elevação observada entre os homens (9 mil). Por outro lado, os homens exerceram maior pressão sobre o mercado de trabalho, elevando sua inserção em 13 mil indivíduos, enquanto que as mulheres apresentaram relativa estabilidade em sua PEA (-0,4%, ou – 4 mil) (Tabela 1).

     

    Influenciado pelo aumento da ocupação feminina, somado à relativa estabilidade da PEA, o contingente de mulheres desempregadas declinou em 20 mil, com impactos negativos nas proporções de mulheres desempregadas mais jovens, em faixas etárias abaixo de 40 anos (Tabela 8 – Anexo Estatístico). Já os homens, cuja elevação do contingente ocupado foi inferior à entrada deles no mercado de trabalho, o número de desempregados acresceu em 4 mil pessoas, atingindo mais os jovens de 16 a 24 anos e adultos entre 50 a 59 anos (Tabela 9 – Anexo Estatístico). Esses movimentos representaram pequenas mudanças na correlação das inserções feminina e masculina no mercado de trabalho, melhorando relativamente para as mulheres. A sobre representação das mulheres entre os

    desempregados, sempre significativa, decresceu entre 2013 e 2014, passando de 58,9% para 55,6%. Houve aumento tímido na proporção de mulheres na população ocupada – de 46,1% para 46,4%; e uma também tímida redução na sua participação no mercado de trabalho, que passou de 48,5% para 48,0%.

    A relativa estabilidade (-0,2%) da presença das mulheres no mercado de trabalho, que tendeu ao declínio no ano de 2014, apresenta realce maior na redução de 1,2 p.p na sua taxa de participação – indicador que estabelece a proporção de pessoas com dez anos de idade ou mais presentes no mercado de trabalho, como ocupadas ou desempregadas. Enquanto a dos homens, que é bastante superior, reduziu 0,4 p.p. A taxa de participação feminina passou de 53,0% da População em Idade Ativa (PIA), em 2013, para 51,8%, em 2014. Esse decréscimo da participação feminina no mercado de trabalho foi percebido, principalmente, entre as mulheres jovens e adultas nas faixas etárias até 39 anos, com redução menos intensa entre aquelas com 40 a 49 anos; enquanto observou-se leve aumento nas faixas etárias acima de 50 anos. Entre os homens, a taxa de participação diminuiu de 67,4% da PIA masculina para 67,0% .

    A redução do contingente desempregado feminino levou ao consequente declínio na sua taxa de desemprego, diferentemente do que ocorreu em 2013, quando a taxa de desemprego entre as mulheres se elevou. No ano de 2014, a taxa de desemprego total na RMS passou de 18,3% para 17,4%, devido ao decréscimo na taxa de desemprego feminina, que passou de 22,3% para 20,2%, segunda menor taxa de desemprego para as mulheres na série histórica da PED-RMS. Enquanto que a taxa de desemprego masculina pouco se alterou, ao passar de 14,6% para 14,9%. Com esses resultados, a distância existente entre as taxas de desemprego masculina e feminina, apesar de ainda significativa, diminuiu: a taxa de desemprego feminina era 52,7% maior que a masculina, em 2013; em 2014 essa diferença passou a 35,6%.

     

    No ano de 2014 em relação a 2013, houve crescimento de 16 mil postos de trabalho para as mulheres, refletido no aumento das proporções daquelas em faixas etárias de 40 anos de idade e mais e, especialmente, para as mais escolarizadas com nível superior completo, haja vista as mulheres com esse perfil terem elevado as suas participações na ocupação feminina

    Em termos setoriais, esse crescimento resultou das elevações no número de postos de trabalho no setor de Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas e no setor de Serviços, já que na Indústria de Transformação houve declínio na ocupação feminina, e na Construção a amostra não comportou a desagregação. No setor de Comércio, Reparação de Veículos Automotores e Motocicletas e Serviços, apenas o contingente feminino cresceu, 3,8%, pois para os homens verificou-se uma redução de 0,6% no número de ocupados. Nos Serviços, setor com grande relevância na estrutura ocupacional feminina, houve aumento de 3,7% na ocupação entre as mulheres, percentual superior ao verificado para os homens, 1,0%. Já na Indústria de Transformação, setor que oferece os melhores rendimentos no setor privado, o decréscimo no número de mulheres registrou percentual elevado, 19,5%, enquanto para os homens registrou-se aumento de 3,3%.