Navarro: 2015 será ano de negociações salariais aguerridas
A publicação do último balanço anual das negociações salariais, feito pelo Dieese e distribuído na última quinta-feira (19), indica um futuro imediato de negociações mais duras com o patronato em torno das questões salariais no país. Na interpretação de Eduardo Navarro, dirigente da CTB, o novo momento será um teste para as forças sindicalistas do Brasil.
“O movimento sindical vai precisar de toda a sua capacidade de mobilização e negociação para fazer frente a qualquer elevação da inflação”, comentou. “Precisamos estar preparados para enfrentar um ano dificil, agora em 2015, se quisermos sair vitoriosos nas campanhas salariais”, continuou.
A avaliação do dirigente leva em conta o quadro econômico pessimista traçado para os próximos 12 meses. Segundo o próprio Dieese, o país atravessa hoje um dos períodos mais graves no histórico econômico recente, a começar pela inflação: apesar de ter se mantido abaixo do teto anual de 6,5% em 2014, o resultado consolidado dos últimos 12 meses já aponta para uma elevação de quase 9% no INPC – isso anulará quase todos os ganhos salariais de 2014, se não for controlado. Esse quadro é agravado pela diminuição do número de vagas profissionais em setores estruturantes da economia, como o da construção civil e da indústria, que em conjunto fecharam mais de 400 mil vagas pelo país.
Os fatores que causaram essa tempestade perfeita sobre a economia brasileira têm as mais diversas naturezas. Para além da crise econômica global, que reduziu a demanda por matérias-primas fornecidas pelo Brasil, a crise hídrica que abateu o sudeste tem feito com que muitos preços aumentem dramaticamente, conforme a água se torna mais escassa e a energia elétrica mais cara. Para além disso, o fim das obras relacionadas à Copa do Mundo cessou a oferta de empregos na construção e o fim das desonerações tributárias sobre diversos ramos da indústria faz com que o custo dos impostos reestabelecidos seja transmitido para o consumidor final. O governo tem sua parcela de culpa direta, seja pela elevação da taxa de juros básica, que encarece o crédito empresarial, seja pelo enorme desconforto causado pela Operação Lava-Jato, que afasta investimentos privados nas empresas públicas.
“Cada sindicato, cada categoria deverá fazer a sua análise de quanto deve ser seu aumento real, de quanto querem lutar para conseguir. Cada categoria deve definir a reivindicação baseada no zeramento da inflação mas também no aumento real, porque, do lado patronal, os aumentos de lucratividade e rentabilidade foram superiores ao índice [de aumento salarial] médio [em 2014]”, explicou Navarro. Ele acredita que o estudo do Dieese deve ser levado em conta como um diagnóstico econômico, para reflexão, e que as negociações devem ser feitas caso a caso.
Por Renato Bazan – Portal CTB
Fonte: Portal CTB
