Centrais sindicais condenam clima de “terceiro turno” em coletiva
Na noite desta terça-feira (10), o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e a Agência Sindical promoveram uma entrevista coletiva com líderes sindicais para debater a pauta e a agenda dos trabalhadores neste momento de agitação política brasileira. A atividade teve a presença do presidente da CTB, Adilson Araújo, além de Vagner Freitas (presidente da CUT), João Juruna (presidente da Força Sindical), Caninde Pegado (secretário geral da UGT), Luiz Gonçalves (presidente da NCST-SP) e Edson Carneiro Índio (secretario geral da Intersindical).
A conversa foi dominada pela repercussão do panelaço ocorrido no domingo (8) nas regiões nobres das metrópoles brasileiras. Adilson Araújo avalia a situação com preocupação: “Estamos vivendo um período de evidente terceiro turno, em que as dificuldades econômicas brasileiras se juntam à ofensiva conservadora para tirar os trabalhadores do governo. O avanço dos representantes das forças conservadoras no Congresso cria novas dificuldades na governabilidade, fazendo com que a pauta empresarial avance com muito mais celeridade que a trabalhista”.
O sindicalista exemplificou sua avaliação ao fazer uma comparação entre as vitórias conquistadas pelo empresariado e pelos trabalhadores: enquanto o primeiro grupo foi beneficiado por massivas isenções fiscais e desonerações, o segundo viu suas pautas atolarem em um Congresso dominado pelo poder econômico.
Limites para a cooperação
A pergunta que tomou o maior tempo dos convidados, já na rodada aberta aos jornalistas, foi: “Como conciliar as concessões à direita com as pautas trabalhistas?”. O entendimento agridoce da situação é que haverá algum grau de retrocesso, inevitavelmente, já que a representação dos trabalhadores e dos movimentos sociais foi reduzida nessas eleições. Adilson Araújo fez uma avaliação realista do momento. Ele acredita que a direita se fortaleceu no último período eleitoral e está agora colocando os movimentos progressistas na defensiva.
Segundo Araújo, o momento exige que o conjunto das entidades sindicais abandonem a visão estritamente economicista da luta política e busquem estratégias para fortalecer a esquerda, tanto no Executivo quanto no Legislativo. “Eu acho que um pouco desse avanço da direita é fruto de certa apatia, que deu espaço para que as forças conservadoras avançassem sobre o governo. As forças que advogam o fim do Estado mínimo, da valorização do trabalho e do salário mínimo foram derrotadas nas eleições. Então eu penso que o momento é de colocarmos a nossa pauta de forma clara, em oposição a estes que foram eleitos. Não podemos, depois de 12 anos de ganhos reais na pauta trabalhista, deixar que tudo isso se vá pelo ralo”, concluiu.
Fonte: Portal CTB
