Mercado de trabalho na Região Metropolitana de Feira de Santana: trabalho, renda e arranjos familiares
A partir de meados da década de 2000, o mercado de trabalho brasileiro experimentou importantes transformações, em grande medida resultantes de um cenário econômico bastante favorável, devido à expansão da ocupação e à significativa redução da taxa de desemprego, com crescente formalização do trabalho assalariado. Essas mudanças tiveram impactos para além dos limites do mercado de trabalho, alterando outras esferas da vida social, como as condições de vida e consumo das famílias, dado que é no mercado laboral que os trabalhadores obtêm o rendimento necessário à reprodução social e ao acesso ao mercado de bens e serviços.
Nesse contexto de mudanças vivenciadas no mercado de trabalho, observam-se também transformações ocorridas na própria composição das famílias, com a ascensão de estruturas familiares diversas e menores. Ainda predominam na sociedade brasileira as famílias do tipo “tradicional”, constituídas por um casal com filhos, mas outras formas de vida familiar são experimentadas. Destaca-se, nesse sentido, a presença de famílias chefiadas por mulher sem cônjuge, com filhos e parentes1, monoparentais femininas, assim como o crescimento dos arranjos unipessoais.
Atento a essas transformações, este boletim, com base nas informações coletadas pela Pesquisa de Emprego e Desemprego, realizada na Região Metropolitana de Feira de Santana (PED-RMFS) entre julho e outubro de 2013, tem como objetivo caracterizar as condições de vida das famílias, em diversos arranjos, quanto ao rendimento e à situação de trabalho de seus membros.
A análise do rendimento familiar é particularmente relevante para avaliar o nível de bem estar das famílias e o acesso a bens e serviços básicos, o que depende da inserção produtiva e, em boa medida, do nível de rendimento de seus membros. Isso porque é na esfera familiar que são escolhidas as estratégias de reprodução e sobrevivência. Já a opção metodológica para o estudo das condições de vida das famílias e da inserção delas no mercado de trabalho, sobretudo daquelas com menores rendimentos, levou ao recorte por quartis de renda familiar per capita, que permite mensurar como estão distribuídos os recursos pelo conjunto dos membros da família.
O estudo aponta ainda elementos sobre a conciliação entre trabalho remunerado e responsabilidades familiares, fundamental tanto no processo de estruturação das famílias quanto do mercado de trabalho. O reconhecimento dessa questão ressalta a importância de desenvolver políticas públicas que sejam capazes de promover maior equidade social e econômica, independentemente da forma como se estruturam as famílias nos diversos segmentos de rendimento.
Os resultados da Pesquisa de Emprego e Desemprego na região metropolitana de Feira de Santana, em relação à distribuição dos tipos de arranjos familiares2 –– por grupos de renda familiar per capita – mostram a predominância de famílias constituídas por casais com filhos (36,4%), ou seja, compostas de pai, mãe e filhos. Em seguida, destaca-se a proporção do arranjo Outra3 (22,0%) que envolve agrupamentos familiares com a presença de parente e/ou agregado. Vale mencionar a presença de três tipos de famílias com participação relativamente equilibrada no padrão de organização dos arranjos familiares na RMFS: casal sem filhos (13,3%), monoparental feminina (13,3%) e unipessoal (13,7%), ou seja, pessoas que vivem só.
Outro indicador relevante na caracterização das famílias refere-se à chefia, ou seja, os responsáveis pelo sustento dos domicílios. Os resultados da pesquisa na RMFS mostraram que 41,8% das famílias eram chefiadas por mulheres (Tabela 1). No Grupo 1, aquele de menor renda familiar per capita, a proporção de famílias com chefia feminina representava 49,8%. No outro extremo da distribuição, o Grupo 4, composto pelos 25% das famílias com maior renda per capita, a participação das mulheres na chefia era relativamente menor, 34,2%.
Fonte: Sistema Ped – SEI
