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Destaques do dia

    Com venda em queda, montadoras dão férias coletivas e abrem programa de demissão

    O mês de abril começou com pé no freio para a indústria automotiva. Isso porque no primeiro trimestre deste ano, a produção de veículos caiu 8,4%. Os dados são da Associação Nacional das Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea). Já na primeira semana de abril, a indústria administra uma queda de 14,5% na produção. O setor fechou março com estoques superiores a 48 dias – os maiores desde 2008.

     

    A queda na produção já é um sinal bastante claro da má notícia: a conta não fechou. Depois de investimentos expressivos em linhas de produção, chegada de diversas montadoras estrangeiras ao Brasil, o mercado não está dando conta de tanta oferta. Na ponta da produção, quem sofre são os trabalhadores, que já começam a encarar uma temporada de Programas de Demissão Voluntária (PDV), férias coletivas e reduções de jornadas. Segundo a última Carta da Anfavea, o nível de emprego na indústria teve leve retração de 0,4% em março se comparado a fevereiro deste ano: 630 vagas fechadas.

     

    Desconsideradas as possíveis sazonalidades de um carnaval tardio, o fato é que a indústria já esperava um mercado menos aquecido neste ano. Desde 2013, a informação sobre o retorno da cobrança do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) já ameaçava a rentabilidade de um dos setores produtivos mais relevantes do País. Para completar, o aumento da taxa básica de juros (Selic) encarece o crédito e a expectativa de jogos da Copa do Mundo e eleições não representam reforços a uma economia forte.

     

    O vice-presidente da Ford, Rogélio Golfarb, não alimenta esperanças quanto a queda do IPI. “Não devemos esperar movimentos bruscos do governo neste ano”, diz. Mas o executivo ainda não desconsidera a possibilidade de Brasília desistir da cobrança integral, programada para julho deste ano.

     

    Para Goldfarb, esse descompasso no volume de estoques é causado pela chegada de tantos novos modelos e marcas no País. “Estamos [o mercado] com 34% de capacidade ociosa. A tendência é diminuir a produção para regular esses estoques”, afirma.

     

    Em 15 de abril, entra em funcionamento a fábrica da japonesa Nissan, em Resende (RJ). A unidade, que produzirá os modelos March e o Versa, terá capacidade para 200 mil veículos por ano. Fala-se no setor que a empresa já teria sinalizado a intenção de dar férias coletivas aos contratados. Foram R$ 2,6 bilhões aportados no empreendimento, que tinha por objetivo levar a Nissan a 5% do mercado automotivo nacional.

     

    Por pressão política ou por inviabilidade financeira, algumas montadoras já estão de fato mandando funcionários para casa em férias coletivas, em programas de demissão voluntária e reduções de jornada. Ainda não houve demissões, mas há quem diga que esse é o próximo passo na falta de uma intervenção.

     

     

    Entre 14 e 27 de abril, os funcionários da GM de São Caetano estarão em férias coletivas. Segundo os últimos números da Anfavea, as vendas de veículos caíram 2,1% no primeiro trimestre deste ano. Este já seria o primeiro efeito do retorno da cobrança do IPI sobre os veículos nacionais.

     

    Preços de veículos podem cair

    Pelas leis de mercado, excesso de oferta contra baixa demanda força um corte de preços. O consultor do mercado automotivo, André Beer, ainda não consegue precisar se há uma crise em formação, mas adianta que promoções e facilitações de crédito serão necessárias. “Talvez seja necessário até mais que isso”, diz.

     

     

    Fonte: IG

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