Brasil já tem mais da metade dos trabalhadores com carteira assinada
O número de trabalhadores informais diminuiu no Brasil. O setor em que houve mais formalização foi a construção civil.
Em São Paulo, já tem obra que funciona com departamento de recursos humanos para recrutar os pedreiros.
A construtora começou o ano contratando. Quem prestava serviços, virou funcionário.
“Criar mão de obra própria para você ter os colaboradores mais treinados e capacitados”, diz o coordenador de obra, Sérgio Jacome.
Carteira de trabalho no canteiro de obras é novidade só para o Djalma Melo, que foi contratado esse mês. “Você tem mais vantagens, você tem mais benefícios”, diz o encarregado-geral.
Há mais de uma década, a formalização é uma tendência no Brasil.
O país já tem mais da metade dos trabalhadores (50,7%) com carteira assinada. O levantamento do IBGE usou dados de seis regiões metropolitanas.
São Paulo tem a maior taxa de trabalhadores com carteira assinada. A região metropolitana abriga a indústria, o mercado financeiro – setores que costumam contratar. Mas essa não é a realidade em todas as metrópoles do Brasil.
Em Belo Horizonte (50,7%) e em Porto Alegre (52%), assim como São Paulo (55,2%), o índice fica acima de 50%. Já em Salvador e no Recife, a taxa de formalização fica em cerca de 47%.
No Rio de Janeiro, só 44,6% dos trabalhadores são formais. Isso pela forte presença do setor de turismo.
“Sou ex-educadora que largou sala de aula para trabalhar com sanduíche natural. É financeiramente melhor”, diz a ambulante Marizete Alves.
Formalizar não vale a pena para todo mundo. “Estou trabalhando por conta própria. O último salário que eu recebi foi R$ 495, carteira assinada. Aí, dá para tirar mais do que isso aí durante a semana”, diz o vendedor de bala Luciano Faria.
Para o trabalhador da construção civil, carteira assinada é sinônimo de segurança. “Prefiro ganhar menos com carteira assinada do que ganhar mais e não ter garantia”, garante o armador Ronaldo da Silva.
A economista Priscila Albuquerque também acha bom, mas faz um alerta sobre o crescimento da formalização no país. “Mais gente trabalhando no mercado de trabalho formal significa no futuro mais aposentados. A Previdência já tem uma conta deficitária hoje. Então, é preciso que a política pública pense o que fazer para fechar essa conta”, diz a professora de economia da FGV.
Em 2003, pouco mais de 25% dos trabalhadores da construção civil tinham carteira assinada. Em 2012, o percentual chegou a 40%. Mas, ainda tem muito trabalhador informal no setor.
Fonte: Jornal da Manhã
