Destaques do dia
Mais de 100 organizações assinam manifesto de apoio aos rolezinhos
Mais de cem organizações da sociedade civil já assinaram o “Manifesto de apoio à juventude negra, pobre e das periferias da cidade de São Paulo, pelo direito à circulação e a expressão de sua arte e cultura”.
Diante da repercussão gerada a partir dos chamados ‘rolezinhos’ e da violência colocada em prática pela administração de diversos Shopping Centers da cidade de São Paulo, diversas entidades assinaram o Manifesto.
“Cruzar os braços diante de fatos tão graves significaria reforçar a naturalização da violência contra negros e pobres no Brasil. Afinal, os barrados nas portas dos shoppings são os mesmos proibidos de frequentar universidades; são os mesmos que perfazem maioria entre analfabetos, miseráveis, desprovidos de serviços básicos como saúde, educação, moradia; são os mesmos ridicularizados e estigmatizados pela grande mídia e, sobretudo, são os mesmos que cotidianamente são parados, esculachados, presos, torturados e mortos pela polícia nas periferias do Brasil”, diz o documento.
Confira abaixo a íntegra do texto:
MANIFESTO DE APOIO À JUVENTUDE NEGRA, POBRE E DAS PERIFERIAS DA CIDADE DE SÃO PAULO!
PELO DIREITO À CIRCULAÇÃO E A EXPRESSÃO DE SUA ARTE E CULTURA.
São Paulo 18 de Janeiro de 2013
“É dever do Estado e da sociedade garantir a igualdade de oportunidades, reconhecendo a todo o cidadão brasileiro, independente da etnia ou cor da pele, o direito à participação na comunidade, especialmente nas atividades políticas, econômicas, empresariais, educacionais, culturais e esportivas, defendendo sua dignidade e seus valores religiososo e culturais” (Art. 2o. do Estatuto da Igualdade Racial)
O Racismo brasileiro já foi amplamente denunciado por movimentos e intelectuais. Em dezembro de 2013 a ONU, através de uma comissão especial em visita ao Brasil, mais uma vez declarou: “Os afro-brasileiros não serão integralmente considerados cidadãos plenos sem uma justa distribuição do poder econômico, político e cultural”, reforçando a ideia do racismo como estruturante das desigualdades em nosso país.
A barbárie social expõe sua face racista em especial através dos números dos homicídios, em especial aquele promovido pelas forças de repressão do Estado. A realidade das prisões brasileiras, agora simbolizada pela revelação dos acontecimentos no presídio de Pedrinhas no Maranhão ou a carnificina promovida por policiais em Campinas reforça o que sempre denunciamos: o caráter racista do Estado e de seus dirigentes.
Esse racismo se traveste cotidianamente a medida da necessidade do opressor. Nesse momento vivemos em São Paulo e em outros grandes centros mais uma das faces do racismo estrutural brasileiro: A reação dos Shoppings, da Polícia e da Justiça em relação a presença de “jovens funkeiros” nestes estabelecimentos.
Com a liminar que garantiu o direito ao JK Iguatemi e a outros diversos Shoppings de impedir a entrada de jovens negros, pobres e funkeiros, percebe-se a reafirmação da missão da policia, da justiça e do Estado: a proteção à iniciativa privada e aos seus valores civilizatórios tendo, como sempre, um alvo bem definido: negros e pobres. Trata-se, sobretudo de um precedente legal perigoso a medida que promove e formaliza uma prática análoga ao apartheid.
Cruzar os braços diante de fatos tão graves significaria reforçar a naturalização da violência contra negros e pobres no Brasil. Afinal, os barrados nas portas dos shoppings são os mesmos proibidos de frequentar universidades; são os mesmos que perfazem maioria entre analfabetos, miseráveis, desprovidos de serviços básicos como saúde, educação, moradia; são os mesmos ridicularizados e estigmatizados pela grande mídia e, sobretudo, são os mesmos que cotidianamente são parados, esculachados, presos, torturados e mortos pela polícia nas periferias do Brasil.
Os rolezinhos em shoppings que se espalham por todo país revela uma das faces da crise urbana, carente de espaços de convivência, acesso a arte, cultura e lazer, condições entregues pelo Estado aos cuidados e usufruto da iniciativa privada de cidades como São Paulo, estruturadas com base na concentração do solo e na especulação imobiliária, que provocam a exclusão, desterritorialização e expulsão da população negra e periférica, para regiões carentes de equipamentos e serviços sociais e culturais. Os Governos tem fundamental responsabilidade e devem responder a essa demanda de maneira imediata.
Criminalizado como um dia fora a capoeira, o samba e o RAP, o Funk moderno é tão contraditório em seu conteúdo quanto o é resistência em sua forma e estética. E se está servindo também para fazer aflorar o racismo enraizado na alma das elites hipócritas – muito mais vinculadas aos valores da luxúria e ostentação que o Funk, declaramos: somos todos funkeiros!
Exigimos:
– Anulação imediata das liminares que garantem o direito de segregação aos Shoppings;
– Pedidos públicos de desculpas pela ação racista por parte dos Shoppings e dos responsáveis pelas liminares no âmbito da Justiça;
– Imediato debate público com governos de todas as esferas sobre a pauta da ampliação dos espaços e condições de acesso a arte, cultura e lazer que possam contribuir para a inclusão, a emancipação e garantia de direitos das juventudes, principalmente da juventude negra, pobre e de periferia.
– Fim do Genocídio da Juventude Negra
– Desmilitarização das Polícias e amplo debate sobre um novo modelo de segurança Pública para o Brasil.
Assinam
CIRCULO PALMARINO
UNEAFRO BRASIL – União de Núcleos de Educação Popular para Negr@s e Classe Trabalhadora
MNU – Movimento Negro Unificado
CONEN-Coordenação Nacional De Entidades Negras
Núcleo De Consciência Negra Na USP
Instituto Luiz Gama
Quilombo Raça e Classe
UNEGRO – União de Negros Pela Igualdade
APN’s – Agentes de Pastoral Negros do Brasil
Coletivo Negro USP
Bocada Forte Hip Hop
Articulação Popular e Sindical de Mulheres Negras do Estado de São Paulo
Ceabra – SP
CENARAB – Centro Nacional de Religiosidade e Resistência Afro-Brasileiro
Coletivo Nacional de Juventude pela Igualdade Racial
Coletivo Quilombação
Coletivo Katu
Fórum de Mulheres Negras do Estado de São Paulo
Fórum Estadual de Juventude Negra do Espírito Santo – FEJUNES
INSPIR – Instituto Sindical Interamericano Pela Igualdade Racial
Instituto Búzios
IPEAFRO – Instituto de Pesquisas e Estudos Afro-Brasileiros
Jornal Negritude
Kwê Seja Dan – Sinha Mejito Kika De Gbessen
Oriashé – Sociedade Brasileira De Cultura E Arte Negra
QUILOMBHOJE Literatura
Coletivo de Entidades Negras/CEN
Agência Popular de Fomento a Cultura Solano Trindade
AMPARAR – Associação de Amigos e Familiares de Presos(as)
ANEL
Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – ABGLT
Associação De Favelas De São José Dos Campos
Associação Nacional das Baianas de Acarajé e Mingau
Banco Comunitário União Sampaios
Bloco Saci Do Bixiga
Campanha “Eu Pareço Suspeito?”
Campanha “Por Que O Senhor Atirou Em Mim?”
CEERT – Centro de Estudos das Relações de Trabalho e Desigualdades
CEMOP-Centro Evaldo Macedo de Mobilização Popular
Centro Acadêmico de Histária – USP
Centro Acadêmico Guimarães Rosa
Centro Gaspar Garcia de Direitos Humanos
CMP – Central dos Movimentos De Moradia
Cojira-SP – Comissão de Jornalistas pela Igualdade Racial
Coletivo Arrua
Coletivo de Poetas e Poetizas Marginais De Altamira (Xingu E Transamazônia)
Coletivo Quilombo – EPS
Comitê de Igualdade Racial e Combate ao Racismo dos Metalurgicos do ABC
Comunidade Cultural Quilombaque de Perus
CONAJIR (Coletivo Nacional de Juventude pela igualdade Racial)
Consulta Popular
DCE-UFSCar
DCE-USP
ECLA – Espaço Cultural Latino Americano
Escola de Governo
Esquerda Popular Socialista – São Paulo
Federação de Estudantes de Agronomia do Brasil – FEAB
FLACSO – Faculdade Latinoamericana de Ciências Sociais
Frente Perspectiva Mackenzie
Gt Nacional do Movimento Mudança
Imagem da Vida
INESC – Instituto De Estudos Sócioeconomicos
Instituto Palmares de Promoção da Igualdade
Instituto Práxis
INTERSINDICAL-BA
IPJ – Instituto Paulista De Juventude
JSOL
Juntos
Juventude do PT
Juventude LibRe – Liberdade e Revolução
Levante Popular da Juventude
Mães De Maio
Mandato Deputada Estadual Leci Brandão
Mandato Deputado Estadual Adriano Diogo
Mandato Deputado Federal Ivan Valente
Marcha Mundial De Mulheres
MLB – Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas
MMM-RJ
Movimento de Olho na Justiça – MOJUS
Movimento Mulheres em Luta
Movimento Paratod@S<br< a=””>>Movimento Primavera
Movimento Unidade na Luta – JPT
MST
Na Margem (Núcleo de Pesquisas Urbanas da UFSCar)
Neab-UFSCar (Núcleo de Estudos Afro-brasileiros da Universidade Federal de São Carlos)
Núcleo de Direitos Humanos e Cidadania de Marília
Núcleo de Estudos do Capital – PT/SP
Plataforma dos Movimentos Sociais Pela Reforma Política
Rede 2 De Outubro
REDE ECUMÊNICA DA JUVENTUDE
Rede Emancipa
Refundação Comunista
Secretaria Municipal De Juventude Do PT São Paulo
Secretaria Nacional De Juventude Do PT
Sindicato dos Advogados de São Paulo
SINTAEMA – Sindicato Dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente de São Paulo
Tribunal Popular e Comitê pela Desmilitarização da Polícia e da Política
UJS – União Da Juventude Socialista
UNIÃO DOS MOVIMENTOS DE MORADIA – UMMSP
União Nacional dos Movimentos De Moradia
União Popular de Mulheres de Campo Limpo e Adjacências
WAPI Brasil
Fonte: Portal CTB
