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    Entidades lançam manifesto contra retrocessos sociais e ambientais

    Mais de 90 entidades do meio socioambiental, dos direitos humanos e trabalhadores do campo lançaram um manifesto rechaçando a agenda de retrocessos sociais promovidos pelo executivo, legislativo e judiciário, alterando até garantias constitucionais.”Em meio ao caos político que assola o país, a bancada do agronegócio e o núcleo central do governo federal fazem avançar, um pacote de medidas que inclui violações a direitos humanos, a normalização” do crime ambiental, diz um trecho do manifesto.

    Confira a íntegra:

    Governo e ruralistas se unem contra o futuro do país

    Nos últimos anos, as agendas socioambiental, de direitos humanos e de trabalhadores do campo têm sido alvo de ataques sistemáticos por grupos de interesse instalados no Congresso Nacional e no Executivo Federal. Nem mesmo direitos garantidos pela Constituição estão a salvo.

    Atualmente estes ataques ganharam uma nova dimensão. Em meio ao caos político que assola o país, a bancada do agronegócio e o núcleo central do governo federal fazem avançar, de forma organizada e em tempo recorde, um pacote de medidas que inclui violações a direitos humanos, “normalização” do crime ambiental e promoção do caos fundiário. Se aprovadas, tais medidas produzirão um retrocesso sem precedentes em todo o sistema de proteção ambiental, de populações tradicionais e dos trabalhadores do campo, deixando o país na iminência de ver perdidas importantes conquistas da sociedade ocorridas no período democrático brasileiro.

    Às tentativas de aniquilação das políticas de reforma agrária e do uso social da terra, contidas na Medida Provisória (MP) 759, somam-se iniciativas de extinção de Unidades de Conservação, a facilitação e legalização da grilagem de terras e os ataques contra direitos e territórios indígenas. Em conjunto, tais investidas buscam disponibilizar estoques de terras para exploração desenfreada e também para serem negociadas através do projeto que libera a venda de terras para estrangeiros.

    A lista de retrocessos segue com as tentativas de enfraquecimento do licenciamento ambiental e da fiscalização sobre a mineração; a liberação do uso e registro de agrotóxicos, inclusive daqueles proibidos em diversos países do mundo; a ocupação de terras públicas de alto valor ambiental; a concretização das anistias a crimes ambientais e o ataque a direitos trabalhistas e sociais de populações camponesas e de trabalhadores rurais.

    Para o avanço rápido desta agenda, governo e parlamentares armam tramitações expressas no Congresso e fazem uso desmedido de medidas provisórias, inclusive para temas que já se encontram em debate no legislativo, excluindo assim a possibilidade da participação da sociedade e de estudiosos dos temas.

    Além de colocar em risco a nossa própria soberania e segurança alimentar, a aprovação de tais medidas resultará em maior concentração fundiária; na inviabilidade econômica de pequenos produtores rurais e da agricultura familiar, dos quilombolas e povos indígenas; no aumento da violência e da disputa por terras; no beneficiamento da grilagem de terras públicas e na mercantilização dos assentamentos rurais e da Reforma Agrária.

    O desmatamento será impulsionado de forma decisiva, colocando por terra todo o esforço da sociedade que levou à redução do desmatamento na Amazônia em cerca de 80% entre os anos de 2004-2014, nos afastando do cumprimento de compromissos internacionais assumidos em convenções sobre clima e sobre biodiversidade, de direitos indígenas e direitos humanos.

    Este conjunto de fatores poderá potencializar as dinâmicas das mudanças climáticas, impondo graves prejuízos à economia, aos produtores rurais e à toda população do campo e das
    cidades.

    A participação do governo na ofensiva orquestrada contra os direitos, territórios da diversidade e meio ambiente revela um retrocesso político histórico: além da renúncia à obrigação constitucional de tutela dos direitos difusos e de minorias, escancara uma concepção de País calcada no desprezo pela natureza e pelo conhecimento sobre ela em função de interesses econômicos imediatos, reproduzindo o modelo excludente de expansão do agronegócio e facilitando a implementação de projetos frequentemente ligados a esquemas de corrupção e
    má-gestão dos recursos públicos.

    Diante do exposto, as organizações e movimentos dos mais diversos campos de atuação abaixo assinados se unem para denunciar e resistir à perversa agenda de desmonte das conquistas socioambientais, e convidam a população e demais setores organizados da sociedade a somarem esforços no sentido de impedir tais retrocessos.

    Assinam:

    1. 350.org
    2. Abraço Guarapiranga
    3. Actionaid
    4. AdT/Amigos da Terra
    5. AFES/Ação Franciscana de Ecologia e Solidariedade
    6. Aldeia Guarani Kalipty – Parelheiros
    7. Aldeia Guarani Tenondé Porã – Parelheiros
    8. ANA/Articulação Nacional de Agroecologia
    9. Amazon Watch
    10. APIB/Articulação dos Povos Indígenas do Brasil
    11. Apremavi/Associação de Preservação do Meio Ambiente e da Vida
    12. Articulação para o Monitoramento dos Direitos Humanos no Brasil
    13. Associação Mico-Leão-Dourado
    14. BVRio
    15. Cáritas Nacional
    16. Casa Ecoativa – Ilha do Bororé
    17. CEBES/Centro Brasileiro de Estudos de Saúde
    18. CBJP/Comissão Brasileira Justiça e Paz
    19. CDDHEP/Centro de Defesa dos Direitos Humanos e Educação Popular do Acre
    20. CIMI/Conselho Indigenista Missionário
    21. Comissão Dominicana de Justiça e Paz do Brasil
    22. Comitê Nacional em Defesa dos Territórios Frente à Mineração
    23. Comissão Pró-Índio de São Paulo
    24. CONAQ/Coordenação Nacional de Articulação das Comunidades Negras Rurais Quilombolas
    25. Conectas Direitos Humanos
    26. CONTAG/Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares
    27. Coração Amazônico
    28. Cooperapas/Cooperativa Agroecológica dos Produtores Rurais de Água Limpa -SP
    29. CNS/Conselho Nacional das Populações Extrativistas
    30. Consulta Popular
    31. CPT/Comissão Pastoral da Terra
    32. CUT/Central Única dos Trabalhadores
    33. Engajamundo
    34. Escola de Ativismo
    35. Espaço de Formação Assessoria e Documentação
    36. FAOR/Fórum da Amazônia Oriental
    37. FASE/Federação de Órgãos para Assistência Social e Educacional
    38. Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social
    39. FURPA/Fundação Rio Parnaíba
    40. Greenpeace Brasil
    41. Grupo Carta de Belém
    42. IBASE/Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas
    43. ICV/Instituto Centro de Vida
    44. IDESAM/Instituto de Conservação e Desenvolvimento Sustentável do Amazonas
    45. IDS/Instituto Democracia e Sustentabilidade
    46. IEMA/Instituto de Energia e Meio Ambiente
    47. Intersindical – Central da Classe Trabalhadora
    48. IMAFLORA/Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola
    49. Imargem – Arte, Meio Ambiente e Convivência
    50. IMAZON/ Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia
    51. INESC/ Instituto de Estudos Socioeconômicos
    52. International Rivers Brasil
    53. Instituto Pólis
    54. Instituto Avaliação
    55. ISA/Instituto Socioambiental
    56. Justiça nos Trilhos
    57. Liga Brasileira de Lésbicas
    58. Mater Natura – Instituto de Estudos Ambientais
    59. MAB/Movimento dos Atingidos por Barragens
    60. MAM/Movimento pela Soberania Popular na Mineração
    61. MCP/Movimento Camponês Popular
    62. MMC/Movimento de Mulheres Camponesas
    63. Mogave/Movimento Garça Vermelha
    64. Movimento Contra o Aeroporto de Parelheiros
    65. Movimento Aeroporto de Parelheiros NÃO!
    66. MPA/Movimento dos Pequenos Agricultores
    67. MST/ Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
    68. MTST/Movimento dos Trabalhadores Sem Teto
    69. Núcleo de Estudos das Diversidades, Intolerâncias e Conflitos – Diversitas/USP
    70. Núcleo de Pesquisa e Extensão em Ambiente, Socioeconomia e Agroecologia/NUPEAS-UFAM
    71. Observatório do Clima
    72. Observatório de Favelas, da favela da Maré, Rio de Janeiro
    73. OCCA/Observatório dos Conflitos do Campo – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
    74. Organon/Núcleo de estudo, pesquisa e extensão em mobilizações sociais da UFES
    75. PAD/Processo de Articulação e Diálogo entre Agências Ecumênicas Europeias e Parceiros Brasileiro
    76. PHS/Hospitais Saudáveis
    77. PFDC/Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão do MPF/Ministério Público Federal
    78. PJR/Pastoral da Juventude Rural
    79. Plataforma Operária e Camponesa para Energia
    80. RAMH/Rede Acreana de Mulheres e Homens
    81. Rede Brasileira de Informação Ambiental
    82. Rede GTA/Grupo de Trabalho Amazônico
    83. SAVE Brasil
    84. Sinfrajupe/Serviço InterFranciscano de Justiça, Paz e Ecologia
    85. SBE/Sociedade Brasileira de Espeleologia
    86. SOS Mata Atlântica
    87. Toxisphera Associação de Saúde Ambiental
    88. UBM/União Brasileira de Mulheres
    89. Uma Gota no Oceano
    90. UNALGBT/União Nacional de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais
    91. Via Campesina
    92. WWF Brasil

    Do Portal Vermelho 

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