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Destaques do dia

    Queda da taxa de juros é considerada tímida e insuficiente para destravar a economia

    O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) anunciou, nesta quarta-feira (12), a redução da taxa básica de juros Selic para 11,25%. Um redução considerada “tímida” diante do cenário de recessão que vive o Brasil.

    O anúncio da queda dos juros vem logo após pesquisa da  Confederação Nacional da Indústria (CNI), que apontou que o setor industrial ainda opera com déficit. Em fevereiro deste ano a indústria operou, em média, com 77,3% da capacidade instalada, com recuo de 0,4 ponto percentual em relação a janeiro. Em outubro de 2016 o indicador tinha atingido o menor nível da série histórica (76,1%).

    Há de se destacar que o Brasil ainda possui uma das maiores taxas de juros do mundo.  “A redução por si só não resolve o problema da nossa economia. O Brasil precisa de uma política econômica que, além dos juros baixos, sinalize para um horizonte de retomada com geração de emprego e valorização da renda da classe trabalhadora”, avaliou o presidente da CTB, Adilson Araújo.

    Desindustrialização

    É bom registrar que a política de juros altos desestimula o investimento e é um dos principais fatores para o processo de desindustrialização que ocorre no Brasil. Ou seja, reduz o utilização da capacidade produtiva. Ao final, a economia não cresce e cria-se um círculo vicioso: a baixa oferta provoca mais inflação, que faz os juros subirem mais e inibe novos investimentos.

    Ainda que a queda dos juros seja considerada, a ausência de investimentos no setor produtivo por parte do governo Michel Temer afeta de forma brutal a indústria brasileira. Exemplo disso, foi a decisão de Temer desmontar a política industrial de conteúdo local no setor. A previsão é que o desemprego avance em mais 1 milhão somente no setor da indústria, segundo dados do IBGE.

    O maior problema da mudança na política, na opinião do presidente do Conselho de Óleo e Gás da Abimaq, Cesar Prata, é a definição de 25% de conteúdo local para as plataformas de petróleo. Atualmente, esse índice é de 65%.

    O mito da inflação

    Em nota, o Banco Central deixou claro que tem como régua a inflação para reduzir os juros. “Se o BC diz que a inflação era o principal motivo para a alta dos juros, é de se estranhar que os juros não caiam na mesma proporção da inflação”, questionou Adilson Araújo

    Ele insiste que para enfrentar a crise fiscal é preciso reduzir substancialmente a taxa de juros, reestruturar a dívida pública, combater a sonegação e realizar uma reforma tributária progressiva que desonere o trabalho e tribute mais o capital financeiro, aumente o imposto sobre heranças, os lucros (sobretudo os obtidos com a especulação financeira) e taxe as remessas de lucros e dividendos ao exterior.

     

    Fonte: Portal CTB

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