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Orlando Silva, presidente da Comissão do Trabalho, e os leões da Câmara: “Sentiram o calor das ruas”
A noite desta segunda-feira (3) foi agitada no Sindicato dos Eletricitários de São Paulo – por lá passaram centenas de sindicalistas e acadêmicos para prestigiar o ato de posse da nova presidência da Comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público (CTASP) da Câmara dos Deputados. O deputado federal Orlando Silva (PCdoB-SP) passará a coordenar os trabalhos naquele espaço.
Orlando Silva foi eleito, na realidade, no dia 23 de março, há pouco mais de uma semana. A comemoração atrasada, no entanto, era necessária: “É preciso sentir o povo, sentir a energia das pessoas que lutam ao seu lado”. Falando ao auditório lotado, o deputado usou seu discurso inaugural para enfatizar a necessidade de reconstrução democrática, seguindo o golpe de Estado de 2016.
“Esse ato tem a finalidade de firmar compromisso público com os direitos dos trabalhadores e com a defesa da Justiça do Trabalho, que está sendo muito atacada”, disse, arrancando aplausos efusivos. “No fundo, isso é firmar um compromisso com o país. Nós já passamos por momentos mais difíceis do que esse e soubemos sair num patamar ainda superior. E a solução é pela política – esse ato é uma convocação para que os nossos amigos trabalhadores e sindicalistas tenham mais compromisso com ela. Se a democracia brasileira foi atingida duramente no último período, nós temos que ter o compromisso de tecer novamente o tecido democrático, refazê-lo e garantir mais participação e protagonismo dos trabalhadores”, avaliou.
Para o representante, as medidas de austeridade extrema promovidas por Michel Temer terão um efeito negativo sobre o equilíbrio econômico do país, ao invés de saná-lo. Ele afirmou que sua intenção à frente da Comissão será a de priorizar pautas de temas sociais, como os serviços públicos, e defender o papel do Estado como indutor de direitos sociais e dos trabalhadores.
“É um momento muito difícil, mas o certo é que é o trabalho produz a riqueza, o trabalho produz a vida, o trabalho produz a dignidade para o nosso povo”, resumiu, arrancando mais reações acaloradas. Ele fez uma oposição desse valor com as “velhas ideias” empurradas pelo governo golpista, e fez especial crítica às mudanças na CLT e na Lei da Terceirização.
Sua mensagem final, no entanto, foi positiva: “A luta que estamos fazendo já teve impacto no Congresso, amigos. Depois das manifestações do dia 15, a oposição [a Temer], que não passa de 100 deputados, alcançou 188 votos contra a terceirização – já melhorou. Vocês acham que esses votos que se juntaram a nós foi porque nós fizemos um discurso bonito para o Plenário e convencemos os deputados? Foi não, pessoal. Foi porque eles sentiram o calor das manifestações. Eu confesso pra vocês, depois do dia 15, tiveram outras manifestações, e o bom é que está espalhando! Os protestos se espalham da cidade grande para a cidade média para a cidade pequena, e é desse jeito que a coisa chega lá no Congresso Nacional”.
Fonte: Portal CTB